"Se a única oração que você fizer em toda a sua vida for 'obrigado', já será o suficiente."
-- Mestre Eckhart

Quando estive em Bali há alguns anos, tive a sorte de visitar vários templos. Antes de entrar em cada um deles, nos pediam para amarrar uma faixa na cintura como um gesto simbólico de "controlar nossos apetites" enquanto orávamos. Parece que os balineses acreditam no poder da oração e, ainda mais, no valor de pedir apenas o necessário, e nada mais.
Achei esse ritual e essa forma de pensar bastante marcantes, especialmente em contraste com a mentalidade de "abundância" da nossa cultura. Durante anos, ouvi figuras públicas e autores motivacionais me encorajarem a pensar grande, sonhar grande e imaginar grande. Como costuma ser a mensagem: "O céu é o limite, mas só se você acreditar que merece coisas tão grandiosas". Em contraste, o incentivo balinês para orar com moderação me pareceu surpreendentemente revigorante.
Embora haja mérito em definir grandes objetivos e desejar coisas grandiosas, também reconheço o lado sombrio desse tipo de pensamento. Quando nos sentimos realizados com uma enorme quantidade de desejos, é preciso muito para nos sentirmos satisfeitos. Isso pode dificultar a gratidão pelo que temos quando o consideramos inferior ao que almejamos.
Ao amarrar minha faixa e entrar no templo, refleti sobre como às vezes ajo de forma arrogante, com meus grandes desejos e sonhos — como possuo minha própria versão daquela garota de Willy Wonky que "quer a galinha dos ovos de ouro e a quer agora". Ao perceber isso, pensei que talvez devesse pedir uma segunda faixa, apenas para contrabalançar minhas tendências culturais. Principalmente, eu queria — e ainda quero — essa segunda faixa para evitar o sofrimento que vem de querer mais do que a vida realmente pode oferecer. É mais seguro querer querer menos, especialmente para que possamos experimentar o alívio e a alegria que vêm de permitir que as coisas sejam como são.
Acredito que um equilíbrio saudável pode existir entre "sonhar grande" e "querer pouco". Isso é especialmente verdadeiro se formos capazes de manter nossos desejos e aspirações em proporção adequada com nossa gratidão e boas intenções. Ao equilibrar essas coisas, podemos almejar conquistas extraordinárias, praticar a gratidão pelo que temos e permanecer firmes na sabedoria de que nem sempre sabemos o que a vida nos reserva e o que é melhor para nós.
Senti esse tipo de equilíbrio enquanto me ajoelhava naqueles templos balineses com uma faixa amarrada na cintura, um sentimento de gratidão no coração e um brilho metafórico nos olhos por tudo aquilo que eu sonhava que a minha vida pudesse reservar.
Espero que você também possa experimentar uma sensação de equilíbrio entre seus desejos pelo que poderia ser e sua gratidão pela beleza do que é.
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5 PAST RESPONSES
Terrific advice. I can't help but think of how Jimmy Carter encouraged Americans to live modestly and was pummeled for his efforts.
Thank you for this gentle perspective on the subject. There is a conflict between the idea of acceptance of good enough and the drive we need to achieve great things. Perhaps it ok to want great things if it is in the service of others and that personaly we need to be thankful for exactly what we get!
Enough is good enough, I heard somewhere and it's wonderful practicing this you feel so free and not tied down to the 'things' in life. Nothing feels more important that love in life and the life in all its beauty.
This is a wonderful piece! Bali is on the top of my YOLO list and this is one of the reasons why.
Wonderful reminder of balance. Thank you. Here's the dreaming big and wanting small. Namaste and HUG.