Hoje, meu pai me mandou uma foto do quintal em frente à nossa casa. Em volta, havia uns muros verdes bem frágeis, feitos para construção. Acho que alguém está construindo uma casa ali. Estou viajando do outro lado do mundo, então quando eu voltar, já terão começado a obra.
O quintal em frente à nossa casa é quatro vezes maior que o nosso. Todo verão, a grama alta começava a secar. Todo outono, o quintal ficava vazio. Todo inverno, pequenos brotos verdes surgiam — e, com a chegada da primavera, sem falta, flores da cor do sol desabrochavam, cobrindo cada centímetro do campo.
Agora, ao olhar para a imagem, sinto um vazio repentino.
Não confunda isso com raiva. Tudo o que é material acaba mudando. Passei muitas primaveras olhando para aquele quintal — admirando-o do outro lado da rua. Víamos coiotes uivando, coelhos saltitando e, ocasionalmente, um veado vagando por ali. Os pássaros da manhã cantavam, se despedindo de nós em nosso trajeto rotineiro para a escola. Ao amanhecer, no frio do inverno, um manto de geada se estendia suavemente por todo o campo. Um casal bondoso, na casa dos oitenta, era dono da metade direita do campo. Os netos deles nos visitaram uma ou duas vezes e todos nós pulamos no grande trampolim redondo deles. Foi essa a inspiração para o nosso próprio trampolim. O avô, Larry, costumava trazer papoulas do jardim dele no campo para mim e minhas irmãs. De um laranja vibrante, como o pôr do sol, elas são a flor nacional do nosso estado dourado. Agora, a estufa de papoulas só comporta uma. A avó, Pat, ainda nos visita às vezes. Os bolos que ela faz são os melhores que já comi. Mesmo que ela ainda cuide do jardim, aquelas papoulas laranja vibrantes, como o pôr do sol, parecem não crescer mais.
Há uma árvore no lado esquerdo do campo que parece nunca crescer. Ela é apenas um pouco mais alta do que eu, e sua silhueta permanece sempre familiar. Um pinheiro gigante fica na linha divisória entre a direita e a esquerda. Quando chega o Natal, imagino-o todo decorado com luzes. Será que ele se tornará parte da casa do nosso futuro vizinho?
Apreciei a paz e o sossego da nossa casa isolada. Apreciei como a imensidão da grama alta e verde escondia os coelhos dos coiotes e como o jardim colorido perto da casa de Larry e Pat guardava doces lembranças. Apreciei ser a única casa naquela área de cerca de cem metros. Apreciei observar os animais vagando. Apreciei ouvir o canto dos pássaros.
O único problema é que eu não percebi o quanto gostava daquilo até que, aos poucos, começou a me ser tirado. Acho que é assim com tudo na vida. Às vezes, a gente só dá valor a algo quando já não está mais presente. Eu não sabia que aquela primavera seria a última em que veria o jardim do outro lado da rua florido; nem que seria o último verão, outono e inverno. Eu não sabia que a última vez que veria os coelhos pulando seria a última vez. A gente nunca sabe quando será a última vez. Ou talvez saiba. Mas mesmo assim, eu aconselharia a não ter tanta certeza.
Dito isso, “viva cada dia como se fosse o último”. Aproveite, aprecie cada momento sempre que puder. Pois você nunca sabe quando será a última vez.
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Perhaps when I am breathing my last, I will ask for one measly strip of bacon, one more moment of ecstasy before I am no more. God, make it so!