Dizem que os espíritos fazem música.
ao passar pelas pausas
Naquilo que é viver.
Se assim for, a obra do amor
É se abraçar e ouvir um ao outro.
"Quando eu estava doente, era fácil me isolar dos outros, como paciente cercado por cuidadores. Embora isso, é claro, fosse superficialmente verdade, nos momentos mais críticos, precisávamos uns dos outros, e era difícil distinguir quem estava doente e quem estava bem, quem estava dando e quem estava recebendo. No âmago de tudo, fomos envolvidos por um abraço genuíno que nos salvou a todos."
"Naqueles dias, tive um sonho em que o amor era o fogo e a experiência, a lenha. E desde então, compreendi que é o amor pela experiência que liberta o calor e a luz que residem em cada um de nós. É por isso que a experiência é necessária, pois, ao vivê-la, o amor com o qual nascemos se torna quem somos."
"Minha própria jornada na Terra me levou a acreditar em dois instrumentos poderosos que transformam a experiência em amor: o acolhimento e a escuta. Cada vez que acolhi ou fui acolhido, cada vez que escutei ou fui escutado, a experiência arde como lenha nesse fogo eterno e me encontro na presença do amor. Sempre foi assim. Considere essas duas crenças antigas que carregam a sabedoria e o desafio de acolher e escutar."
"A primeira é a antiga noção de que, ao encostar uma concha no ouvido, podemos ouvir o oceano. Parece sempre funcionar. O escrutínio da medicina revelou que, ao encostar essa concha no ouvido, na verdade ouvimos nossas próprias pulsações, o oceano do nosso sangue sendo reproduzido para nós. Contudo, esse fato não diminui o mistério. Apenas o intensifica. Pois encostar uma concha no ouvido nos ensina a ouvir o Todo através da parte e a encontrar o Universo dentro de nós. Ensina-nos que, quando ousamos encostar outro ser, como uma concha, no ouvido, ouvimos tanto o mistério de toda a vida quanto o oceano do nosso próprio sangue."
"Surpreendentemente, cada ser carrega consigo a história do Universo. Cada alma é uma concha moldada pelas correntes das profundezas. Até mesmo fisicamente, o ouvido interno — essa delicada fonte de equilíbrio — tem a forma de uma concha. Assim, tudo o que é segurado e escutado nos mostrará onde reside no mundo e em nós."
"Isso nos leva à segunda crença: o folclore de que se um cavalo quebra uma perna, ele deve ser sacrificado. Descobri que isso não é verdade. Ah, é verdade que acontece. Criadores abatem cavalos com pernas quebradas como se não houvesse nada a fazer. Mas agora sei que fazem isso por si mesmos, por não quererem cuidar de um cavalo que não pode correr."
"Exatamente assim, pessoas medrosas e egoístas cortam o laço com aqueles que estão fragilizados, não querendo estar ao lado de um amigo que não consegue vislumbrar o amanhã, não querendo se sobrecarregar com alguém que os atrasa, não querendo encarar suas próprias fragilidades. Nisto reside o desafio da compaixão. Pois quando ousamos amparar aqueles que estão à deriva, ousamos abraçá-los, a verdade do ato de acolher e ouvir ressoa, e somos conduzidos à sabedoria dos ossos quebrados e à cura que eles proporcionam."
"Essas são as bravuras silenciosas de que todos precisamos. A coragem de esperar e observar com tudo o que somos. A coragem de admitir que não estamos sozinhos. A coragem de nos apoiarmos mutuamente, ouvindo nossos corações. E a coragem de cuidar das coisas que estão quebradas."
"O campo de treinamento para essas bravuras está sempre nas pequenas coisas ao nosso alcance. De alguma forma, através da prática de fazer pequenas coisas com grande amor, como disse Madre Teresa, aprendemos a ser corajosos. Na verdade, o trabalho do amor é cuidar completamente das pequenas coisas. Esse cuidado revela o mistério. Pela generosidade da nossa menor atenção, entramos no oceano de amor que nos sustenta a todos."
"De forma simples e profunda, a obra do amor é amar. Pois nesse ato, o Universo ganha vida. Essa vivacidade é o espaço que se abre entre nós, como diz Martin Buber, quando dois se curvam e se tocam de maneira verdadeira."
COMMUNITY REFLECTIONS
SHARE YOUR REFLECTION
3 PAST RESPONSES
Being seen and heard....all I've ever asked :-)
Authenticity, vulnerability, tears . . . LOVE. Amen.
Thank you, Mark. You captured the essence of love and listening!