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Pat e Peter foram juntos à consulta médica. Com mais de oitenta anos, estavam casados há mais de sessenta. Pat era poeta; Peter, um pastor aposentado.
O especialista confirmou um diagnóstico anterior: Peter sofria de demência, de causa desconhecida. Algum "acidente cerebral" estava roubando-lhe a memória de curto prazo. A cada dez ou quinze minutos, sua mente reiniciava e ele perdia toda a lembrança do que havia vivenciado naquele curto período — o que fizera, o que dissera, o que ouvira, aonde fora, quem conhecera. Sua memória de longo prazo permanecia intacta, assim como sua personalidade doce e gentil, sua inteligência e humor peculiar, sua devoção à paz e à justiça, seu amor por Pat e pela família. Mas ele agora vivia em um presente radical, sem continuidade de consciência de um quarto de hora para o outro. Ele não conseguia mais construir nada a partir do passado nem antecipar o futuro.
Assim que chegou em casa depois da consulta médica, Peter subiu correndo ao sótão e começou a procurar seu velho clarinete. Nascido em uma família de músicos, ele fora um clarinetista talentoso na juventude, mas não tocava há muitas décadas.
Com o estojo do instrumento na mão, ele fechou a porta atrás de si no pequeno cômodo que usava como escritório. Montou um suporte para partituras, sentou-se na cadeira e desmontou o clarinete. Precisaria de alguns reparos, mas por enquanto, serviria.
Ele se entregou à música. Tocar novamente era surpreendentemente fácil, como se o instrumento fosse um amigo com quem ele tomava café todos os dias. Praticou por horas naquela tarde, sem perceber. Em seu mundo, os relógios não importavam mais. Pela primeira vez em meses, ele tinha algo significativo em que se dedicar.
Em outra parte da casa, Pat se maravilhou, pois nunca o tinha ouvido tocar. Ela relaxou, ouvindo sua música, feliz não só por ele, mas por si mesma. Enquanto ele estivesse tocando, ela sabia exatamente onde ele estava e o que estava fazendo. Ela não precisava se preocupar. Ela podia até escrever poemas.
Nos dois anos seguintes, a demência de Peter se agravou, mesmo com o aumento de sua habilidade no clarinete, graças a um professor particular que vinha à sua casa. Peter não conseguia se lembrar do homem de uma aula para a outra, mas sentia uma familiaridade com ele e gostava de sua companhia. Pat continuou a publicar poesia, enquanto cuidava de Peter e lutava contra as complicações crônicas de uma fratura no quadril.
A saúde de Pat foi piorando gradativamente até que ela e Peter finalmente tiveram que se mudar para uma casa de repouso. O clarinete de Peter foi com eles, mas permaneceu intocado em seu estojo. Talvez ele tenha abandonado o instrumento por causa da demência. Talvez ele fosse tímido demais para tocar onde estranhos pudessem ouvi-lo. Talvez ele estivesse tão estimulado pelo ambiente estranho que não conseguisse se concentrar na música. Ninguém sabia ao certo.
Recusando-se a separar-se de Peter, Pat insistiu em viver com ele na unidade de cuidados para pessoas com demência. Ao longo de meses, microderrames roubaram-lhe a capacidade de escrever poesia, de ler, de raciocinar — de fazer quase tudo o que a tornava quem ela era de forma magnífica.
Nos últimos dias de vida de Pat, a equipe médica precisou isolá-la em um quarto particular para protegê-la de Peter. Ele vivia desconectando seus aparelhos médicos ou desligando a energia. A equipe disse que ele não sabia o que estava fazendo. Fico pensando...
Quando Pat finalmente partiu desta vida, Peter não estava com ela. Por recomendação da equipe médica, a família o poupou da notícia de sua morte, da qual ele jamais se lembraria. Ele não participou da celebração da vida dela. Não compareceu ao enterro. Nunca perguntou onde ela estava. Parecia não ter notado sua ausência.
No entanto, logo no dia seguinte ao sepultamento de sua amada esposa, Peter pegou seu clarinete e começou a tocar pela primeira vez desde que ele e Pat haviam deixado sua casa de madeira amarela na Rua McClellan.
Hoje, Peter tem um novo colega de quarto, um cidadão naturalizado que não fala inglês. Eles se dão muito bem. A música de Peter serve como uma ponte entre eles. E Peter toca clarinete não apenas para seu colega de quarto, mas para todos os moradores de seu apartamento — “todos passageiros”, acredita Peter, literalmente, “no mesmo trem”. Eles adoram sua música, e este homem humilde, que sempre se isolou em seu escritório para praticar, não hesita em se apresentar para eles.
Quando Peter desenterrou pela primeira vez seu clarinete empoeirado do sótão, ele precisava de consolo após um diagnóstico terrível. Ele o trouxe de volta depois de perder a mulher que amava.
Esta é uma história de amor: entre Pat e Peter, entre Peter e seu clarinete. Ela nos incentiva a olhar para dentro, a acessar nossa criatividade, quando somos abalados por más notícias ou atravessamos um momento difícil. Fazer isso ajuda a restaurar o equilíbrio em nossos espíritos feridos. Também pode ajudar pessoas ao nosso redor que igualmente se sentem instáveis.
Você tem um clarinete guardado no sótão da sua vida? Imagino que sim. Convido você a tirá-lo de lá. Tenha a coragem de tocar, mesmo que seja só para se consolar, atrás de uma porta fechada.
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3 PAST RESPONSES
Playing the clarinet makes him happy. When someone with dementia moves into the unfamiliar they are not happy, but the gift of dementia is if all your needs are met, you become a Happy. Most likely he knew his wife was going and didn't want her to suffer. The joy of music is everlasting and I bet he’s playing for her still because she will always be with him.
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So heart-warming. A real testament to the human spirit.