Quando, após uma forte chuva, as nuvens de tempestade se dissipam, não é porque elas próprias choraram até se purificarem completamente? — Ghalib
O luto é uma das respostas naturais do coração à perda. Quando vivenciamos o luto, permitimos-nos sentir a verdade da nossa dor, a dimensão da traição ou da tragédia em nossa vida. Ao nos dispormos a lamentar, reconhecemos, integramos e aceitamos gradualmente a verdade das nossas perdas. Às vezes, a melhor maneira de seguir em frente é vivenciar o luto.
É preciso coragem para vivenciar o luto, para honrar a dor que carregamos. Podemos lamentar em lágrimas ou em silêncio meditativo, em oração ou em canção. Ao tocarmos a dor de lutos recentes e antigos, nos deparamos com nossa genuína vulnerabilidade humana, com o desamparo e a desesperança. Essas são as nuvens tempestuosas do coração.
A maioria das sociedades tradicionais oferece rituais e apoio comunitário para ajudar as pessoas a superar o luto e a perda. Precisamos respeitar nossas lágrimas. Sem uma maneira sábia de vivenciar o luto, só podemos seguir em frente, blindados e insensíveis, mas nossos corações não podem aprender e crescer com as mágoas do passado.
Para meditar sobre o luto, permita-se sentar, sozinho ou com um amigo que lhe ofereça conforto. Reserve um tempo para criar uma atmosfera de apoio. Quando estiver pronto, comece sentindo sua respiração. Sinta a respiração na região do peito. Isso pode ajudá-lo a se conectar com o que está dentro de você. Coloque uma das mãos suavemente sobre o coração, como se estivesse segurando um ser humano vulnerável. E você é.
Enquanto continua a respirar, traga à mente a perda ou a dor que está sentindo. Deixe que a história, as imagens, os sentimentos venham naturalmente. Acolha-os com delicadeza. Não tenha pressa. Deixe que os sentimentos surjam camada por camada, um pouco de cada vez.
Continue respirando suavemente, com compaixão. Deixe que todos os sentimentos presentes — dor e lágrimas, raiva e amor, medo e tristeza — venham como vierem. Toque-os gentilmente. Deixe que se desdobrem do seu corpo e da sua mente. Abra espaço para quaisquer imagens que surgirem. Permita que toda a história se manifeste. Respire e acolha tudo com ternura e compaixão. Bondade para com tudo isso, para com você e para com os outros.
A dor que carregamos faz parte da dor do mundo. Acolha-a com delicadeza. Permita que seja honrada. Você não precisa mais guardá-la para si. Pode deixá-la fluir para o coração da compaixão; pode chorar.
Liberar a dor que carregamos é um processo longo e repleto de lágrimas. No entanto, ele segue a inteligência natural do corpo e do coração. Confie nisso, confie no desenrolar dos acontecimentos. Junto com a meditação, parte da sua dor desejará ser escrita, expressa em lágrimas, cantada, dançada. Deixe que a sabedoria atemporal dentro de você a conduza através da dor e desperte um coração terno e aberto.
Lembre-se de que a dor não desaparece sozinha. Em vez disso, surge em ondas e, gradualmente, com crescente compaixão, cria-se mais espaço ao seu redor. O coração se abre e, no seu próprio tempo, pouco a pouco, surgem brechas de nova vida — aberturas nas nuvens de chuva. O corpo relaxa e a respiração se torna mais livre. Este é um ciclo natural em que você pode confiar — a forma como a vida e o coração se renovam. Como a primavera depois do inverno, sempre acontece.
Jack Kornfield · Meditação sobre o Luto - Jack Kornfield
Recursos relacionados do Gratefulness.org estão disponíveis aqui: https://gratefulness.org/explore/resources/?type=practices-grateful-living.
COMMUNITY REFLECTIONS
SHARE YOUR REFLECTION
3 PAST RESPONSES
thank you, I needed this today. hand on heart, feeling, feeling, letting go
Universal Truth — Mitákuye oyàsin 🙏🏽