
Foto de Filipe Leme do Pexels
Phyllis Cole-Dai é escritora e poetisa, talvez mais conhecida por "The Emptiness of Our Hands" (O Vazio de Nossas Mãos), um livro de memórias espirituais que narra os 47 dias em que ela e o coautor James Murray praticaram o "estar presente" enquanto viviam por opção nas ruas de Columbus, Ohio. Em seu 58º aniversário, no início deste ano, ela escreveu 58 orações de uma linha sobre a pandemia e as transformou em um poema. Veja o texto abaixo. Talvez ele lhe dê um ânimo. Você pode ouvir Phyllis lendo o poema aqui ou baixá-lo aqui .
NO MEU 58º ANIVERSÁRIO: 58 ORAÇÕES DURANTE A PANDEMIA
Que todos nós sobrevivamos até o próximo aniversário.
Que possamos saudar o sol a cada manhã e nos alegrar por estarmos vivos.
Que possamos respirar o milagre do ar puro.
Que possamos honrar cada momento como uma oportunidade para recomeçar.
Que possamos enraizar nossa fé em solo mais fértil do que a preocupação.
Que a separação nos una ainda mais.
Que possamos ver rostos além do nosso no espelho.
Que possamos reconhecer todas as pessoas como parentes.
Que possamos valorizá-los tanto quanto a nós mesmos.
Que possamos ficar em casa para mantê-los em segurança.
Que possamos nutrir o corpo que abriga nossa alma.
Que tenhamos abrigo, comida, água, remédios e descanso adequados.
Que possamos compartilhar livremente da nossa abundância.
Que possamos resistir à tentação de acumular.
Podemos pedir ajuda sem hesitação ou vergonha.
Que possamos encontrar conforto na companhia dos animais, das flores e das árvores.
Que possamos nos tornar amigos dos sons do silêncio.
Que possamos acolher as intimidades da solidão.
Que possamos mergulhar nas profundezas do nosso ser e trazer à tona bênçãos que nem sabíamos que tínhamos.
Que sejamos um refúgio uns para os outros.
Que nos recusemos a permanecer na cegueira da negação, da indiferença ou do desprezo.
Que possamos controlar nosso temperamento e não guardar rancor.
Que possamos ter empatia até mesmo por aqueles de quem não gostamos.
Que possamos presentear uns aos outros com atenção radical.
Que possamos nos ouvir como se vidas dependessem disso.
Que possamos falar como se nossa voz fosse o último som a ser ouvido.
Que possamos explorar como tocar sem tocar, como segurar sem segurar.
Que não nos envergonhemos das lágrimas e do tremor.
Que possamos aprender com nossos filhos a alegria do tempo livre e o conforto das rotinas.
Que possamos tranquilizar nossos filhos sobre os monstros que existem debaixo de suas camas.
Que possamos criar novos rituais de união.
Que possamos rir até doer a barriga.
Que possamos cultivar a admiração.
Que possamos ajudar nossa sociedade a ser melhor do que tem sido.
Que possamos examinar os problemas de todos os ângulos e conversar de forma direta e franca.
Que possamos basear nossas decisões na sabedoria coletiva em vez do medo contagioso.
Que possamos depositar nossa confiança em quem é especialista, e não em quem finge ser.
Que possamos valorizar a saúde acima da riqueza.
Que possamos dedicar nosso trabalho diário tanto àqueles que amamos quanto ao bem comum.
Que possamos apoiar esses trabalhadores cujo trabalho invisível nos sustenta a todos.
Que possamos proteger aqueles que se colocam em risco para nos proteger.
Que possamos transformar o impossível em possível.
Podemos nos informar sobre o bem-estar de estranhos?
Que possamos defender aqueles que são usados como bodes expiatórios e alvos do ódio.
Que possamos cantar de varanda em varanda até que o mundo inteiro seja nosso vizinho.
Que possamos abandonar as expectativas sobre o quão difícil ou longa será essa jornada.
Que possamos ir com calma ao longo do caminho.
Que cada um de nós assuma uma parcela maior do fardo para que ninguém tropece sob ele.
Que possamos nos preparar para o desconhecido.
Que possamos seguir a luz de nossas orações mais brilhantes.
Que possamos viver juntos e nos tornarmos versões melhores de nós mesmos.
Que possamos plantar as sementes de um novo mundo no que resta do antigo.
Que possamos nos lembrar, nas horas mais sombrias, que não estamos sozinhos.
Que ninguém morra abandonado, com dor ou sem ter sido tocado pela bondade.
Que possamos lamentar as perdas, mesmo que não possamos nos reunir.
Que possamos honrar sua memória.
Que não desperdicemos um minuto sequer do precioso tempo que eles deveriam ter tido.
Que possamos amar uns aos outros como gostaríamos de ser amados.
Que nossos filhos sobrevivam a todos nós.
26 de março de 2020
© 2020 Phyllis Cole-Dai
Alguns direitos reservados.
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Truly worth pondering on for awhile. Thank you!
Meaningful
Delightful 🙏🏽♥️
Thank you Phyllis, beautiful prayers and reminders