Quando vendi minha empresa por mais de um bilhão de dólares, tirei uma foto do cheque. Liguei para o banqueiro. E não senti nada.
Pensei que aquele seria o meu momento de celebração particular — o ápice de vinte e cinco anos construindo negócios, falindo três vezes, recomeçando com um adiantamento de cinco mil dólares no cartão de crédito e uma teimosa recusa em aceitar ordens. Mas isso nunca aconteceu. A euforia simplesmente nunca chegou.
Em vez disso, uma tristeza se insinuou. Chorei todas as noites durante três semanas — provavelmente o período mais longo em que já chorei. Tinha medo do tédio, de perder a relevância, de vagar sem rumo. Eu havia perdido todo o sentido da vida. E naquela solidão absoluta, eu não conseguia nem articular o que estava acontecendo dentro de mim. Eu repetia que ninguém entendia. Mas a verdade era que eu mesma não entendia — então como alguém mais poderia entender?
A MAGPIE E O BRILHO
Para entender como cheguei a esse vazio, você precisa entender o medo que me levou até lá.
Quando você é imigrante, você tem medo. Eu me mudei do Quênia para a Inglaterra aos quinze anos e, em quarenta e oito horas, já estava batendo de porta em porta procurando emprego. Quando cheguei ao Canadá, a mesma coisa — quarenta e oito horas, perambulando pelas ruas. Havia sempre essa ansiedade financeira pairando no ar. Escolhi me tornar atuário porque era a profissão mais bem paga que consegui encontrar. Mas um emprego bem remunerado também traz medo — você está sempre com medo de ser demitido, de ter que se comportar. E eu não gostava de receber ordens.
Então me tornei empreendedor. E por anos, fui como uma pega atrás de brilho — seguindo o que reluzia, a euforia passageira, o negócio atraente. Toda vez que eu seguia o brilho, ele desmoronava. Fali três vezes antes de finalmente construir algo duradouro. O que mudou não foi sorte. Foi aprender a focar nos insumos em vez dos resultados — e a perceber os sinais de alerta de seguir brilho demais com muita frequência.
A empresa que fundei, a Kenexa, cresceu para mais de dois mil funcionários em vinte países. Tínhamos um princípio fundamental: nossa vocação é servir as pessoas. E um princípio mais incomum: você pode rir para resolver problemas. Porque acredito que a força mais poderosa do planeta seja provavelmente o riso. Não o riso maldoso. O riso interno, amoroso — o riso que cria uma onda que você não consegue ver, mas sempre sente.
TRÊS CAIXAS E MINHAS ROUPAS
Depois da venda, depois do choro, algo inesperado aconteceu. Minha filha sugeriu que eu me mudasse para a cidade. Em cinco dias, eu já tinha encontrado um apartamento. E então, num estranho lampejo de lucidez, comecei a me desfazer de tudo.
Vendi a Ferrari. A segunda casa. Em quatro semanas, me mudei com literalmente três caixas e minhas roupas. E o que ainda me impressiona é que eu já havia cruzado oceanos quatro vezes na vida sem pensar duas vezes, mas estava ansioso para me mudar 24 quilômetros com todos os meus pertences. Quanto mais coisas eu possuía, mais elas me possuíam. Eu simplesmente não conseguia enxergar isso.
Ao longo dos anos, acumulei cerca de cinquenta troféus e prêmios. Joguei todos fora. Cada um deles. Exceto um prêmio por minha trajetória profissional — esse eu guardei porque a pessoa que me patrocinou era uma querida amiga. Ele ocupou metade de uma caixa.
Três anos depois, eu disse: "Isso é estúpido", e joguei no lixo.
Então, minha universidade me ligou sobre um prêmio de ex-alunos. Eu disse que não o queria. Eles insistiram. Eu disse: derretam e façam o prêmio do ano que vem. Até hoje, me recuso a aceitá-lo. Porque sei que aquela parte do meu ego sussurraria: " Você é ótimo porque ganhou isso". Eu já passei por isso. É uma ladeira muito escorregadia.
Aceite o amor, sempre. Nunca a adulação. Essa distinção se tornou uma das mais importantes da minha vida.
O CALOR DE NÃO SABER
Em meio a todo esse desmoronamento, deparei-me com algo inesperado. O caminho para a alegria, para mim, resumiu-se a três palavras: Eu não sei.
