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O Que é revelado? a Ferida Fundadora (poema/diretiva)

Um corpo é sempre um corpo.
individual ou coletivo
(inteiro ou em muitas partes)
vivo ou, mais tarde, morto
Um corpo está sempre vulnerável.

Uma ferida é sempre uma ferida.
singular e profundo
ou muitos cortes, lentamente, sangue por toda parte
deixado sem tratamento, sem estancar, negado
Uma ferida sempre irá infeccionar.

A primeira ferida ocorre dentro
a violência do nascimento
a expulsão da ilusão de segurança
da ideia de que alguém (outra pessoa)
fará todo o trabalho

E alguns de nós continuamos procurando em todos os lugares.
pela placenta, pela maternidade
para a aceitação de nossas piores escolhas
Ouvir que somos tão especiais
ser nomeado o filho favorito

Alguns de nós aprendemos a trabalhar
Recebemos ferramentas, palestras e práticas.
Recebemos a bênção de saber
que trabalham para nutrir o coletivo
é um caminho sagrado para nossas vidas

Algumas pessoas só aprendem a comer
concedendo o título de propriedade de terras que não são nossas
julgados pela partícula de sujeira debaixo das nossas unhas
prontos para competir até mesmo contra nossos próprios parentes.
pela vitória sem fim de mais

alguns de nós somos negros
Ainda enjoado por causa do porão do barco.
Ainda estamos recuperando o fôlego depois das cordas arrebentadas.
ainda lubrificando nossas mãos calejadas do campo
e ainda ferido

alguns de nós somos brancos
ainda sinônimo de pureza impossível
ainda não foram dadas canções da terra
ainda ensinados a dominar apenas a superioridade
e ainda assim, ferido

Alguns de nós somos vermelhos, amarelos, marrons
ainda assim, dá a impressão de ser secundário em relação à trama.
ainda dispensado, pelo que nos lembramos
Ainda afirmando que somos humanos, não terroristas.
e, ainda ferido

Alguns de nós nunca se surpreendem.
nunca ficamos apopléticos quando o fedor nos atinge.
O que apodrece no âmago é conhecido e documentado.
É tangível, moral, americano, espiritual.
É a ferida fundadora

cinza apenas na superfície
preto quebradiço onde começou a lesão
um arco-íris de hematomas por toda parte
mofo verde dando vida à carne moribunda
mas o pus, o pus estoura branco

Já ultrapassamos a fase de introspecção.
de ver as feridas abertas em nossas almas
de adentrar nossas sombras com a luz da verdade
de ver que fomos moldados e podemos mudar.
de acreditar que a ferida define quem somos.

Conhecemos o cheiro de decomposição no hálito.
Vemos a carne inchada e rachada da infecção.
Não é falta de educação reconhecer o mau cheiro.
Ficamos nos perguntando se é viral, venenoso, se há alguma possibilidade de sobrevivência.
procurar a(s) laceração(ões)

As coisas não estão piorando.
Eles estão sendo descobertos
Precisamos nos abraçar com força.
e continue a desvendar o véu.
Veja: nós, o corpo, somos o lugar ferido

Vivemos em uma Terra resiliente.
onde a mudança é a única constante
em corpos cuja única verdadeira brancura
é a célula sanguínea que combate infecções.
e o osso que contém a medula

Remova os estilhaços e limpe o ferimento.
Abandone a inflamação, deixe o caos se acalmar.
O corpo sabe como formar crostas como pedra de lava.
eventualmente deixando cicatrizes suaves e desfigurantes.
das lições aprendidas:

A negação não fará a ferida desaparecer.

a ferida não é o corpo

Um corpo não pode ser dividido em múltiplas entidades vivas (e nós continuaríamos respirando?).

A ferida do fundador é o mito da supremacia.

Esta não é a primeira ferida, nem será a última.

Somos uma espécie antes de sermos uma nação, e depois

Guerreiros, organizadores, contadores de histórias, sonhadores – todos nós somos curadores.

O caminho da cura é a humildade, o riso, a verdade, a consciência e a escolha.

Uma crosta é uma fronteira territorial, entre o que está dentro e o que está fora, quando a linha foi rompida.

Pare de cutucar a casquinha, isso retarda a cicatrização.

Até morrermos, e mesmo quando estivermos exaustos e sem fé, lutaremos pela vida.

Somos nossa única esperança relevante.
Somos nosso único remédio possível.

Um corpo é sempre um corpo.
ferido, supurando, cicatrizando, curado
A cada dia escolhemos qual corpo moldaremos.
com o material milagroso que nos foi dado
Vamos, finalmente, cuidar da ferida.
Vamos, finalmente, dar um nome à violência.
Vamos, finalmente, quebrar o ciclo de supremacia.
Vamos, finalmente, escolher a nós mesmos por inteiro.
Vamos, finalmente, amar a nós mesmos.
todo.

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COMMUNITY REFLECTIONS

1 PAST RESPONSES

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Kristin Pedemonti Jan 14, 2021

The wound in me acknowledges and reaches out to the wound in you.
Thanm you for stating so eloquently what my heart feels 🙏