São pouco mais de 4h da manhã. Eu estava sonhando com Missoula, correndo ao redor do Monte Sentinel pouco antes do amanhecer. Vesti um moletom azul e comecei a recitar, enquanto dormia, o motivo pelo qual corro:
Corro para lembrar. Corro pela ordem. Corro porque temo a desordem. Corro porque as dobras da minha barriga dizem para correr. Corro porque os lobos correm. Corro em direção a algo. Corro para longe de algo. Corro para sentir, para sentir, para sentir. Corro porque é de graça, porque é igualitário, porque é subversivo, porque as pessoas me dizem que não deveria. Corro porque não há mensalidades nem taxas. Corro porque 4,5 bilhões de anos de evolução me observam e se perguntam se continuarei usando estas pernas. Corro para agradecer ao coração e aos pulmões. Corro para louvar a gravidade. Corro por aqueles que não podem. Corro para me sentir forte. Corro até ficar fraca.
Corro para ter uma vista, uma vista mais ampla. Corro para despertar o brilho dos gaviões-de-cauda-vermelha e da pega. Corro porque é difícil. Corro para ouvir. Corro para aprender meus limites. Corro para escapar. Corro para ir embora. Fujo da claustrofobia, do mundo condensado e artificial. Corro para encorajar outros a correrem. Corro para me conectar com aquele leito de rio, aquela coruja-orelhuda, aquele trono de granito no topo. Corro nas ruas na hora do rush porque ultrapassar carros a pé pode ser uma das melhores sensações do mundo. Corro para brincar. Corro para confiar em mim mesma, para saber que sou boa o suficiente. Corro para não ter que ficar olhando para o meu laptop e fazendo essas listas ridículas. Corro para pensar, para seguir, para merecer aquele burrito do café da manhã. Corro da raiva. Corro do compromisso. Corro para me comprometer.
Corro quando o mundo se torna triste demais, dividido demais, cheio de ódio demais para eu suportar, e o único antídoto é uma trilha estreita, a respiração e o grasnar de um corvo. Corro para hackear o digital. Corro para me sentir jovem. Corro em busca de estrutura. Corro sabendo que algumas corridas serão leves e rápidas, enquanto outras serão cansativas e exaustivas. Corro porque, se tudo mais falhar, se nossa máquina parar de funcionar e tudo o que nos restar forem nossas duas pernas, estarei pronto. Corro para honrar o que já foi perdido, enquanto os campos de petróleo secam, enquanto a ganância e a superpopulação esgotam ecossistema após ecossistema, todos dependentes do egoísmo humano. Corro porque, quando o velho mundo acabar, haverá um novo mundo à espera, e esse mundo não está gravado em minas a céu aberto e rodovias de oito faixas, mas em trilhas de animais e caminhos.
Corro em direção a este novo mundo, um mundo onde os humanos permanecem firmes e as paisagens fervilham de vida em movimento, sempre em movimento, correndo, voando, nadando e dançando. Corro para alcançar, para me juntar a este movimento, o movimento em direção à atenção, em direção à mente sutil, em direção ao coração pulsante, à queimação do ácido lático e aos dentes cerrados.
Corro para me lembrar.
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4 PAST RESPONSES
Great list! I run just for the run.
Running to me is the ultimate representation of freedom. I am free to run as fast and as far as I want. And the sense of peace I feel after a long run is such freedom of my troubled thoughts.
Thank you yor this exquisite poetry prose.
I run to feel. I run to not feel. I run because I still can. I run towards and away.