Um novo estudo sugere que crianças de apenas cinco anos preferem adultos que expressam dúvidas quando estão inseguros, em vez daqueles que são excessivamente confiantes.
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Pessoas intelectualmente humildes são capazes de reconhecer e admitir as limitações do seu conhecimento. Tendem a ser mais abertas, perspicazes e respeitosas com os outros, o que é útil na comunicação entre grupos polarizados que parecem incapazes de dialogar de forma produtiva.
Isso sugere que a humildade intelectual pode ser uma virtude que vale a pena cultivar, especialmente em crianças — que, afinal, se tornarão os cidadãos de amanhã. Mas como ensiná-las a reconhecer seu valor? Na verdade, um novo estudo descobriu que elas já o fazem, e desde muito jovens.
Neste estudo, um grupo diversificado de 229 crianças de quatro a onze anos foi questionado sobre como se sentiam em relação a uma figura adulta humilde versus uma figura adulta mais arrogante. Em um experimento inicial, 111 crianças foram apresentadas a um objeto ambíguo (por exemplo, algo que poderia ser uma esponja ou uma pedra) ou a uma palavra ambígua (por exemplo, "morcego", que poderia ser um animal ou um equipamento esportivo). Em seguida, as crianças ouviram dois adultos (duas mulheres ou dois homens) responderem a perguntas sobre o objeto ou a palavra, incluindo o que era, o grau de certeza sobre sua identificação e se estavam abertos à possibilidade de ser outra coisa.
Inicialmente, cada adulto identificou o objeto ou a palavra da mesma maneira. Mas a pessoa humilde disse que tinha "quase certeza" de estar certa, embora a palavra ou o objeto pudesse ser outra coisa, enquanto a pessoa mais arrogante afirmou ter certeza absoluta de que estava certa e que não poderia ser diferente. Os pesquisadores tiveram o cuidado de não fazer com que nenhum dos adultos parecesse menos amigável do que o outro.
Após assistirem às entrevistas, as crianças avaliaram quem consideravam mais inteligente e gentil, e de quem gostavam mais e com quem prefeririam aprender. Ao analisar as respostas, os pesquisadores descobriram que crianças com cinco anos e meio ou mais preferiam pessoas humildes a pessoas arrogantes em todos os aspectos, e essa preferência se intensificava a cada ano adicional de idade. Crianças com menos de cinco anos e meio não demonstraram preferência entre adultos humildes e arrogantes.
Isso sugere que crianças de apenas cinco anos e meio reconhecem o valor da humildade intelectual, afirma a pesquisadora Shauna Bowes, da Universidade Vanderbilt — o que é positivo se estivermos interessados em promovê-la.
“Se as crianças não gostam de humildade intelectual e nós dizemos aos adultos para adotá-la, isso pode ser uma barreira para cultivá-la”, diz ela. “Portanto, o fato de as crianças preferirem a humildade intelectual à arrogância ou ao excesso de confiança intelectual mostra que talvez possamos começar a sinalizar isso bem cedo na vida.”
Ainda assim, ela não tinha certeza se as crianças nesse primeiro experimento valorizavam a humildade especificamente, ou se apenas reconheciam que a pessoa humilde estava sendo mais precisa (já que os objetos e as palavras eram ambíguos). Então, Bowes e sua equipe repetiram o experimento com outras 118 crianças, substituindo os objetos e palavras ambíguos por outros sem sentido (que não existiam na vida real). Os resultados foram quase os mesmos: crianças com mais de cinco anos e meio preferiram adultos humildes e inseguros a adultos arrogantes e convictos — embora a preferência não fosse tão forte.
Para Bowes, isso demonstra que, quando se trata de aprendizado, a precisão é importante para as crianças, mas a humildade também.
“Isso desafia a ideia de que, se você tem muita certeza de algo, as pessoas pensam que você é muito inteligente e gostam mais de você”, diz ela. “Alguém que tende a ser excessivamente confiante também tende a ser antipático.”
Curiosamente, nem o gênero da criança nem o gênero dos dois adultos que respondiam às perguntas afetaram a preferência das crianças. Isso surpreendeu Bowes, que acreditava que o gênero da criança poderia influenciar a forma como ela via os adultos do sexo oposto. Mas tanto meninos quanto meninas valorizaram a humildade — um resultado animador.
No entanto, Bowes acrescenta que, fora de um ambiente de laboratório, a sinalização social pode afetar esses resultados. Por exemplo, se o adulto mais humilde fosse uma mulher e o adulto arrogante fosse um homem (ou vice-versa), as crianças poderiam ter feito avaliações diferentes, influenciadas por expectativas de gênero. Este é um fator que merece ser investigado em pesquisas futuras, afirma ela.
Por ora, as descobertas de Bowes sugerem que as crianças podem se beneficiar se os adultos demonstrarem humildade intelectual em idades mais precoces do que se pensava anteriormente. Por exemplo, professores do ensino fundamental poderiam expressar incerteza em situações onde a resposta não é clara, incentivando as crianças a manterem-se abertas e a aprofundarem-se em tópicos ambíguos. Da mesma forma, os pais poderiam demonstrar humildade mesmo com seus filhos pequenos, encorajando-os a lidar com ideias complexas e, ao mesmo tempo, fortalecendo o vínculo entre pais e filhos.
“Ser capaz de expressar esse tipo de humildade com seu filho em pequenas interações e também em conversas mais amplas que sabemos que os pais têm com os filhos desde cedo — sobre política, raça, religião e coisas do tipo — pode ser muito poderoso”, diz Bowes.
É difícil dizer se o fato de as crianças valorizarem a humildade se traduzirá em maior humildade a longo prazo, afirma Bowes. Mas ela tem esperança de que, quando os adultos demonstrarem humildade intelectual, as crianças aprendam que ninguém tem todas as respostas e que admitir que não sabem algo não afeta sua autoridade. Talvez ensinar humildade às crianças ajude a construir pontes em nossa sociedade atualmente polarizada, conclui Bowes.
“Há poder em dizer: 'Não tenho certeza absoluta e meu conhecimento é falível, assim como o seu; talvez possamos nos reunir e conversar'”, diz Bowes. “Acho que quanto mais cedo as crianças aprenderem a fazer isso, melhor.”
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