Trecho extraído de The Courage Way: Leading and Living with Integrity, do Center for Courage & Renewal e Shelly L. Francis (Berrett-Koehler, 2018).
Lutar. Fugir. Congelar. Agrupar-se. Mas para cada reação ao estresse, existe uma opção para nos tirar de nossos encurralamentos: fortalecer-nos . Assim como tomamos vitaminas e minerais essenciais, podemos nos fortalecer para os momentos difíceis. Quando fortalecidos, podemos escolher como responder em vez de simplesmente reagir, e nossas escolhas vêm de uma postura mais saudável e consciente de nós mesmos.
Fortaleza é outro termo para coragem. Quando Tomás de Aquino escreveu sobre bravura no século XIII, usou a palavra latina fortitudo e defendeu que a coragem era uma disposição necessária para todas as outras virtudes. Isso foi antes do uso comum da palavra francesa coeur ou do latim cor, que se traduz como "coração". Combine ambas e pense em "força de coração".
Quais são as maneiras pelas quais você se fortalece em todos os níveis, especialmente o seu coração? Meditação mindfulness, ouvir boa música, comer comida deliciosa, dançar ou correr, passar tempo na natureza, passar tempo com amigos? Qualquer coisa que você faça para recuperar sua força e serenidade, sua clareza sobre quem você é no fundo, é uma forma de fortalecimento. O autoconhecimento te fortalece para se manter firme em seus valores. Fazer um trabalho significativo que reflita quem você é te dá energia para superar momentos difíceis. A comunidade te fortalece com apoio gentil e o desafio compassivo de outras pessoas. Fortalecido(a), você encontra coragem para agir de acordo com os insights que adquiriu.
O que te inspira, te energiza, te enche de coragem? Onde no seu corpo você sente o impulso de fazer a coisa certa, não importa o quão difícil seja? Quando você sabe que precisa tentar, mesmo sem saber se vai conseguir? Como você acessa a coragem quando precisa? De alguma forma, você confia na sua intuição, reúne coragem, sabe no seu coração e sua mente concorda.
Cultivando a coragem no trabalho
Monica Worline é uma psicóloga organizacional que estudou coragem e compaixão no ambiente de trabalho. Ela examinou as maneiras pelas quais as pessoas vivenciam a coragem, ou a falta dela, ao se manifestarem ou permanecerem em silêncio. Sua pesquisa não se concentrou na grande coragem de denunciar irregularidades, mas na coragem cotidiana que permite às pessoas arriscar ser a pessoa que se levanta para dizer: "Eu sei que este plano de projeto não vai funcionar" ou "Parece que estamos concordando com algo em que nem todos acreditamos".
Worline pediu aos seus entrevistados que contassem uma história de coragem no ambiente de trabalho. Oitenta por cento das pessoas relataram ter visto alguém agir de uma forma que consideravam corajosa. Então, ela perguntou a essas pessoas sobre a coragem delas. Elas conseguiam entender como alguém poderia considerar suas ações corajosas, mas também explicavam como as viam: "Ah, isso foi fácil para mim porque tenho um bom relacionamento com meu chefe". Ou então, mencionavam a competência, dizendo: "Já fiz isso inúmeras vezes no meu emprego anterior, então sabia que era possível".
Não reconhecer ou valorizar nossa própria coragem não é simplesmente uma questão de humildade. Quando examinamos nosso próprio comportamento, temos acesso ao nosso mundo interior. Sabemos que o que parece arriscado do lado de fora não é necessariamente tão arriscado por dentro.
“Só porque você não considera essa ação que você realizou como algo extremamente corajoso, não significa que a coragem não exista”, disse Worline. “A coragem existe no espaço onde as pessoas veem outras como exemplos. Essa é uma tensão geradora. Ela não elimina o efeito dessa coragem no espaço social.”
A coragem reside nos espaços entre nós. Vale a pena repetir e imaginar isso. A coragem não está apenas em nossos corações: quando acontece e é testemunhada, torna-se parte do espaço entre nós. O poeta John O'Donohue fala sobre abençoar o espaço entre nós, sobre aquele momento em que a coragem se acende e aprendemos a nos sentir à vontade com o risco. A função de um líder — e qualquer pessoa que faça isso está liderando — é encorajar os outros, ajudá-los a reconhecer que têm mais capacidade do que imaginam.
Se a coragem não for testemunhada e interpretada como tal, ela tem valor? O papel da testemunha faz toda a diferença. Ter sua coragem testemunhada por outros reforça sua determinação para o futuro, o que é fortalecedor. Mas este pensamento de Mary Ann Radmacher também é verdadeiro: “A coragem nem sempre ruge. Às vezes, a coragem é a voz suave no final do dia dizendo: 'Tentarei novamente amanhã'”.
A coragem vem do seu verdadeiro eu.
Se a coragem é necessária para ser um líder, como você pode se tornar uma pessoa que realmente lidera? (É uma questão de poder e de agir.) O que existe dentro da pessoa que lidera, não apenas com bravura física, mas também com coragem moral, social e criativa?
Coragem é o que acontece quando você traz inspiração e integridade às suas decisões para agir. Coragem é a força vital que te impulsiona nos momentos de decisão e ação. Coragem é o que acontece quando sua alma se revela. A coragem não está apenas em você — ela é você. Nos seus momentos de coragem, você encontra o seu verdadeiro eu.
Ninguém nasce necessariamente com coragem, mas todos nascem com potencial para ela. Sem coragem, não podemos praticar nenhuma outra virtude com consistência. Não podemos ser bondosos, verdadeiros, misericordiosos, generosos ou honestos.
—Maya Angelou
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