Por que o sol brilha? Seria um resultado aleatório da coalescência de gases que iniciam a fusão nuclear? Ou seria para dar sua luz e calor à Vida? Por que a chuva cai? Seria o produto insensato de processos químicos cegos de evaporação e condensação? Ou seria para regar a vida? Por que você busca expressar sua canção? Seria para exibir sua aptidão genética e atrair um parceiro, ou para contribuir para um mundo mais belo? Podemos temer as primeiras respostas, mas é a segunda que carrega o toque da verdade.
Pelo que sei, todas as culturas têm algo que eu chamo de História do Mundo. Essa história é uma trama de mitos, significados, narrativas, palavras, símbolos, rituais e acordos que, juntos, definem o mundo. Essa história nos diz quem somos, como ser homem ou mulher, o que é importante e valioso, o que é real, o que é sagrado, qual o papel e o propósito da humanidade na Terra.
A cultura dominante no mundo, aquela que chamamos de moderna, também tem uma narrativa sobre o mundo. Eu a chamo de narrativa da separação. É a narrativa que nos mantém como indivíduos separados e a humanidade separada da natureza. Aqui, doar não é algo natural. Na verdade, essa narrativa afirma que nossa natureza padrão é o egoísmo, até o nível genético. Se eu estiver separado de você, então o que sobra para mim significa menos para você.
Na História da Separação, a confiança também não surge naturalmente. O mundo é nosso adversário, repleto de outros indivíduos distintos e concorrentes, humanos e não humanos, que devemos superar para termos uma vida boa — ervas daninhas, germes, os russos, o que for. Além disso, as forças da natureza também são adversárias, pois são completamente aleatórias, e todo o universo tende à entropia. Não há inteligência ou propósito fora de nós mesmos. Portanto, para estabelecer uma vida humana confortável no mundo, devemos dominar e controlar essas forças, nos isolar delas e utilizá-las para nossos propósitos. É isso que a História da Separação nos ensina.
Onde, nessa história, há espaço para gratidão? Onde há espaço para a dádiva? Na História da Separação, você basicamente precisa transcender a natureza humana, transcender os padrões do mundo, ser altruísta, generoso e desinteressado. Tornar-se uma boa pessoa, então, envolve uma espécie de conquista, uma conquista de si mesmo. É a mesma dominação da natureza, desta vez voltada para o interior.
Devo dizer que essa história está rapidamente se tornando obsoleta. Até mesmo sua dimensão científica na genética, física e biologia está ruindo. Na teoria da complexidade, entendemos que a ordem pode emergir espontaneamente do caos, sem uma força organizadora externa. Na ecologia, entendemos que o bem-estar de um é inseparável do bem-estar de todos. Portanto, permitam-me falar sobre dádiva, generosidade e gratidão sob a perspectiva de outra história, uma história nova e antiga que gosto de chamar de Interser.
Na história do Interbeing, a vida é uma dádiva. O mundo e tudo que nele existe é uma dádiva. Não conquistamos nossas vidas. Não conquistamos o sol; não é graças aos nossos esforços que ele brilha. Não conquistamos a capacidade das plantas de crescer. Não conquistamos a água. Não conquistamos nossa concepção nem nossa respiração. Nossos corações batem e nossos fígados metabolizam tudo por conta própria. A vida é uma dádiva.
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2 PAST RESPONSES
Perennial wisdom and truth of Divine LOVE. }:- ❤️ anonemoose monk
Eisenstein seems at times to “give up” on “The Story”, but perhaps he hasn’t “heard” the whole Story yet?
<3 yes! Here's to the beauty of interbeing! <3