O segredo para ser feliz no trabalho não está necessariamente em ganhar mais dinheiro.
Todos nós passamos grande parte da nossa vida no trabalho. No entanto, quantos de nós estamos entediados ou frustrados no trabalho, seja por insatisfação com os objetivos da empresa, estresse por excesso de trabalho ou por lidar com colegas tóxicos? Não merecemos algo melhor?
O novo livro "Como Ser Feliz no Trabalho" defende que sim, podemos ser felizes no trabalho, e que a felicidade no trabalho deve ser nosso objetivo final. Escrito por Annie McKee — consultora de negócios internacionais e pesquisadora sênior da Escola de Educação da Universidade da Pensilvânia — o livro oferece ideias sobre como transformar seu trabalho em uma fonte de felicidade, independentemente de onde você esteja trabalhando.
Segundo McKee, parte do nosso problema coletivo é que muitos de nós caímos na armadilha de acreditar que "trabalho é trabalho" e não deve ser uma fonte de felicidade, ou que as metas profissionais serão prejudicadas se nos concentrarmos no que nos faz felizes. Mas as pesquisas sugerem o contrário: funcionários mais felizes são mais produtivos, beneficiando suas empresas tanto quanto a si mesmos.
O segredo para ser um trabalhador mais feliz, no entanto, não está necessariamente em ganhar mais dinheiro ou receber mais "benefícios" no trabalho, diz McKee, mas em garantir que três necessidades humanas básicas sejam atendidas no ambiente profissional:
- Significado ou propósito: a sensação de que nosso trabalho importa e está alinhado com nossos valores pessoais;
- Esperança ou otimismo: a sensação de que nosso futuro pode melhorar se entendermos melhor nossas necessidades e criarmos um plano para nós mesmos;
- Amizades ou relacionamentos positivos: conexão com outras pessoas, que é tão importante para a nossa felicidade quanto outros aspectos do nosso trabalho.
Como propósito, otimismo e relacionamentos positivos estão sempre ligados à felicidade (e, muitas vezes, também à saúde), faz sentido buscá-los em nossas vidas profissionais. Claro, McKee reconhece que esses elementos não substituem uma boa remuneração — o dinheiro ainda importa. Em vez disso, ela argumenta que a busca pela felicidade não precisa terminar na porta do escritório e pode ser facilmente incorporada à maioria (se não a todas) as situações de trabalho.
Superando as barreiras para a felicidade no trabalho
McKee acredita que existem muitas barreiras para encontrar a felicidade no trabalho. Por exemplo, muitos de nós caímos na armadilha do excesso de trabalho, pensando que ganharemos prestígio e sucesso se trabalharmos muitas horas. Mas acontece que o excesso de trabalho nos esgota e nos torna menos produtivos, ao mesmo tempo que se transforma em um hábito que os outros esperam de nós. Outra armadilha comum é decidir aceitar uma promoção — porque é bom para a nossa carreira ou porque precisamos de mais dinheiro — sem levar em consideração como a nova posição irá satisfazer nossas necessidades básicas ou nos fazer verdadeiramente felizes, deixando-nos com a sensação de estarmos presos.
Não estar em contato com nossos valores intrínsecos — nosso propósito e relacionamentos, por exemplo, em vez de valores extrínsecos como prestígio ou dinheiro — é um erro, escreve McKee. Isso pode nos levar a realizar um trabalho "destrutivo para a alma" — a antítese do trabalho feliz.
Imagine possíveis objetivos de trabalho para si mesmo que estejam alinhados com aquilo que lhe traz mais felicidade.
“Quando não conseguimos ver o impacto do nosso trabalho ou encontrar significado no que fazemos, muitas vezes ficamos insatisfeitos e ressentidos”, escreve ela. Mas “enxergar nosso trabalho como uma expressão de valores preciosos e como uma forma de contribuir é a base do bem-estar, da felicidade e do nosso sucesso contínuo”.
