Transformações de energia e matéria acontecem em todos os lugares, o tempo todo. Isso nós sabemos. Nossas células convertem açúcar em ATP para fornecer energia para todas as nossas ações, como amassar a massa para fazer roti.
Enquanto amasso a massa até formar uma bola lisa e maleável, penso comigo mesma: de onde está tirando toda essa energia? E percebo que é da ameixa que acabei de comer da árvore do meu vizinho.
A vizinha que se inscreve com entusiasmo para ir comigo às marchas de protesto, cuja filha, vencedora do Grammy, teve um colega de banda que dormiu em nossa casa porque precisava de uma cama, que tricota casaquinhos para cachorros em nosso grupo de artesanato do bairro e oferece suas ameixas a todos, inclusive a um garotinho que eu trouxe para colher ameixas porque ele nunca tinha visto uma ameixeira antes.
Mas, pensando bem, também vem do abacate do meu almoço. De uma árvore de um vizinho, que me foi oferecido por outra vizinha, para quem deixei alguns biscoitos caseiros porque me lembrei que ela gostava. Ela adora redistribuir os presentes frutados da vizinhança, tem um coração enorme, acolhe filhotes e adora mandar mensagens perguntando se alguém tem cebola ou qualquer outro ingrediente que ela precise. (E sempre aparece.)
O vizinho, cujas árvores produzem abacates lindos, carnudos e de casca fina, organiza nossa festa anual de Halloween no quarteirão e prepara pizzas caseiras para todas as crianças da vizinhança, enquanto todos compartilhamos a comida e rimos das nossas fantasias.
A energia irradia para mim dos sorrisos, abraços e conversas alegres com minha vizinha, que é realmente uma irmã de coração e que ensinou todas as crianças da nossa vizinhança a nadar, e alguns adultos também.
Eu a convenci a dar seu cheesecake caseiro para outra vizinha em vez de para mim, para que eu pudesse satisfazer minha vontade de doce. E a vizinha ficou encantada e surpresa, já que seu neto está visitando-a.
A energia me invade com um delicioso pêssego fresco. Daquela outra vizinha que recebeu sacos de pêssegos amadurecidos na árvore de seu amigo agricultor cambojano e insistiu para que levássemos alguns para casa depois de celebrarmos a chegada de seu filho e neto com uma festa de verão no quintal, nos fazendo lembrar de quando éramos jovens e o verão parecia não ter fim, envoltos no manto do sol, com suco de pêssego escorrendo e risadas.
Mas a energia das minhas "mãos amassando" é apenas uma das participantes na dança de fazer roti.
Também está nas mãos do agricultor que lavrou a terra, cuidou do trigo e daqueles elfos microbianos invisíveis sob o solo que o ajudaram a crescer.
São as mãos daqueles que moeram o trigo para fazer farinha, que a conduziram até as prateleiras do meu mercado, onde as mãos do caixa permitiram que a farinha entrasse na minha casa.
As mãos que derrubaram a árvore, que se transformou no rolo de madeira e na plataforma para abrir a massa, foram um presente das mãos da minha querida sogra.
O sopro das nuvens que se transformou na água que se misturou à farinha, e que abençoou as árvores frutíferas que me deram energia para amassar esta bola de massa macia, que me alimentará esta noite e manterá o ciclo em movimento.
Assim como a luz do sol que nutriu a todos nesta teia de vida interconectada, e a generosidade que se manifesta em uma vizinhança, um ato de bondade de cada vez.
E eu saboreei toda essa magia no meu roti esta noite.
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