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Jason Sowell: Pare De Tentar Mudar O Mundo

Há cinco anos, passei um tempo em uma lavanderia automática pela primeira vez na minha vida. Tive muita sorte de não ter crescido precisando usar uma lavanderia automática. Tínhamos uma máquina de lavar e uma secadora à disposição em casa e nunca senti essa necessidade. Mas o motivo de eu ter passado um tempo naquela lavanderia específica, cinco anos atrás, foi porque eu não estava lá para lavar minhas próprias roupas, mas sim as roupas de outras pessoas, e naquele momento percebi que aprendi muitas lições. Percebi o que a lavagem de roupa significa para as pessoas.

Entrei numa lavanderia com um grupo de voluntários simplesmente para pagar a lavagem de roupa das pessoas, colocar moedas nas máquinas, levar sabão para elas usarem e, embora tenhamos feito isso de forma bem desastrosa — não sei se você já tentou algo parecido —, interromper o dia de alguém dessa maneira gera reações muito interessantes. Ouvimos muito: "O que vocês estão vendendo? O que querem de mim? Por que tem um grupo de pessoas que eu nunca vi na minha vizinhança na minha lavanderia tentando pagar a minha roupa?". Aprendi muitas lições nesse período e, nos cinco anos desde que comecei essa jornada, vi muitas coisas que nunca tinha visto antes.

Uma das coisas que eu nunca tinha visto antes eram famílias empurrando carrinhos de supermercado com suas roupas lavadas pelas ruas do bairro. Eu trabalhava no Kmart quando era criança e sempre me perguntava por que as pessoas roubavam carrinhos de supermercado. Descobri, há cinco anos, que as pessoas os usam para transportar roupas lavadas. Também vi mais cobertores e roupas sujas em uma única família do que jamais tinha visto, mais roupa suja do que eu imaginava ser possível para uma família ter. Ao mesmo tempo em que via essas coisas, comecei a perceber que algumas pessoas não têm a mesma sorte que eu de lavar roupa com tanta frequência, por causa do custo, do trabalho, do tempo, do esforço e de tudo o que envolve caminhar pela rua empurrando um carrinho de supermercado com roupa lavada até uma lavanderia e depois passar horas lá lavando essas roupas. Não só vi coisas assim, como também ouvi muitas coisas que nunca tinha ouvido antes. Ouvi histórias de crianças que tinham vergonha de ir à escola porque não tinham roupas limpas para vestir e todas as outras consequências de ir à escola com roupas sujas, a batalha que era travada entre elas e suas famílias, seus pais, simplesmente para que elas fossem à escola por causa dessa vergonha.

Ouvi histórias de pais que lutavam com a simples dignidade de saber que tinham uma camisa e uma calça limpas para usar em uma entrevista de emprego, e com toda a autoconfiança que lhes faltava ao irem para essa entrevista com roupas sujas. Ouvi e vi muitas coisas, e nesses momentos pensei comigo mesmo: como é possível que nos Estados Unidos da América, o país que consideramos o mais rico do mundo, em uma cultura onde falamos em mudar o mundo e fazemos tantas coisas para mudá-lo, algo tão simples como ter roupa limpa seja uma luta para tantas pessoas? Como isso acontece? Isso não pode acontecer no nosso mundo, mas percebi que é muito verdade, e é uma realidade muito presente para muitas pessoas.

Ao mesmo tempo em que eu via e ouvia essas coisas um tanto deprimentes dessas famílias, dessas crianças, eu também comecei a fazer esse tipo de coisa que causava tumulto nessas lavanderias. Entrando sem placas, sem nenhum aviso prévio, simplesmente aparecendo e tentando pagar a roupa das pessoas. E as pessoas começaram a perceber que éramos legítimos, que não estávamos lá para nos aproveitar de ninguém, que estávamos apenas tentando fazer algo para demonstrar um pouco de carinho.

