Na semana passada, enquanto conversava com um homem de meia-idade chamado Paul, me senti particularmente tocado pela nossa conversa. Ele tinha acabado de voltar de suas primeiras férias em anos e estava descrevendo os melhores momentos. "Eu não conseguia acreditar na beleza do oceano", comentou. "Nunca tinha visto um oceano antes, e depois poder ver palmeiras de perto, e até tocá-las... Foi simplesmente incrível."
Ele começou a folhear uma série de fotografias em seu celular, cada uma exibindo a imagem de uma palmeira. Algumas árvores ficavam bem na beira da praia, enquanto outras ladeavam a estrada, cada uma parecendo pertencer à casa logo atrás. Algumas tinham vários troncos, e outras tinham uma única linha curva e elegante. Várias de suas fotos mostravam a mesma árvore, porém de ângulos e perspectivas diferentes.
Embora eu já tenha visto muitas palmeiras na minha vida, nunca tinha visto alguém realmente apreciar uma palmeira. Foi isso que me emocionou. Em todas as minhas férias em lugares quentes e ensolarados, nunca me ocorreu prestar tanta atenção nessas árvores. Elas sempre foram apenas parte da paisagem e algo que eu dava como certo.
No entanto, encontrei minha própria versão da palmeira de Paul. Quando viajei para a Indonésia há alguns anos, fiquei boquiaberto com os terraços de arrozais que surgiam a cada curva. Percebi a perplexidade do taxista diante dos meus repetidos pedidos para que parasse e eu pudesse tirar mais fotos dessas magníficas obras de arte. Para ele, eram tão comuns quanto uma palmeira para um floridiano, ou um carvalho para nós, do Meio-Oeste americano.
Quando cheguei em casa, comecei a guardar minha câmera na gaveta onde ela fica guardada em segurança até o próximo recital ou aniversário. Mas aí pensei melhor. Me dei conta de que, quando viajo para lugares novos, sempre pego minha câmera para capturar imagens novas e interessantes. Dedico um tempo, mesmo que de forma amadora, para observar os objetos de frente e de lado, e muitas vezes me surpreendo com a beleza e a singularidade reveladas pela lente da câmera.
Fiquei pensando: será que isso poderia funcionar ao contrário?
E se eu pegasse minha câmera, ou talvez apenas imaginasse pegá-la, em momentos comuns e familiares do dia a dia? Será que esse gesto me incentivaria a começar a enxergar lugares e objetos comuns como dignos de uma fotografia — dignos da mesma forma que as palmeiras foram para Paul, e a paisagem indonésia foi para os meus olhos de visitante?
Muitas vezes, quando estamos passando rapidamente de uma coisa para outra, não percebemos o que está ao nosso redor da mesma forma que percebemos quando estamos viajando. Parece que essa qualidade de atenção é uma das primeiras coisas que perdemos quando nossos dias se enchem de compromissos e atividades. Imagine se chegássemos à nossa cozinha todas as manhãs da mesma forma que chegaríamos a um destino de férias, absorvendo e apreciando as características distintas dos objetos ao nosso redor. Se adotássemos essa atitude em nosso dia a dia, talvez nos pegássemos fotografando a luz do sol entrando pela janela da cozinha ou a gema do ovo subindo na frigideira.
Vale a pena experimentar essa prática fotográfica, seja com uma lente literal ou metafórica. Quando pensamos como um fotógrafo, começamos a ver as coisas de uma maneira nova — percebendo detalhes invisíveis em objetos do cotidiano e talvez até nos encantando novamente com o mundo familiar ao nosso redor.
Essa forma de perceber é algo que podemos praticar mesmo em meio à correria do dia a dia. É uma das poucas coisas que podemos fazer sem precisar de tempo extra... apenas uma mudança na maneira como prestamos atenção.
Ao longo do dia, observe quais momentos podem ser capturados na tela. Como você os enquadraria e que detalhes destacaria?
Preste atenção às imagens mais comuns e às mais extraordinárias que seus olhos e sua mente captarem hoje.
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3 PAST RESPONSES
Yes, yes, yes. Sometimes pausing to take a photo of the most seemingly ordinary or mundane can be the most spiritual and artistic thing I do all day. I keep my cameras out and accessible and in different locations though out the house and thank goodness for the camera on my phone!!
That's how I got into photography. I realized that I wasn't seeing the beauty in my world as I'd learned to ignore what was in front of me in search of all of life's goals.
When I picked up a camera, I gave myself the exercise to "fine the beauty that my eye has been missing" in everyday life.
It's been amazing the change. For example, I used to regard old buildings as "decrepit", now I look for old bulldings because they're more visually interesting.
Keep on clicking!
What a world of difference it would make if everyone viewed they're daily lives through such a lens! My husband is a professional photographer, he also photographs for himself on a daily basis whatever is unfolding before him, whether it is a magnificent sky or the cracked toilet tank cover. These photos were all taken with his iphone.
http://www.deruvophotograph...
I work with young children, one of the many benefits is they always remind me to view the world around be with awe, with or without the camera.