
“É uma época estranha para ser fotógrafo. Adoro ser fotojornalista. Mas não gosto que todo mundo com um iPhone ache que pode fotografar e postar qualquer coisa, a qualquer hora, em qualquer lugar”, diz Feldman. “Existem limites. É um dispositivo de gravação. Quando jovens me perguntam 'Como você conseguiu fotografar essas pessoas?', eu digo que é em parte confiança conquistada. Saber quando não fotografar é importante. Sensibilidade com uma câmera é essencial.”
“Talvez eu não tenha a conta bancária mais requintada, mas minha conta bancária espiritual está transbordando”, diz Jane Feldman sobre sua carreira como fotojornalista e escritora voltada para a justiça social. Seu trabalho para o Ministério da Paz e Justiça da Igreja Riverside de Nova York a levou a fotografar Nelson Mandela. Ela viajou com a Fundação Desmond Tutu para a Paz e conheceu o Dalai Lama.
Feldman chegou cedo no dia da visita de Mandela a Riverside, em 2005. “Um agente do Serviço Secreto me chamou de lado e disse: 'Você não vai usar flash, certo?'” Foi então que Feldman descobriu que a visão de Mandela estava prejudicada por anos quebrando rochas brancas e brilhantes na pedreira de calcário enquanto ele estava preso na Ilha Robben. O flash da câmera prejudicaria ainda mais sua visão. Quando Mandela chegou, ela ficou angustiada ao ver que ele parecia fisicamente muito frágil. Ela não queria criar imagens enganosas, diz ela, mas “eu simplesmente não conseguia retratá-lo como frágil. Para mim, ele é um leão.”
O momento mágico que os fotojornalistas aguardavam chegou quando Mandela assistia a uma apresentação do Coral de Meninos do Harlem. “Ele estava sentado sob o pódio onde o Dr. King fez seu discurso 'Além do Vietnã'. E quando os meninos entraram, ele se endireitou na cadeira, se animou e ficou radiante. Foi nesse momento que tirei aquela foto incrível pela qual sou muito grato. Ela capturou sua visão, sua força e seu amor.”
Conhecer o Arcebispo Desmond Tutu — ou "Arch", como é conhecido pelos amigos — tem sido uma experiência espiritual para Feldman. "Não sou uma pessoa particularmente religiosa, sou mais um buscador espiritual que observa todas as religiões. Uma coisa que aprecio da minha herança judaica é a lição da mesa da Páscoa judaica de que, se alguém é escravizado, ninguém é livre. Tantas pessoas estão atualmente escravizadas em tantos países, incluindo o nosso. Há muito trabalho a ser feito."
“Tutu sempre disse: 'Somos todos filhos de Deus'. Esse é o Tutu. Ele nos considera uma família.”
Essa mensagem ganha vida graças ao senso de humor de Tutu, diz Feldman. “Trabalhei com ele em Seattle, na conferência Seeds of Compassion, em 2008, quando tive a oportunidade de vê-lo com o Dalai Lama — eles são melhores amigos. Esses caras são muito sérios e fazem um trabalho incrível, mas nunca conheci duas pessoas mais engraçadas. Certa vez, o Arcebispo estava falando sobre Sua Santidade e se referiu a ele como 'um garoto travesso'. Eu disse: 'Arcebispo, sério? Sua Santidade o 14º Dalai Lama, o líder espiritual exilado do Tibete, é um garoto travesso?' Ele é tão espirituoso que simplesmente olhou para mim e disse: 'Ah, sim, Jane, você já conheceu alguém que ficou tanto tempo sem-teto e que tem um senso de humor tão apurado?' A verdade é que eles são garotos travessos juntos.”
Para Feldman, um dos pontos altos da conferência foi quando um adolescente perguntou a Tutu como funcionava sua amizade com o Dalai Lama, apesar das diferenças em suas religiões. Tutu respondeu: “Sim, nossas religiões são diferentes, mas nossa fé é a mesma. Acreditamos na bondade. E além disso, apenas usamos roupas diferentes.”

Tutu na Conferência Global de Cura em Bali, 2004. "Consigo ouvi-lo rir na foto com o leque", diz Feldman.

Tutu foi entrevistada para o The Shift, Bali, 2004.

Todas as fotos são de Jane Feldman.
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2 PAST RESPONSES
Thank you so much for this its a wonderful gift, many many blessings.
Murina
Beautiful story and photos.