Toda vez que digo "Não sei", sinto um calorzinho dentro de mim. Isso abre algo. Volto a ser criança — me diga, me mostre, eu sou curioso. Essa curiosidade leva ao aprendizado, e o aprendizado leva ao riso, e o riso leva à alegria. É o oposto do que nos ensinam. Passamos a vida tentando saber mais, buscando a resposta. Mas a certeza fecha o sistema. É na incerteza que reside tudo o que é interessante.
Antes eu me achava uma lenda. Depois percebi que era uma lenda na minha própria cabeça. Quanto mais velho fico, mais rápido essa constatação me atinge — mais rápido consigo enxergar o vazio do brilho pelo que ele realmente é.
O CAMPO E OS FILHOS DO TRAFICANTE DE DROGAS
Crescendo em Mombasa, o traficante de drogas do bairro era, em todos os sentidos que eu podia perceber, um pai maravilhoso. Como é possível? Como alguém pode ser um pai maravilhoso e traficar drogas? A gente sempre se depara com esses paradoxos na vida. E eles nos ensinam que nunca existe um "eu" simples — é sempre muito mais complexo do que isso.
Rumi escreveu sobre um campo que transcende o mundo do bem e do mal, do certo e do errado. Creio que a jornada — a verdadeira, por baixo de todas as empresas, do brilho e dos troféus — é a descoberta desse campo.
SENDO RETIDO
Quando eu tinha treze ou quatorze anos, crescendo no Quênia, meus colegas de classe me "mandavam para Coventry" — a turma inteira simplesmente parava de falar comigo. Você enfrenta uma solidão absoluta quando seu grupo de amigos se recusa a reconhecer sua existência. Aos quatorze anos, eu já havia decidido que nunca me casaria, nunca teria filhos. Fiz as pazes com isso.
Então, aos dezessete anos, Shirin se apaixonou por mim. Isso realmente abriu meu coração. E tem sido assim desde então — quase cinquenta anos já.
Quando as pessoas me perguntam sobre cair — cair no desconhecido, na dor, nos lugares onde o chão desaparece — eu não acho que a resposta seja encontrar o fundo. É ter consciência de que você está amparado.
Minha fé me ampara. Shirin e minha família me amparam. Meus amigos me amparam. Eu poderia falar sobre tudo o que quisesse, mas tudo se resume a isto: estou amparado.
Ser amado incondicionalmente é a dádiva incondicional. E quando você sabe disso, pode continuar explorando os limites, porque sempre há uma tábua de salvação.
Recentemente, alguém me perguntou qual era a minha percepção sobre a morte. Eu disse: é uma transição, a libertação de uma roupa que não me serve mais. Algumas semanas atrás, tive uma crise terrível de vertigem — achei que fosse morrer de verdade. E aceitei, e adormeci com um sorriso no rosto. Estou pronta. Agora, será que eu lidaria com a morte da Shirin ou com a morte dos meus filhos com a mesma serenidade? Não sei. Isso talvez seja um assunto completamente diferente. Mas não saber, mesmo sobre isso, é honesto. E a honestidade, aprendi, é uma forma de acolhimento.
BRINCADEIRA INTERIOR
Eu costumava chamar isso de trabalho interior — a oração, a meditação, a contemplação, a autoexploração. Algo que você faz todos os dias, talvez a cada hora. Mas uma amiga recentemente reformulou isso para mim como brincadeira interior , e algo se desbloqueia. Porque quando você está fazendo isso — realmente fazendo — você está dançando de alegria. Quando eu era mais jovem, eu levava o trabalho interior muito a sério. Ainda é difícil e ainda é intenso. Mas não é mais algo sério.
A alegria é a única moeda que você não pode depositar no banco. Você precisa conquistá-la todos os dias.
Se eu pudesse fazer três desejos para o mundo, eles seriam simples. Ria o dobro do que você ri agora. Brinque por pelo menos uma hora por dia — fomos criados para brincar. E seja qual for o seu caminho para a tranquilidade — contemplação, oração, meditação — descubra-o.
Se você fizer essas três coisas, o mundo será um lugar melhor. Ria. Brinque. Fique em silêncio. Se possível, faça o dobro de cada uma delas.
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