Uma história sobre encontrar sua vocação — e o que significa ser verdadeiramente nutrido.
Um ensinamento sufi diz: Antes de falar, deixe suas palavras passarem por três portões. No primeiro portão, pergunte: "É verdade?" No segundo: "É necessário?" No terceiro: "É gentil?"
Mas talvez haja um quarto portão. Um que raramente visitamos.
É algo que me cabe fazer?
A Sala de Reuniões
Mark Moore estava sentado em uma sala de reuniões do Senado quando ouviu falar disso pela primeira vez. Representantes da UNICEF haviam chegado com um vídeo — uma reportagem de Anderson Cooper sobre algo chamado Alimento Terapêutico Pronto para Uso.
O conceito era de uma simplicidade quase absurda.
Um pacote de manteiga de amendoim fortificada. Uma criança com desnutrição aguda grave o consome três vezes ao dia durante seis semanas. Em mais de noventa por cento dos casos, elas se recuperam completamente e nunca mais precisam de tratamento.
A organização Médicos Sem Fronteiras chamou isso de "uma revolução em assuntos nutricionais".
Mark ficou sentado ali pensando o que a maioria de nós pensa: Alguém deveria fazer alguma coisa a respeito.
Então ele passou pelo quarto portão.
Essa pessoa se tornou ele.
Ele arrecadou 13 milhões de dólares — um salto quase ridículo para um ex-missionário que certa vez teve dificuldades para levantar 30 mil dólares para comprar um Toyota usado que, de qualquer forma, acabou se desfazendo. Ele construiu uma fábrica em Fitzgerald, Geórgia, no coração da região produtora de amendoim. Hoje, a Mana Nutrition produz milhões de pacotes de alimentos terapêuticos para a UNICEF e a USAID.
Eles não se autodenominam uma organização sem fins lucrativos. Mark a chama de "uma organização com propósito".
O significado está no placar.
O Menino na Neve
Mas a história não começa em uma sala de reuniões do Senado.
Tudo começa com um aluno da oitava série, de calção de ginástica, correndo na neve até os joelhos em Flint, Michigan. Lágrimas congelando em seu rosto.
Os garotos mais velhos o enfiaram num armário — um garoto gordinho e nerd que adorava basquete. Alvo fácil. Trancaram a porta e foram embora. Quando finalmente conseguiu sair, ele não parou para pegar o casaco. Simplesmente correu. Para fora da escola, para o inverno de Michigan, até chegar em casa.
Isso poderia ter sido o começo de uma história diferente.
Mas havia um jovem em sua igreja. Brian Stagner. Apenas cinco anos mais velho. O novo pastor de jovens em uma pequena congregação da qual ninguém tinha ouvido falar.
Brian viu algo em Mark que valia a pena cultivar.
Levei-o para o acampamento da igreja. Fiz com que ele pensasse em fazer faculdade — o primeiro da família a fazê-la.
Anos mais tarde, aquela igrejinha fecharia as portas. Desapareceria do mapa. Mas as crianças que passaram pelas mãos de Brian estão espalhadas pelo mundo agora, fazendo o que Mark chama de "coisas malucas".
As sementes que plantamos nem sempre florescem em nossos jardins.
Mark passou quase uma década como missionário em Uganda, tentando aprender um idioma sem livros didáticos. Dois anos depois, ele ainda era péssimo — desabando em lágrimas após tentativas frustradas de falar.
"Eu já tinha falhado tantas vezes", diz ele agora, "que sabia que hoje não seria pior do que tudo o que eu já tinha vivido."
Não o matou. E assim ele cresceu.
Três Dimensões
Martin Luther King Jr. é uma das referências de Mark.
Martin Luther King Jr. proferiu um sermão intitulado "As Três Dimensões de uma Vida Plena". Ele falou sobre comprimento — desenvolver seus poderes interiores, tornar-se plenamente você mesmo. Falou sobre amplitude — a conexão com os outros, o reconhecimento de que você não está sozinho. E falou sobre altura — a busca por algo maior, a fonte de significado.
King disse: A menos que você tenha os três, você será plano. Uma pessoa bidimensional. Você pode até ser impressionante, mas nunca fará a diferença.
Mark pensa nisso quando fala sobre vulnerabilidade.
"Se você quer encontrar pessoas vulneráveis", diz ele, "basta olhar ao seu redor. Todo ser humano é vulnerável. Todos nós precisamos de alguém que nos ame. Todos nós precisamos de algo para fazer. Todos nós precisamos de algo em que ter esperança."
