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Vivendo Com Perguntas

O Reverendo Cônego Charles P. Gibbs é um sacerdote episcopal e poeta que atuou por dezessete anos como diretor executivo fundador da United Religions Initiative, trabalhando com líderes religiosos e espirituais em seis continentes. Nos últimos treze anos, ele atuou como Sócio Sênior e Poeta Residente na Catalyst for Peace. O que se segue é uma reflexão sincera sobre como viver diante das questões indefiníveis da vida, que surgiu em uma conversa inesperada.

Aqui não fazemos perguntas desse tipo.

Cresci na igreja, e ela era a coisa mais importante da minha vida. Essa sensação de conexão profunda e íntima com o divino — que, na Igreja Episcopal, vinha através de Jesus — era simplesmente irresistível, inspiradora.

E então, uma série diferente de perguntas surgiu. Perguntas para as quais eu não encontrei espaço para responder ali.

Tenho uma lembrança muito nítida de quando estava no segundo ano do ensino médio, sentada na aula da Escola Dominical. Quando todos foram liberados para ir ao culto, um senhor querido e gentil me pediu para ficar um pouco mais para trás. Ele provavelmente era mais jovem do que eu sou agora, o que é uma experiência um tanto perturbadora.

Não sei exatamente o que ele disse. Mas a mensagem que recebi foi: Charles, não fazemos perguntas desse tipo aqui.

Para mim, aquilo foi como fechar uma porta. Porque eu vivia com dúvidas. E percebi que podia fazer qualquer pergunta que quisesse na escola — mas ali não podia. Então parei de ir à igreja. Eu tinha dezessete anos, e isso surpreendeu a todos, a começar pela minha mãe, que era uma pessoa incrivelmente devota e dedicada ao serviço.

No dia em que me formei no ensino médio — 1969, só para situar historicamente — parei de fazer a barba e de cortar o cabelo, e não voltei a fazer nenhuma das duas coisas por vários anos.

Provavelmente eu era completamente insuportável, daquele jeito que a gente pode ser no final da adolescência e início dos vinte anos, quando acha que sabe absolutamente tudo, menos o quão difícil a vida pode ser de verdade. Algumas pessoas aprendem isso cedo. Eu não. Às vezes o dinheiro era curto, mas eu tinha uma mãe amorosa e pessoas que se importavam comigo. Eu não sofri o tipo de trauma ou abuso que tantas pessoas sofrem. Preciso mencionar isso, porque falo de um lugar de relativa proteção, e sei que essa não é a realidade para muitas pessoas.

Consagrado para Pedir

Será que vim ao mundo assim — movido por essas perguntas? Acho que sim, e cheguei a entender isso por meio de uma passagem do profeta Jeremias, onde ele ouve a voz do divino falando com ele. É mais ou menos assim:

Antes mesmo de te formar no ventre de tua mãe, eu já te conhecia. E te consagrei.

No caso de Jeremias, ele foi consagrado para ser profeta às nações. Mas acredito que cada um de nós é conhecido e consagrado de forma semelhante. Aquilo para o qual somos consagrados é único para cada um de nós — e mesmo quando o título da função é o mesmo de outra pessoa, a maneira como vivemos de acordo com esse título é exclusivamente nossa.

Acho que fui consagrado a fazer perguntas.

Então, quando a igreja não me pareceu o lugar certo, me dediquei às artes. Fiz faculdade de teatro, depois voltei e fiz mestrado em escrita criativa (ficção e poesia). Tudo isso com a mesma motivação: tentar compreender mais profundamente a verdade sobre a vida.

Um olhar que se aquieta

Há um poema que carrego comigo há mais de meio século — " Linhas Escritas a Poucos Quilômetros Acima da Abadia de Tintern", de Wordsworth. O poeta retorna a um belo lugar natural após cinco anos de ausência e percebe que, embora não estivesse fisicamente presente, as bênçãos que o local lhe proporcionou o acompanharam. Em momentos de cansaço, ele diz, sentiu sensações doces.

Rezo para que cada um de nós tenha algo assim — algo em que possamos pensar, lembrar, tocar, que nos tire da dificuldade do momento.

Em seguida, ele tenta descrever o espaço interior que aquele lugar criou nele:

Esse estado de espírito sereno e abençoado... no qual os afetos nos conduzem suavemente, até que a respiração deste corpo físico e até mesmo o movimento do nosso sangue humano quase se suspendam, adormecemos no corpo e nos tornamos uma alma vivente: enquanto, com um olhar sereno pela força da harmonia e pelo profundo poder da alegria, vislumbramos a essência das coisas.

Para mim, essa é talvez a expressão mais bela de um estado místico que já encontrei. Quando deixamos tudo o mais desaparecer, nos encontramos — ali.

Digo isso como se deixar tudo para lá fosse a coisa mais fácil do mundo. Não é. No momento em que você começa, já começam a surgir os problemas: ah, esqueci de fazer isso, e aquilo? Somos como um aeroporto com poucos controladores de tráfego aéreo e muitos aviões tentando pousar.

Mas se tivermos a sorte, em algum momento, de nos encontrarmos nesse espaço — que é, em última análise, um espaço que transcende as palavras, que vai além do pensamento convencional — é onde reside a unidade suprema. E ali não há espaço para perguntas.

O que você vê ali?

Mesmo depois de parar de frequentar a igreja, mantive contato com o padre com quem cresci, que em quase todos os aspectos foi mais pai para mim do que meu próprio pai, que esteve praticamente ausente. Ele tinha uma paciência quase infinita comigo.

