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Não Tenha Tanta certeza.

A maioria das pessoas que conheço deseja desenvolver relacionamentos mais harmoniosos e satisfatórios. Mas talvez não percebamos que isso só pode ser alcançado ao nos unirmos a dois novos e estranhos aliados: a incerteza e a confusão.

A maioria de nós não foi treinada para gostar de confusão ou para admitir quando nos sentimos hesitantes e inseguros. Em nossas escolas e organizações, valorizamos a demonstração de segurança e confiança. As pessoas são recompensadas por expressar opiniões como se fossem fatos. Respostas rápidas são comuns; perguntas ponderadas desapareceram. A confusão ainda não se consolidou como um valor ou comportamento superior que as organizações recompensem com entusiasmo.

À medida que a vida se acelera (aumentando nossa confusão), não temos tempo para incertezas. Não temos tempo para ouvir quem expressa uma posição nova ou diferente. Em reuniões e na mídia, muitas vezes ouvimos os outros apenas o suficiente para determinar se concordamos com eles. Corremos de opinião em opinião, buscando aqueles fragmentos e declarações que confirmem nossa posição. Gradualmente, nos tornamos mais convictos, porém menos informados e muito menos ponderados.

Não podemos continuar neste caminho se quisermos agir com mais inteligência, se quisermos encontrar abordagens e soluções para os problemas que nos afligem. Já não vivemos naqueles dias doces e tranquilos em que a vida parecia previsível, em que realmente sabíamos o que fazer a seguir. Neste mundo cada vez mais complexo, é impossível percebermos por nós mesmos a maior parte do que se passa. A única maneira de compreender melhor essa complexidade é pedir a opinião e as experiências de muitas outras pessoas. Contudo, se nos abrirmos às suas diferentes perspetivas, deparamo-nos com o espaço desconfortável da incerteza.

É muito difícil abrir mão da certeza: essas posições, crenças e explicações nos definem e estão no cerne da nossa identidade pessoal. A certeza é a nossa lente para interpretar o que está acontecendo e, enquanto nossas explicações funcionam, sentimos uma sensação de estabilidade e segurança. Mas, em um mundo em constante mudança, a certeza não nos dá estabilidade; na verdade, ela cria mais caos. Ao permanecermos presos à nossa posição e nos recusarmos a nos adaptar, as coisas que esperávamos que permanecessem juntas se desfazem. É um paradoxo tradicional expresso em muitas tradições espirituais: ao nos apegarmos, destruímos o que esperamos preservar; ao deixarmos ir, nos sentimos seguros ao aceitar o que é.

Acredito que este mundo em constante transformação exige menos certezas e muito mais curiosidade. Não estou sugerindo que abandonemos nossas crenças por completo, apenas que nos tornemos curiosos sobre o que o outro acredita. Ao nos abrirmos para as diferenças perturbadoras, às vezes descobrimos que a maneira como outra pessoa interpreta o mundo é, na verdade, essencial para a nossa sobrevivência.

Para mim, o primeiro passo para cultivar a curiosidade é admitir que não estou conseguindo resolver as coisas sozinho. Se minhas soluções não funcionam tão bem quanto eu gostaria, se minhas explicações para o que está acontecendo parecem insuficientes, considero isso um sinal de que é hora de começar a perguntar aos outros o que eles pensam. Tento ir além das conversas superficiais em que finjo concordar com alguém, em vez de investigar seriamente a perspectiva dessa pessoa. Tento me tornar um ouvinte consciente, atento às diferenças.

Existem muitas maneiras de sentar e ouvir as diferenças. Ultimamente, tenho me concentrado no que me surpreende. O que acabei de ouvir que me deixou perplexo? Não é fácil — estou acostumado a ficar sentado balançando a cabeça enquanto alguém expressa opiniões com as quais concordo. Mas quando percebo o que me surpreende, consigo enxergar meus próprios pontos de vista com mais clareza, inclusive minhas suposições.

Perceber o que me surpreende e me perturba tem sido uma maneira útil de enxergar crenças invisíveis. Se o que você diz me surpreende, é porque eu devia estar assumindo que algo diferente era verdade. Se o que você diz me perturba, é porque eu devia acreditar em algo contrário. Meu choque com a sua posição expõe a minha própria posição. Quando me pego dizendo: "Como alguém pode acreditar em algo assim?", uma luz se acende para que eu examine minhas próprias crenças. Esses momentos são grandes dádivas. Se eu consigo enxergar minhas crenças e suposições, posso decidir se ainda as valorizo.

Se você estiver disposto a se sentir incomodado e confuso, recomendo que inicie uma conversa com alguém que pense diferente de você. Preste atenção ao que é diferente, ao que te surpreende. Tente silenciar a voz do julgamento ou da opinião e simplesmente ouça. Ao final, observe se aprendeu algo novo. Observe se desenvolveu um relacionamento melhor com a pessoa com quem conversou. Se você experimentar isso com várias pessoas, poderá se surpreender ao perceber quantas maneiras únicas existem de ser humano.

Temos a oportunidade, várias vezes ao dia, de sermos aqueles que escutam os outros, aqueles que são curiosos em vez de categóricos. O maior benefício para quem escuta é o desenvolvimento de relações mais próximas com aqueles que pensávamos não conseguir compreender. Quando escutamos com menos julgamento, sempre desenvolvemos melhores relações uns com os outros. Não são as diferenças que nos dividem, mas sim os nossos julgamentos. A curiosidade e a boa escuta nos reaproximam.

Não podemos ser criativos se nos recusarmos a ficar confusos. A mudança sempre começa com a confusão; interpretações queridas precisam se dissolver para dar lugar ao novo. Claro, é assustador abandonar o que conhecemos, mas é no abismo que reside a novidade. Se superarmos o medo e entrarmos no abismo, redescobrimos nossa criatividade.

À medida que o mundo se torna mais complexo e difícil, acredito que a maioria de nós não quer continuar lutando sozinho. Não sei o que fazer a partir da minha perspectiva limitada. Sei que preciso entender melhor o que está acontecendo. Quero sentar com você e conversar sobre todas as coisas assustadoras e esperançosas que observo, e ouvir o que te assusta e o que te dá esperança. Preciso de novas ideias e soluções para os problemas que me importam, e sei que preciso conversar com você para descobri-las. Preciso aprender a valorizar sua perspectiva e quero que você valorize a minha. Espero ficar perturbado, até mesmo chocado, com o que ouvir de você. Espero me sentir confuso e deslocado — meu mundo não me parecerá tão estável ou familiar depois que conversarmos.

Ao explorar a parceria em meio à confusão e à incerteza, estou aprendendo que não precisamos concordar uns com os outros para pensarmos bem juntos. Não precisamos estar unidos pela mente. Já estamos unidos pelos nossos corações humanos.

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COMMUNITY REFLECTIONS

1 PAST RESPONSES

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Kristin Pedemonti May 20, 2014

yes, yes, a thousand times YES! I love that you shared the perspective of learning by listening in conversation with people how have differing ideas; it is HUGELY helpful and expands our own views. When we truly listen to others, we also realize how similar we are. The interaction often bring us together further rather than separating us. And it's ok to be Confused. Here's to accepting confusion. :)
PS this was perfect timing I just presented a talk: The Art of Active & Empathetic Listening. :)