Mark acredita que os vulneráveis já se cansaram do pensamento binário. Cansaram do certo e do errado, do preto e do branco, do nós e deles. O que lhes falta é alguém que os veja em três dimensões.
A Vanguarda
Uma criança morre de desnutrição a cada oito segundos — mais do que por AIDS, malária e tuberculose juntas. Mark descreve isso como um avião jumbo caindo a cada hora, sem que ninguém procure pelos destroços.
Mas o que chama a atenção nele não são as estatísticas. É a mudança de perspectiva.
"Nosso principal lema na Mana é: Você está prestes a ouvir uma boa notícia sobre a desnutrição. Quem diria que isso seria possível?"
Ele explica assim: Pegue seu celular. Deslize-o até a beirada da sua mesa. Se algo bater na mesa, a tela quebra.
Crianças nascidas no Sudão do Sul nascem nessa situação crítica. Um abismo nutricional. Corrupção, seca, estradas ruins — cinquenta razões pelas quais elas podem cair.
"Não podemos passar a vida construindo redes ao redor da periferia", diz Mark. "Temos que trazer essas crianças de volta para o centro."
Terra Sagrada
Mark traçou um fio condutor através das tradições de sabedoria — histórias de alimentação, de partilha do pão. Todas as culturas as têm. A refeição partilhada como algo sagrado.
"Acho que o maior problema em nossa cultura", diz ele, "é que as pessoas estão tão desnutridas — espiritualmente, em seus relacionamentos — que deixaram de sentir fome. E quando você deixa de sentir fome, você está morrendo."
Isso é verdade para crianças que definham. Também é verdade para casamentos, carreiras, almas. Aquelas que ainda têm fome — mesmo que estejam lutando — ainda estão vivas. Elas ainda podem ser alimentadas.
No ano passado, os americanos gastaram US$ 370 milhões em fantasias de Halloween para seus animais de estimação. E o orçamento global para alimentos terapêuticos que salvam vidas de crianças? Cerca de US$ 170 milhões.
"Ainda não chegamos nem à metade do caminho para fantasias de animais de estimação", diz Mark. Então admite: "Minha família também tem uma."
Dê de presente
Mana administra um programa chamado Calorie Cloud. As pessoas monitoram seus exercícios físicos através de seus celulares; as calorias queimadas se transformam em pacotes de alimentos terapêuticos.
Não perca peso — doe-o.
A metáfora funciona nos dois sentidos. Vivemos no que Mark chama de "um mundo cheio e faminto" — um lado morrendo por excesso de calorias, o outro por falta delas.
Sementes que Plantamos
Mark tem o cuidado de não retratar sua jornada como um triunfo.
"Salvar crianças famintas parece dramático. Mas foi frustrante. Difícil. Houve dias em que nos sentimos como se estivéssemos fracassando."
E ele continua pensando na igrejinha de Brian Stagner. Aquela que não existe mais. Aquela cujo trabalho continua vivo em pessoas que ela jamais verá.
"Não deixe que o drama da história de outra pessoa o desanime do que você está fazendo", diz ele. "Se for apenas uma criança hoje no almoço, isso já é enorme."
O convite
King também disse o seguinte: "A pergunta mais persistente e urgente da vida é: 'O que você está fazendo pelos outros?'"
Mark passou anos reformulando essa pergunta. Não " Você está perdido?" , mas "Você está com fome?".
Todo mundo está com fome de alguma coisa.
E talvez a resposta não seja um sermão, um programa ou uma política.
Talvez seja uma mesa. Uma refeição. A disposição de perguntar.
Em algum lugar, neste exato momento, alguém está tendo o melhor dia da sua vida.
Em algum lugar, um jovem está sendo visto por alguém que acredita nele.
Em algum lugar, alguém está atravessando o quarto portão — perguntando não apenas : É verdade? É necessário? É gentil? Mas será que me cabe fazer isso?
A mesa está posta.
O convite continua de pé.
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3 PAST RESPONSES
We live in what Mark calls "a stuffed and starved world"—one side dying from too many calories, the other from too few.
This is such an eye opener that I come across just a couple of days before I assume my new role as the disability incllusion specialist under the UNICEF global nutrition and child development center of excellence. Indeed, What am I doing for others is a questions I ask before taking my main meal of the day.