Comecei também a ouvir e ver outras coisas. Comecei a ver crianças encontrando uma comunidade em uma lavanderia automática, de todos os lugares, começando a sorrir e a entender o verdadeiro significado de comunidade a partir de um grupo aleatório de estranhos. Famílias que sorriam porque sabiam que, pelo menos por um tempo, pelo menos por uma semana, poderiam dar aos seus filhos roupas limpas para ir à escola. Elas podiam sorrir porque o dinheiro que gastariam e que juntaram às pressas para gastar naquela lavanderia, agora podiam usar em comida melhor ou em algo que precisassem para a família. E, muito interessante, ouvi uma declaração muito simples, porém profunda, em uma das primeiras vezes que fizemos isso em uma lavanderia automática, quando uma senhora chegou e deixou seu filho adulto. Tentamos explicar a ela por que estávamos lá e ela nos olhou com muito ceticismo, querendo saber qual era a pegadinha. Expliquei a ela que não estávamos lá por nada além de ajudá-la a pagar pela lavagem de roupa. Quando ela entendeu, disse: "Existem pessoas realmente boas no mundo." E é uma afirmação simples, mas quando ela a disse, me impactou profundamente porque, naquele momento, algo tão simples como reconhecer que realmente existem pessoas boas no mundo, que a sua visão e a sua compreensão do mundo ao seu redor, do mundo em que você vive e de tudo com que você convive, foi preciso algo tão simples como pagar por algumas lavagens de roupa sem nenhum compromisso para que você percebesse que realmente existem pessoas boas no mundo.

Então, conforme continuávamos fazendo isso, a ideia começou a se espalhar. Aprendemos algumas coisas e começamos a colocar placas que diziam quem éramos e por que estávamos lá, em vez de simplesmente abordar as pessoas de surpresa e empurrá-las para fora do caminho enquanto colocavam moedas nas máquinas. Essa ideia começou a se espalhar pela região da Baía de Tampa e pelo estado da Flórida, e também para outros lugares. Um desses lugares foi Ohio, onde agora temos um grupo de pessoas fazendo esse tipo de coisa na cidade de Canton.

E a primeira vez que fui a Canton, Ohio, conheci um homem chamado Dale, e este é ele. Dale tem uma história interessante, e a história que ouvi dele me ensinou o poder de um simples ato de bondade. Quando Dale chegou ao Projeto Lavanderia pela primeira vez, ele não sabia que havia algo acontecendo naquela lavanderia. Ele estava sem-teto na época, estava desempregado e tinha juntado um pouco de dinheiro. Ele estava levando um amigo, também sem-teto, para a lavanderia para ajudar a pagar a roupa dele. Então, eles estavam caminhando pela rua quando chegaram à lavanderia e foram recebidos por alguns voluntários que estavam lá para ajudar. Eles explicaram como funcionava o projeto: o dia de lavar roupa era gratuito. "É por nossa conta. Vocês lavam suas roupas e nós pagamos." E naquele momento, Dale disse: "Nossa! Eu ia trazer meu amigo para fazer isso, mas agora podemos dividir esse dinheiro, comprar comida e tudo mais." E assim, no pouco tempo que ele esteve lá, os voluntários conversaram com ele, ouviram sua história e se encontraram com ele. Isso foi há alguns anos. Aquele primeiro projeto em que ele participou não foi o último. Todos os meses em que havia um projeto, Dale estava lá. Mas, em cerca de três meses, Dale não estava mais lá apenas para lavar roupa. Nesse período, Dale conseguiu um emprego, um lugar para morar e, além disso, quando voltava à lavanderia, ele mesmo trazia rolos de moedas de 25 centavos e se oferecia para ajudar outras pessoas que apareciam a lavar roupa.

Durante dois anos, Dale fez isso e continua fazendo, e através da história dele, percebi a capacidade simples, porém profunda, de mudar a vida de alguém e ajudar a mudar a vida de alguém com algo tão pequeno e simples como ajudá-lo com a roupa suja.

Algumas pessoas diriam: "Mas é só roupa suja. É só uma coisinha, não é nada demais." Mas acho que é justamente nesse tipo de afirmação que reside o perigo de "mudarmos o mundo", porque é justamente nas pequenas coisas que a transformação acontece nas vidas e nas comunidades. E o perigo é que ignoramos essas coisas simples. "Bem, é só isso, é só uma coisinha." E quando dizemos isso, perdemos a profundidade daquele pequeno ato de bondade, porque se pensarmos nisso como roupa suja, é só roupa suja. Mas com roupa limpa, muito mais acontece. A dignidade se encontra no simples ato de ter uma camisa limpa para vestir; isso faz toda a diferença para uma criança que vai para a escola, em termos de autoconfiança. Como podemos esperar que uma criança, quando tem medo de ser alvo de bullying por estar com roupa suja, acredite que um dia, quando crescer, poderá ser o que quiser, se se dedicar a isso? Como você espera que ele vá à escola e se concentre nas coisas educacionais que precisa aprender para realizar seus sonhos?