McKee oferece exercícios para ajudar as pessoas a começarem a pensar sobre sua felicidade pessoal e seus trabalhos de uma maneira diferente. Por exemplo, para cultivar mais significado no trabalho e descobrir o que é importante para você, ela sugere que você reflita sobre momentos do passado em que estava feliz com o que fazia. Com isso em mente, você poderia "ficar de olho em oportunidades para se juntar a um grupo que esteja explorando uma nova ideia ou tentando resolver um problema" que seja importante para você, escreve ela.
Para cultivar o otimismo, você pode imaginar possíveis metas de trabalho para si mesmo que estejam alinhadas com o que lhe traz mais felicidade e tomar medidas concretas para alcançá-las. E uma maneira de construir relacionamentos é se oferecer para ajudar os colegas "com tarefas desagradáveis, não apenas com as divertidas".
Para ser mais feliz no trabalho, é preciso estar disposto a refletir sobre o seu mundo interior e o que te motiva. McKee lembra aos leitores que ter inteligência emocional — a capacidade de compreender as próprias emoções e as dos outros, o autocontrole emocional e a empatia — pode ser inestimável no ambiente de trabalho, onde frequentemente lidamos com contratempos ou decepções que poderiam prejudicar nossa motivação, produtividade e relacionamentos.
Bom demais para ser verdade?
Algumas das sugestões de McKee sobre como ser mais feliz no trabalho parecem mais comprovadas por pesquisas, como ser generoso com os colegas como forma de construir relacionamentos ou praticar a gratidão para ser mais feliz. Outras, porém, parecem menos. Por exemplo, não me convenci com sua sugestão de abandonar o pensamento pessimista, concentrando-se nos pontos fortes pessoais no trabalho e refletindo sobre como eles têm "consistentemente te impulsionado na direção certa". Aliás, todo o capítulo sobre otimismo (ou esperança) me pareceu um pouco superficial e me deixou com mais dúvidas sobre seus potenciais benefícios.
Alguns leitores podem rejeitar as dicas de McKee por outros motivos — talvez achando-as simplistas demais ou aplicáveis apenas a pessoas como ela, que ganham muito dinheiro. Mas é evidente que McKee acredita que seus conselhos podem ser aplicados a qualquer trabalho — inclusive alguns dos seus, menos glamorosos.
Para ser mais feliz no trabalho, é preciso estar disposto a refletir sobre o seu mundo interior.
Ao trabalhar como cuidadora de um casal de idosos, ela encontrou a felicidade ao se concentrar no ótimo relacionamento que tinha com seus empregadores, na conexão com a beleza natural que cercava a casa deles e na sensação de estar ajudando pessoas necessitadas — uma verdadeira vocação. Se isso parece bom demais para ser verdade, ela também cita o trabalho da pesquisadora organizacional Amy Wrzesniewski, que descobriu que os funcionários da limpeza de hospitais que davam significado ao seu trabalho e criavam conexões com os pacientes eram muito mais satisfeitos com seus empregos do que aqueles que não o faziam.
Embora o livro seja baseado em pesquisa — há uma longa seção de notas no final — muitas das referências listadas são livros, o que dificulta avaliar a solidez científica da obra. Mesmo assim, o livro tem muito a oferecer para quem se sente preso em um emprego que causa infelicidade. Algumas das histórias de McKee sobre pessoas que deixaram empregos sem futuro e se reconectaram com o que realmente importa são inspiradoras e instrutivas. No mínimo, o livro oferece o tipo de incentivo necessário para quem busca uma mudança.
COMMUNITY REFLECTIONS
SHARE YOUR REFLECTION
2 PAST RESPONSES
"People who love what they do are much more productive than those who are doing it for the paycheck. If we can find work we care about, our productivity will explode. Our value will increase radicaĺly. We will be the source of great ideas. And we will be rewarded. Producticity explodes when we love what we do."
It all starts with our own attitude. When we (finally) commit to "being the difference we'd like to see", change in us and others happens. But we must be intentional about it. (Based on my own experience in a 30 year local government career.)