Acredito que o trabalho mais importante ao qual devemos dedicar nossa atenção seja o trabalho sobre o próprio ser humano — o trabalho interior do ser humano. O cientista Peter Russell escreveu, há algumas décadas, que precisamos de um projeto para explorar a consciência humana comparável ao Projeto Manhattan de setenta anos atrás. Por que esse trabalho é tão urgente? Porque nós somos o problema. Os seres humanos são os que estão destruindo seu próprio habitat e o de inúmeras outras criaturas por sua cegueira, ganância e violência. Precisamos de um investimento maciço de talento e disciplina em nossas vidas interiores. Quando fizermos isso, encontraremos algumas soluções para os problemas avassaladores da violência e da autodestruição; da opressão internalizada e dos atos externos de opressão; do racismo e do sexismo; da homofobia e do medo que parecem dominar nossa espécie e se manifestam em ciclos intergeracionais de abuso — físico, sexual, emocional e religioso.
Quando um número suficiente de nós tiver cuidado do nosso trabalho interior, então o processo de transformar empregos em trabalho e inventar novos trabalhos poderá começar a dar frutos. Transformamos empregos em trabalho ao compreendermos o aspecto de serviço presente até mesmo nas ocupações mais humildes, como lavar janelas, varrer o chão ou até trocar fraldas. Essa compreensão vem com a prática espiritual. Como Wendell Berry destaca, todo trabalho contém tarefas árduas; a questão é se elas têm significado ou não. Aqueles que amam uma criança não se ressentem de trocar suas fraldas. Aqueles que acreditam em uma empresa não se importam de levar o lixo para fora ou varrer o chão.
Criamos novos trabalhos em resposta às necessidades de nossa época — como ajudar as pessoas a fazer a transição para um estilo de vida menos consumista e mais sustentável; reeducar as pessoas em habilidades tradicionais de vida simples; desenvolver novas tecnologias para converter resíduos em materiais utilizáveis; reestruturar nossa economia para funcionar com fontes de energia renováveis; reparar e curar nossos oceanos, rios e lagos poluídos; reflorestar nossas encostas desmatadas; remunerar nossos artistas, músicos e cuidadores, e assim por diante.
Uma das imagens mais importantes que vi nos últimos anos surgiu nos últimos meses e foi publicada na internet. Foi capturada por um satélite que deixou o sistema solar e olhou para trás, fotografando a Terra, seu lar. A Terra é visível como um pequeno ponto entre muitos outros pontos luminosos, mas uma seta a identifica. Acho que essa foto precisa se tornar tão icônica quanto a fotografia da Terra tirada da Lua por astronautas há 45 anos. Quando você percebe que, do espaço, a Terra parece um ponto, indistinguível de inúmeros outros pontos, você se dá conta de quão único e especial o nosso ponto é. Pode haver milhões de outros pontos por aí, mas nenhum que conheçamos possui as condições adequadas para a habitação humana. Alguns poucos podem ter o potencial para a vida, talvez, mas até onde sabemos, não há nada como a Terra — com sua beleza e diversidade de vida — em nenhum outro lugar do universo. A perspectiva que se pode obter a partir de uma imagem icônica como essa tem o potencial de desacelerar um pouco nossos cérebros reptilianos e nos permitir sentir a admiração e a gratidão que nossa situação realmente exige... e então, é claro, tratar nosso precioso ponto no tempo — e os outros seres com quem o compartilhamos — com o tipo de reverência que merecem.
A metáfora do trabalho na era industrial está perdendo força, mesmo no chamado Primeiro Mundo. Os fundamentos da vida humana, incluindo trabalho, saúde, política e educação, estão cada vez mais fora do alcance da maioria das pessoas. Uma nova era está chegando, estejamos preparados para ela ou não. A Terra ferida, o bilhão de desempregados, os bilhões de jovens desesperados que veem poucas perspectivas de trabalho ou emprego, e as necessidades de outras espécies que estão se extinguindo em um ritmo sem precedentes, nos convocam a criar uma nova economia e uma nova maneira de definir o trabalho.
***
Para mais inspiração, participe do Awakin Call deste sábado com Mathew Fox — Fidelidade versus Fé: Curvar-se ao coração em vez da autoridade. Confirme sua presença e saiba mais aqui.
Sacerdote Episcopal E teólogo, Matthew Fox Iniciou Sua Carreir
COMMUNITY REFLECTIONS
SHARE YOUR REFLECTION
4 PAST RESPONSES
"Creation Spirituality also embraces other spiritual traditions, including Buddhism, Judaism, Sufism, and Native American spirituality. " !!!
FYI - Buddhism came out of Hindusim. Buddha was a Hindu. !!!
Catholicism has been the divider of the world.
This is where I am now in this “golden season”. My Christianity has evolved from Jesus through and into the Universal Christ of Divine LOVE. Nothing has been abolished, just continuously being fulfilled. }:- a.m.
http://facebook.com/patrick...