Durante séculos, o individualismo, ou a noção de que cada indivíduo humano possui valor intrínseco, fundamentou ideias sobre organização social, economia e justiça. Recentemente, porém, a primazia dos direitos e liberdades inalienáveis do indivíduo tem sofrido imensa pressão.
O individualismo no Ocidente teve origem no Iluminismo. Ele acredita no valor moral do indivíduo e que seus interesses devem prevalecer sobre os do Estado ou do grupo social. Isso deu origem ao capitalismo laissez-faire, no qual o indivíduo é um agente do livre mercado.
O individualismo ao estilo ocidental viveu seu auge desde a Segunda Guerra Mundial. Mesmo com grande parte da Europa atrás da Cortina de Ferro, e mesmo com a China em fase pré-mercado, a pura hegemonia dos EUA garantiu um período de grande prosperidade para a ideia de individualismo do pioneiro – com o indivíduo robusto e orgulhoso no centro, tecendo o progresso a partir do fio ininterrupto de sua livre vontade.
Outra forma de individualismo também estava presente nesses mesmos anos, baseada no sistema de crenças de Mahatma Gandhi e seus mentores. O individualismo deles tinha raízes espirituais. Gandhi reconhecia que o individualismo ao estilo ocidental poderia acabar se tornando mero materialismo. Ele via o indivíduo como um agente moral autônomo, não apenas alguém com os meios para satisfazer desejos pessoais. Os direitos humanos invioláveis do indivíduo são colocados no centro do progresso social. O foco está na individualidade do ser humano mais vulnerável, em nome do qual o Estado e a sociedade praticariam seu dharma.
A ideia inicial de individualismo impulsionou uma inovação frenética durante três séculos. O empreendedor, o artista criativo, o intelectual público gerou um mercado global para ideias, produtos e serviços. Pode-se argumentar que isso gerou mais prosperidade material para mais pessoas do que nunca.
A segunda ideia impulsionou a maior intervenção estatal e social em termos de assistência social e apoio a diversos grupos vulneráveis. Foi uma grande experiência, embora não totalmente concretizada, que buscou garantir a cada indivíduo redes de proteção social, preservando, ao mesmo tempo, sua dignidade e capacidade de assumir riscos.
No entanto, ao longo da última década ou mais, o individualismo e a primazia do indivíduo têm sido seriamente ameaçados.
Existem três razões principais para isso. A primeira é o terrorismo combinado com o colapso econômico. Quando o 11 de setembro aconteceu, tudo mudou da noite para o dia, causando o maior choque possível na autonomia individual. Nos Estados Unidos, o bastião absoluto do individualismo e do libertarianismo, as pessoas tiveram que abrir mão de muitas liberdades e privacidades prezadas em troca da promessa de segurança pública. Depois veio a crise financeira de 2008. Em sua esteira, entramos em um mundo pós-globalização, que coincidiu com a ascensão de regimes autoritários que consolidaram o poder do Estado.
Em muitos países, o patriotismo romântico, onde o amor de um indivíduo pelo país podia ser expresso como uma crítica honesta, deu lugar a um nacionalismo mais rígido do tipo "meu país, certo ou errado". A dissidência era desencorajada, e isso afastou ainda mais o indivíduo independente do cenário político.
O segundo motivo é a ascensão dos gigantes da internet com suas enormes plataformas sociais. Inicialmente, estas pareciam reforçar a primazia do indivíduo livre. O consumidor, que podia ter acesso a qualquer coisa a qualquer hora e em qualquer lugar, era rei. O trabalhador braçal tornou-se um empreendedor autônomo; e o cidadão, um internauta, expressava sua opinião para o mundo todo.
Infelizmente, a escolha individual revelou-se uma ilusão; uma miragem cintilante. Este foi o início do que hoje é temido como capitalismo de vigilância, onde o trabalhador informal continua mal remunerado e sobrecarregado; o consumidor não passa de um pacote de dados, e seu livre-arbítrio pode ser manipulado pela inteligência artificial. Essas mesmas tecnologias também fortaleceram o estado de vigilância, reduzindo os direitos e a privacidade do indivíduo a um ritmo alarmante. Até mesmo o voto, o bem mais precioso de um indivíduo em uma democracia eleitoral, tornou-se objeto de manipulação.
Em terceiro lugar, o mundo tornou-se ainda mais interdependente. As mudanças climáticas e a poluição do ar não conhecem fronteiras, e a resistência aos antibióticos não respeita limites. Bactérias da África podem deixar pessoas na América doentes. As queimadas nas florestas da Indonésia podem deixar a Ásia sem ar.
Agora, a pandemia da Covid-19 pode muito bem ser o golpe final no individualismo, a menos que estejamos alertas. Ela nos levou rapidamente a abrir mão de privilégios pessoais e a nos submetermos ao ditame [decreto dogmático] do Estado ou às decisões do grupo mais próximo – o condomínio, a vila e a cidade. Estivemos, com razão, dispostos a renunciar às nossas liberdades individuais, pois percebemos o perigo de exercê-las de forma arbitrária.
As ideias de individualismo dos pioneiros ficam desmascaradas quando percebemos o quanto nossas ações impactam os outros.
Mas devemos ter cuidado para não perdermos os aspectos positivos do individualismo. Devemos garantir que a identidade individual não seja subjugada por um grupo coercitivo que não presta contas a estruturas maiores ou ao Estado de Direito. Uma coisa é obedecer a uma ordem governamental. Outra bem diferente é sucumbir a medos irracionais ressurgidos, especialmente do "outro". Já estamos testemunhando o surgimento do vigilantismo e até mesmo da violência de multidões. Aldeões amedrontados proíbem a entrada de todos os forasteiros; médicos são impedidos de retornar às suas casas na cidade; o policial empunha um cassetete com impunidade.
Essas reações à pandemia podem significar o fim do individualismo positivo num futuro próximo. A sociedade precisa agir com rapidez e criatividade para restabelecer o equilíbrio entre a autonomia individual e o bem coletivo. Ninguém é uma ilha, mas não podemos subestimar o valor intrínseco de cada ser humano. Esse valor é o alicerce de todas as boas sociedades.
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The individual who is enlightened, knowing that they are the manifestation of divine energy, is the greatest force for good in society. We should not legislate against individualism and we should not give it away to the state. Once relinquished, the state can easily take more of what is not their's to take. COVID-19 responses by governments around the world have been an injury to personal liberties that are not negotiable. The Orwellian world of 1984 stares us in the face and it is frightening.
While I appreciate the author for writing a good article to remind us with the danger of individualism, the author's partner created Aadhaar based on technology that evangelizes individualism and make officials lose their empathy. Here is sample link to explain https://ruralindiaonline.or...