Publicado em Common Ground
Todos nós queremos, ou precisamos, ser amados. A necessidade de amor é um dos impulsos humanos mais básicos. Podemos encobrir essa necessidade com padrões de autoproteção ou imagens de autossuficiência. Ou podemos reconhecê-la abertamente para nós mesmos ou para os outros. Mas ela está sempre presente, seja oculta ou visível. Normalmente, buscamos amor em relacionamentos humanos, projetando nossa necessidade em pais, parceiros, amigos, amantes. Nossa falta ou negação de amor muitas vezes causa feridas que carregamos conosco. Essa necessidade não atendida nos assombra, às vezes nos levando a vícios ou outros padrões autodestrutivos. Por outro lado, se nossa necessidade de amor é satisfeita, nos sentimos nutridos nas profundezas do nosso ser.
O amor nos chama de muitas maneiras diferentes. Contudo, enquanto a maioria das pessoas busca o amor na complexidade dos relacionamentos humanos, o místico é atraído para as profundezas — nas palavras de Rumi, “retorne à raiz da raiz do seu próprio ser”. E aqui começamos a descobrir um dos maiores segredos da vida: como o amor está na fonte de tudo o que existe, é a própria fonte de tudo o que existe. O amor não é apenas um sentimento entre pessoas, mas uma substância, uma energia, uma centelha divina presente em tudo. E é essa essência mais profunda — essa substância do amor — que precisamos para nos nutrir.
O amor fala à nossa alma e ao nosso corpo. O amor abrange todos os sentidos — paladar e tato, olfato, visão e audição. O amor, por sua própria natureza, abrange tudo. Não pertence apenas a um relacionamento humano. Pode ser encontrado em qualquer lugar, porque está em toda parte. O místico desvenda o simples segredo de que, na verdade, o amor flui por tudo o que existe — doce, terno, doloroso, sábio, assim como obscuro e apaixonado. E à medida que essa energia primordial, esse poder supremo, desperta dentro de nós, em nosso coração, nossa alma e até mesmo nas células do nosso corpo, nos atrai cada vez mais para o seu próprio mistério. O amor nos reconduz ao amor.
E aqui descobrimos a unicidade do amor — que a fonte e a resposta à nossa necessidade primordial não estão separadas de nós, mas fazem parte da nossa própria natureza essencial, do nosso próprio ser verdadeiro. Novamente, citando Rumi:
No minuto em que ouvi minha primeira história de amor
Comecei a te procurar, sem saber
Que cegueira!Os amantes não se encontram finalmente em algum lugar.
Eles estão um no outro o tempo todo.
A verdade mística da unicidade do amor é algo simples e essencial: a verdadeira natureza do amor que todos buscamos não é outra senão nós mesmos. Lembro-me da minha primeira experiência direta desse amor. Eu tinha quase 30 anos quando, numa tarde em que meditava, senti algo que só posso descrever como asas de borboleta tocando a borda do meu coração. E naquele instante, todo o meu ser e corpo foram preenchidos por um amor que eu mal sabia que existia. Cada célula do meu corpo foi amada, com ternura, delicadeza e plenitude. O amor estava presente em tudo em mim. E esse amor vinha de dentro de mim, do meu próprio coração. Não havia outro.
O amor é o maior presente da vida. Buscamos o amor, e, no entanto, ele está ao nosso redor e dentro de nós. Pertence à unidade da vida, a cada gota de orvalho em cada folha, à aranha tecendo sua teia, à criança contemplando as estrelas. Se abrirmos nossos sentidos e nossos corações, podemos sentir sua presença. O amor é a vida nos revelando seu verdadeiro mistério. E nessa conversa, tantas coisas podem acontecer, tantos milagres podem nascer, os pequenos milagres inesperados que muitas vezes não percebemos — como um raio de sol momentâneo por trás de uma nuvem, uma flor onde uma semente brotou inesperadamente, o sorriso de um estranho. Apesar de todas as suas distorções, dores e sofrimentos, este mundo pertence ao amor, assim como cada um de nós pertence ao amor. E saber que fazemos parte desse amor já é suficiente.
Aprender a amar é aprender a viver, a tornar-se parte da grande história de amor que é a vida. E assim como o amor é a dádiva da vida, também é o único presente verdadeiro que cada um de nós tem para dar. Fui criado numa família onde o amor era desconhecido, onde nada de verdadeiro era oferecido. E por isso aprendi a valorizar este presente simples e o quão precioso ele é. O amor é tudo o que realmente temos para dar, e o amor é gratuito, mesmo que custe sangue e um coração partido.
Infelizmente, vivemos em uma cultura onde muita coisa está distorcida, presa nas sombras do ego e da ganância. Somos alimentados por desejos intermináveis, manipulados pela publicidade e pela mídia, sem saber mais em quem confiar. Quase nos esquecemos de que a vida é sagrada. Em tempos como este, é especialmente importante retornar ao que é essencial e verdadeiro, ao que não pode ser comprado ou vendido. Simples atos de amor e bondade, um coração aberto que escuta, mãos que se importam — com um amigo, um estranho, com alguém necessitado. Essas são as verdadeiras moedas da nossa humanidade compartilhada, que facilmente rompem barreiras e nos lembram de uma unidade mais profunda do que nossas divisões superficiais. Em nossa verdadeira natureza, não somos consumidores, mas sim amantes, e a vida não se resume à prosperidade econômica ou a acumular bens materiais, mas sim a uma história de amor à espera de ser vivida.
E neste momento é especialmente importante retribuir o amor à Terra, a mesma Terra que estamos envenenando e poluindo. Retribuir o amor com atos simples: plantar ervas com cuidado e atenção; caminhar, com os pés tocando o chão com amor a cada passo; contemplar as flores da primavera, conscientes de sua beleza. A Terra é tão generosa, nos deu a vida e, no entanto, a profanamos, atacamos sua frágil teia. É tempo de nos apaixonarmos novamente pela Terra, de lembrarmos que ela é sagrada e de contribuirmos para sua cura, de ouvi-la e amá-la.
E o que se revela no coração do amante, daquele que se entregou ao amor, é o grande segredo da criação: que o amor está sempre presente. O amor está presente em nosso próprio coração, em cada respiração, em cada célula do nosso corpo e em toda a criação. Toda a criação é uma contínua efusão de amor, de amante e amado precisando um do outro, encontrando-se, fundindo-se. O grande mistério, então, não é que esse amor esteja sempre presente, mas que ele nos pareça oculto, que tenhamos esquecido como somos feitos de amor. Que somos amor em busca de amor. E o maior dom da vida é o amor à espera de ser vivido.
COMMUNITY REFLECTIONS
SHARE YOUR REFLECTION
3 PAST RESPONSES
Planet Earth is thirsting for tender love and care. We have the privilege to respond. "Return love with simple acts: planting some herbs with care and attention; walking, our feet touching the ground with love every step; seeing spring blossoms, aware of her beauty. It is time to fall in love again with the earth, to remember that she is sacred and help in her healing, to listen to her and love her" - Llewellyn Vaughan-Lee
...and being Love, we are that dewdrop, that leaf, spinning spider, the stars and our very own selves - the Earth. I Love you.
Mm indeed, 'we are love seeking love. And life’s greatest gift is love waiting to be lived.'
May each of us love as we are able.
💜