Algo tão simples como ajudar uma criança a ter uma camisa e uma calça limpas pode mudar a vida dela. Algo tão simples como um pai ou uma mãe ter uma camisa limpa para ir a uma entrevista de emprego pode mudar completamente o rumo da vida de uma família. Algo tão simples como ter um cobertor limpo para dormir à noite pode impactar positivamente o estado mental de alguém, sabendo que, ao chegar em casa e se deitar, vai dormir em um cobertor limpo e fresco. Quanta paz isso traz, quanto mais descanso essa pessoa consegue ter. São essas coisas simples que mudam o mundo, e nessas coisas simples, como colocar moedas em uma máquina de lavar roupa, um rolo de moedas para pagar a lavagem de alguém, algo tão simples quanto isso pode trazer muita esperança para as comunidades.

Então, em tudo isso e nesses poucos anos em que tenho feito isso, aprendi uma verdade muito simples, uma conclusão simples a que cheguei: devemos parar de tentar mudar o mundo, porque o mundo e todos os seus problemas são grandes demais para que qualquer um de nós consiga mudar sozinho. Quando nos concentramos em mudar o mundo, muitas vezes deixamos de perceber as coisas simples que realmente o transformam. Ignoramos coisas como lavar roupa. Ignoramos coisas como dizer obrigado. Ignoramos todas as coisas simples que nos parecem insignificantes e, por causa disso, ficamos sobrecarregados com a quantidade de coisas que o mundo precisa mudar.

Acho que devemos aprender uma lição e seguir o exemplo de uma mulher chamada Somali. Alguns de vocês talvez a conheçam como uma heroína na luta contra o tráfico humano. Ela própria foi vítima de tráfico quando criança e conseguiu escapar. Hoje, ela trabalha para resgatar meninas vítimas do tráfico sexual. E foi isso que ela disse: "Não sinto que posso mudar o mundo. Nem tento. Só quero mudar a pequena vida que vejo diante de mim, que está sofrendo." Acho que ela está certa. Precisamos parar de tentar mudar o mundo e focar nas pequenas coisas simples que estão à nossa frente e que podemos fazer. O sofrimento que acontece diante de nós, a vida que está bem na nossa frente, em uma lavanderia, lutando para conseguir roupas limpas, a vida que passa diante de nós todos os dias, que ignoramos e simplesmente não reconhecemos porque estamos distraídos demais com outras coisas. Pare de tentar mudar o mundo e mude a pequena coisa à sua frente que você pode controlar e que você pode mudar naquele momento. Obrigada.

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COMMUNITY REFLECTIONS

3 PAST RESPONSES

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Kati Sep 12, 2018

Absolutely wonderful. The very act of doing laundry is sort of a sacred act and an act of community--think of all the women over the millennium who have gone to the river to clean their clothes and socialize. Wonderful, wonderful project! Thanks for doing such a lovely act of kindness.

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Jena Marie Sep 12, 2018

I very much enjoyed reading your article, you are an inspiration to us all!! May you be so blessed on all your up coming endeavor's . God Bless!!

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Kristin Pedemonti Sep 12, 2018
So much yes! Thank you Jason. It is about the seemingly simple things, they have a ripple effect so much deeper than we realize. This is why for 10 years I've carried a Free Hugs sign and use it as a gateway to connection, conversation, to seeing and hearing those who often feel invisible or unloved. A homeless woman sitting on the streets of NYC with her shopping cart whispered to me as we hugged, "thank you, I ain't been touched in 20 years." That changes you. Jeremy used to see us offering Free Hugs in Union Square he asked if hugged people "like him" I didnt understand until he stepped closer and said "homeless." My response , the truth, "I hug everyone who wants one." That moment with Jeremy lm ed to Jeremy asking if he could share hugs. I gave him pen and paper, he made his own sign. He joined us and hugged the other homeless people in the park. He also joined every Saturday for months. A while later he told me he wasn't homeless anymore. We've no idea how a small act of kindnes... [View Full Comment]