Uma das minhas maiores emoções nos últimos anos foi jantar com o astronauta Edgar Mitchell. O Sr. Mitchell foi o piloto do módulo lunar da Apollo 14 em 1971, durante a qual passou nove horas coletando amostras e realizando diversos experimentos na superfície da Lua.
Como jornalista, conheci muitas celebridades, mas sentar-me à mesa com esse astronauta de voz suave foi diferente. Não foi a fama dele que me arrepiou, mas o fato de estar cara a cara com um dos poucos humanos que realmente deixaram a Terra e caminharam em outro mundo. Durante meses depois disso, eu não conseguia olhar para a Lua sem pensar: "Acabei de conhecer alguém que esteve lá!"
Durante a viagem de regresso da Apollo 14, Mitchell teve uma experiência que mudaria o rumo da sua vida. Numa entrevista à revista Ascent, ele recordou:
"A espaçonave estava girando para manter o equilíbrio térmico do Sol... A cada dois minutos, a cada rotação, víamos a Terra, a Lua e o Sol passando pela janela. O panorama de 360 graus dos céus era impressionante, e as estrelas eram dez vezes mais brilhantes e, portanto, dez vezes mais numerosas do que se poderia ver no topo de uma montanha em uma noite clara."
"Foi incrivelmente magnífico... Percebi que as moléculas do meu corpo e as moléculas da espaçonave tinham sido fabricadas em uma geração antiga de estrelas. Não era apenas conhecimento intelectual — era uma experiência visceral subjetiva acompanhada de êxtase — uma experiência transformadora."
Edgar Mitchell foi criado como batista do sul dos Estados Unidos. Ele não conhecia nada no cristianismo ou na ciência que pudesse explicar sua epifania mística no espaço. Mas deparou-se com uma descrição disso em um antigo texto sânscrito, que falava de savikalpa samadhi, uma experiência na qual os objetos perdem sua separação e são percebidos extaticamente como elementos de uma vasta e ilimitada unidade.
O astronauta era um cientista pragmático, com formação em engenharia aeronáutica e experiência como piloto de testes. Sua experiência na viagem de volta à Terra, no entanto, mudou tudo. Ela o inspirou a fundar, em 1973, o Instituto de Ciências Noéticas, uma organização sem fins lucrativos dedicada a investigar uma ampla gama de fenômenos psíquicos e espirituais, bem como a natureza da consciência humana.
Não pude deixar de pensar em Mitchell enquanto caminhava pela exposição "Além do Planeta Terra: O Futuro da Exploração Espacial", uma nova mostra no Museu Americano de História Natural, na cidade de Nova York, que marca o 50º aniversário do voo espacial tripulado.
Se o astronauta estiver certo, as viagens espaciais podem oferecer mais do que apenas conhecimento científico sobre outros mundos; podem nos proporcionar uma perspectiva espiritual única sobre o nosso lugar no esquema cósmico das coisas. Podem desempenhar um papel vital na expansão da consciência humana para além das suas fronteiras paroquiais. Mas a questão é: estamos prontos para deixar para trás as nossas rivalidades raciais e nacionais e nos vermos como cidadãos do universo?
Durante o jantar com Mitchell, ele falou sobre o desejo humano atemporal de explorar, de se aventurar em novos lugares, tanto física quanto figurativamente, e de ampliar nossa admiração e imaginação pelas possibilidades humanas. A viagem espacial tem sido considerada, com razão, uma das maiores conquistas tecnológicas de nossa época. Mas será que é mais do que isso?
Eu esperava que a exposição no Museu de História Natural abordasse essas questões espirituais e filosóficas mais amplas. Mas a mostra, patrocinada pela empresa aeroespacial Lockheed Martin, concentra-se estritamente nos desafios técnicos do programa espacial e na nova geração de equipamentos que está sendo desenvolvida para superá-los.
Os visitantes do museu caminham pela maquete em escala reduzida de uma base proposta na Cratera Shackleton, perto do polo sul da Lua; passam pelo modelo de um elevador espacial, cujo cabo se estenderia por 45.000 quilômetros da superfície lunar; e chegam a uma réplica em tamanho real do Mars Science Laboratory Rover, que tem previsão de pousar no planeta vermelho em agosto.
Muita coisa mudou desde os tempos áureos da exploração espacial, quando, impulsionados pelas rivalidades da Guerra Fria, os Estados Unidos e a União Soviética não pouparam esforços para enviar os primeiros astronautas à órbita e, eventualmente, à Lua. A última missão tripulada à Lua ocorreu em 1972. Desde então, a NASA tem se concentrado no programa do ônibus espacial e no envio de sondas robóticas não tripuladas aos planetas, bem como no Telescópio Espacial Hubble, que transmitiu imagens inéditas das regiões mais distantes do universo.
Será que as viagens espaciais são um luxo sem sentido ou uma necessidade psíquica? Como aventurar-se ainda mais longe no espaço mudará nossa visão de nós mesmos? Estamos preparados para isso? Gostaria que a exposição do museu tivesse explorado essas questões. Mas, já que não o fez, encerraremos com as palavras visionárias de Mitchell, em uma entrevista ao The Examiner:
"[Nós iremos a Marte, no devido tempo, e voltaremos à Lua, no devido tempo. Quando fizermos isso, vai soar um pouco tolo quando dissermos: 'Eu vim dos Estados Unidos, do Canadá, da Grã-Bretanha, da Alemanha, de Israel ou da Rússia.'"
"Não, nós viemos da Terra e ainda não nos organizamos porque continuamos muito ocupados nos matando uns aos outros para decidir qual deus é o melhor. Não estamos aprendendo a nos enxergar como uma civilização avançada e em evolução. É isso que realmente precisamos aprender a fazer... se quisermos sobreviver."
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3 PAST RESPONSES
aside from the fact we never went to the moon, it was all a lie, it's a nice story.
I’m fascinated by Mr Mitchell’s thoughts and insights on his trip into space. I’ve read articles and interviews before by him and think he’s the first one to have addressed the deeper existential question of life! The last paragraph of this article says it all....we certainly don’t have our act together! Our messiness seems so very trivial when we read his account of his experience of looking at the glory of creation! Thank you Mr Mitchell!