Então, um dia — acho que ele simplesmente se cansou um pouco de ser paciente — ele disse:

Algum dia você precisará parar de lutar com todas essas perguntas que carrega consigo. E se perguntar: se você olhar profundamente para o âmago de tudo o que existe, o que você verá lá? Quando puder responder a essa pergunta, construa sua vida a partir dela.

Levei cerca de cinco minutos no caminho para casa para saber a resposta. Por mais improvável que pareça, considerando o estado do mundo ou a forma como as pessoas são tratadas, não havia dúvida em minha mente sobre o que está no cerne de tudo.

Amor.

Acredito que fomos feitos de amor e por amor. E tudo o que se pede de nós é que irradiemos esse amor para o mundo.

Os físicos nos dizem que tudo é energia. Parte dela informe, parte formada — nós somos energia formada, e ao nosso redor existe a energia informe, um campo de energia que é tudo o que existe. Acredito que esse campo seja um campo de amor. Há amor em toda parte.

Então, quando me perguntam qual é o sentido da vida — minha pergunta padrão, aquela que normalmente faria a vocês — a resposta mais profunda que tenho é que, em última análise, ela provém dessa unidade. E nessa unidade não há distinção. Não existem religiões diferentes. Não existem diferenças em nada. É uma só coisa.

E acredito que uma delas é o amor, na concepção mais profunda, mais ampla e mais abrangente que qualquer um de nós possa ter do que é o amor.

Convidando-o para casa

Independentemente do que você esteja sentindo agora — que está parado do lado de fora de uma porta que ainda não se abriu, que está perdido ou que está em casa — espero que você possa sentir um pouco mais desse amor dentro de si. E espero que você saiba disto:

Podemos ir ao encontro da nossa parte desamparada e convidá-la para casa. O lar não precisa ser perfeito para ser um lar. E nós não precisamos ser perfeitos para nos sentirmos em casa.

Um brinde à jornada que segue, rumo a um amor, compaixão e serviço cada vez mais profundos.

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COMMUNITY REFLECTIONS

12 PAST RESPONSES

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Susan Clark Aug 25, 2026
Charles - the first pod I volunteered with included you facilitating a circle of sharing that vibrated at a frequency that was like a heavenly chord for all my sense strings. I fell in love with all of it! A quick backstory: I took classes in middle school to be confirmed in the Episcopal Church. Alas, nothing in that experience awakened the Love that dances inside and through me every day now. I walked into and alongside other faith communities and it was usually the act of singing in the choir that sent me on an early path to receiving and amplifying universal, timeless Love vibrations. Yet, the pull to live from/with larger and larger realms of Living-Loving comes from outgrowing questions and encountering newer larger ones, just the same way a hermit crab keeps growing into larger homes. Yes! and Thank You! to the generative questions.
Reply 1 reply: Charles
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Charles Gibbs Aug 25, 2026
Thank you, dear Susan, for your kind words and for letting your Love Light shine to brightly.
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Jeff Aug 22, 2026
I will take all this with me today and every day. It is a new start based on an ageless truth. Thank you.
Reply 1 reply: Charles
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Charles Gibbs Aug 25, 2026
Thanks, Jeff. Here's to the light and love we share.
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Ruth Pittard Aug 22, 2026
When I was in confirmation class at 12 years old, I knew I was looking for answers but not even sure of the questions, so I asked hundreds of them from every nook and cranny of my forming soul. At one point, my frustrated minister said, " if you ask one more question, you will not be confirmed!" And he meant it. So I began looking for confirming answers everywhere instead of just church. My life has been crammed full of continuing questions, but that 12 year old clearly understood already that the answer to all my questions was LOVE. I had known that encompassing LOVE, soul LOVE, as soul certainty since I was three years old. I just had to figure out what the journey to the LOVE answer entailed. That journey has been where the questions live. HOW does love move from its all-encompassing answer to execution as I move through the emerging moments of my life? At 80 years old, I am still living the questions in journey after journey, but more and more certain about LOVE which I wear... [View Full Comment]
Reply 1 reply: Charles
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Charles Gibbs Aug 25, 2026
"That journey has been where the questions live. HOW does love move from its all-encompassing answer to execution as I move through the emerging moments of my life? At 80 years old, I am still living the questions in journey after journey, but more and more certain about LOVE which I wear as clothing and eat as nourishment." Beautiful! Thank you, Ruth.
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Barbara Schwartzbach Aug 22, 2026
Love your story m, the calling you were drawn into. Your voice cares about humanity.
Thank you ❤️🙏❤️
Reply 1 reply: Charles
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Charles Gibbs Aug 25, 2026
Thank you, Barbara. You also speak with a voice that cares about humanity.
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Betsy H Aug 22, 2026
This is one of the most beautiful and meaningful thing that I have ever read. Tears came to y eyes as I this. Thank you for reminding me that Love is all.
Reply 1 reply: Charles
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Charles Gibbs Aug 25, 2026
Thank you, Betsy. Rainy eyes are a gift from and of Love.
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Michaele (Mish) Aug 22, 2026
This is one of the most beautiful reads….filled my heart to the brim with LOVE 💖

Dear Charles ❤️
Reply 1 reply: Charles
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Charles Gibbs Aug 25, 2026
Thank you, Mish. May we all find ourselves filled to overflowing with Love.