O contato com a natureza me proporciona o dom da presença. Procuro me abrir para ela em vez de me deixar levar por pensamentos ou emoções que me distraem. Como habitante da cidade, caminhar em um parque me preenche com a sensação de estar ligado às minhas raízes no mundo natural. Litoral, montanhas, prados, bosques e desertos nos convidam a descobrir nossa própria natureza na deles, a encontrar sua presença com a nossa. Assim, sempre que me sinto distante do meu desejo mais profundo, desequilibrado, abalado pelos golpes da vida ou atolado na inércia da indiferença, busco o contato com a natureza – uma fonte primordial de reencontro.
Cada um de nós responde de forma mais profunda a uma ou outra grande paisagem natural, dependendo talvez de onde recebemos nossas primeiras impressões. Nesta fase da minha vida, o chamado mais profundo vem das árvores, da sua imponência triunfante e também do seu profundo enraizamento na terra. Quando estou sob as árvores, estou de volta ao meu lugar de origem. Pelo que sei, este lugar é inalcançável por qualquer esforço consciente que eu possa fazer. Mas, diminuto diante de grandes troncos e sombreado por galhos extensos, não me apego mais ao passado nem me apresso para cumprir as obrigações do presente. Estou aqui, bem aqui.
Depois de algumas horas trabalhando no computador, gosto de liberar minha energia no parque. Enquanto caminho pela trilha familiar, posso ser levado a parar, silenciado pela força das árvores imponentes que se erguem de ambos os lados. No inverno, meus olhos acompanham a força de seus galhos robustos, que se ramificam em ramos e galhos cada vez menores, articulados contra o céu. Eles me lembram as nervuras e os caules das inúmeras folhas que virão, e das minhas próprias veias e artérias, e todo o meu corpo se revigora.
Quando perguntei a David Wagoner sobre seu poema extraordinariamente evocativo, ele me contou que foi inspirado por uma ocasião em que se perdeu na floresta. É evidente que a experiência da presença das árvores o trouxe de volta a si e acalmou seu medo. Uma aventura como essa coloca nosso medo do desconhecido em uma perspectiva diferente. Nós também somos desconhecidos.
No parque, lembro-me de que toda a vida está em movimento. Esquilos saltam, abelhas e borboletas exploram as flores. As árvores canalizam sua energia para cima, em galhos que balançam, e se agarram profundamente à terra. Ouço o canto de um pássaro. Muitas vezes, ignoro tudo o que vive ao meu redor até estar em um lugar transformador, onde posso me tornar um com a natureza e com a minha própria essência interior — sem medo, sem pressão. Algo profundo dentro de mim relaxa. Ao me abaixar para arrancar ervas daninhas de um jardim abandonado na orla do rio, sinto tudo o que me prendia se soltar.
Mesmo nas ruas sujas da cidade, por onde caminho bastante, as árvores desgrenhadas transmitem uma mensagem delicada. Elas me lembram tanto da minha natureza quanto do seu grande presente para o planeta, purificando o ar que respiramos. Subo as escadas do metrô a caminho de casa, cansada e faminta, com a mente ainda presa às atividades do dia. Então, concentro-me em uma árvore para a qual estou caminhando, inspirando conscientemente seu frescor e expirando minhas ansiedades e fadiga.
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