
O texto a seguir foi extraído, com permissão, de "Odes to Ordinary Things", publicado pela A Network for Grateful Living, 2017.
Introdução
Há alguns anos, uma vizinha me deu um presente: uma coleção de "odes às coisas comuns" de Pablo Neruda. O que eu não percebi de imediato foi que ela me deu não apenas um livro, mas o presente de enxergar as coisas "comuns" com um olhar renovado e cheio de alegria. Neruda escreve com ludicidade e carinho sobre limões, sal, meias, uma caixa de chá! E, ao fazer isso, ele aguça nossa atenção e apreciação pelas maravilhas cotidianas que preenchem nossos dias e nossas vidas. As odes (milagrosas por si só) trazem vida, profundidade e encantamento a todo tipo de coisa.
Inspirados por essa experiência, nós, da Rede para uma Vida de Gratidão (gratefulness.org), convidamos nossa comunidade a enviar odes a "coisas comuns". A resposta foi imediata e feliz. Nossa caixa de entrada foi inundada de poemas que celebravam ervas daninhas, postes de luz, sapatos e grilos. Havia declarações de amor a uma garrafa de liquidificador, uma bolota, chinelos, um iPad – até mesmo às veias no peito do pé de alguém! Esse vislumbre da alegria que as coisas simples podem proporcionar foi um verdadeiro presente e somos gratos a cada um dos autores que expressaram sua admiração em uma ampla gama de estilos e focos.
Para refinar a coleção desta publicação, reunimos um pequeno grupo de autores, editores e poetas — todos amantes da poesia. Após muita reflexão e discussões, tanto descontraídas quanto sérias, a Equipe de Apreciação de Odes Gratas (GOAT) — em um processo no qual os poetas permaneceram anônimos — selecionou as doze odes que você vê aqui.
Esperamos que estas odes às coisas comuns vos encantem, mas, talvez o mais importante, esperamos que elas vos abram os olhos, tal como os nossos foram abertos, para as inúmeras maravilhas que nos rodeiam, à espera de serem vistas e celebradas.
Saoirse McClory
Em nome da Rede para uma Vida de Gratidão
Ode às 5h30 da manhã
Só eu sei, só eu vejo
A luz dançando suavemente sobre a copa das árvores.
Caindo suavemente sobre a grama coberta de orvalho,
Aproximando-me da minha janela enquanto os minutos passam.
Sim, só eu vejo, pois a casa ainda dorme.
Os sonhadores sonham enquanto os
Carícias de luz suave.
O dia começa a brilhar.
Conforme a noite avança, ela se despe. Os cardeais gritam.
Em êxtase absoluto
Compartilho a mesma canção que eles cantam para mim.
Nós nos entregamos completamente, ninguém acima dela.
A alegria escorrendo pelo meu rosto, as manhãs são meu amor.
– Nicki Hayes
Ode aos meus chinelos de quarto
Eles esperam pacientemente ao lado da minha cama. Sentinas gêmeas agradáveis, prontas para o serviço.
Eles me conhecem tão bem — a marca escura dos saltos e cada dedo do pé desgastado na
lã calva.
São a primeira coisa que meus pés procuram pela manhã.
Aterramento e proteção para minhas caminhadas noturnas até o banheiro.
São o conforto que busco ao retornar do trabalho do dia.
São aqueles a que recorro quando me desfaço dos saltos altos: couro polido, fivelas e cadarços.
Elas carregam as manchas e imperfeições da familiaridade — um respingo de café gelado, uma gota de
pasta de dente,
Marcas da dentição de um filhote já adulto.
Esses meus chinelos já percorreram centenas de quilômetros, mas raramente saem de casa.
Uma vez eu esqueci e fui usar meus sapatos no ensaio do coral. Cantei muito bem naquela noite.
– Margaret Faeth
Uma Ode aos Poetas Silenciosos
Você vê
o presente precioso
de coisas comuns
como fez Pablo Neruda,
mas não preciso de palavras,
caneta ou papel,
fazer uma reverência
ao azeite
para uma ótima noite de sono
para as rochas cobertas de musgo
para o ocotillo em flor
ao abacate perfeitamente maduro
Aos heróis do dia a dia
para cartas escritas à mão
ao riso espontâneo
ovos frescos da fazenda
para o estranho sorridente
às flores silvestres do deserto
para a internet mundial
a momentos agridoce
para sonecas da tarde
para nuvens cinzentas
para desacelerar
para urtigas
para cobertores macios
sonhos estranhos
para o lixeiro
para uma morte serena
Os presentes simples
seu ser devocional vê
ao longo da vida
te preenche com aquele calor profundo
Você sorri silenciosamente.
E isso
é o presente
você é.
Ode à Cebola
Abro a porta da frente e sou imediatamente envolvida pelo aroma celestial.
de cebolas refogando no fogão.
É claro que, quando éramos crianças, diríamos "fritar", mas as cebolas falam todas as línguas.
O aroma é o mesmo.
e a sensação de estar com os pés no chão é a mesma.
É o subsolo
sobre a qual se assenta a preciosa madeira nobre, a tela
sobre a qual a obra-prima está pintada, a equipe
sobre a qual a ópera está representada, a tinta
com a qual o poema é escrito, a nota de baixo
no caldo.
– Susan Whelehan
Pausa para o chá
Pegue a água que jorra da terra como uma torneira—
antigo aquífero, remanescente exuberante
de riachos pré-históricos, refrescados pela chuva. Pegue o bule de chá — pesado,
curvilíneo — a interpretação de um oleiro sobre o barro antigo, esticando verticalmente a lama macia.
Em um cone, depois em um recipiente, cuidadosamente queimado em grés — o esmalte azul flui salpicando o preto; a aurora congelada na tigela redonda da noite. A xícara
como uma pequena afirmação.
Tome o chá – casca de laranja seca, anis, ginseng; rooibos africano, chicória e hortelã—
Tesouros da Rota da Seda,
Campos e bosques distantes transformando-se em Especiarias do Mercado — as misteriosas andanças dos gavinhas enegrecidas.
Chegando a uma cozinha comum.
Reserve um breve momento da manhã — o sol iluminando a panela e a xícara; a chaleira, vermelha sobre o fogão branco — aproveite a água fervente.
O vapor perfumado cintila enquanto enche a panela.
Antes que o chá toque seus lábios, reserve um momento para sentir os séculos, as milhas se unindo.
Em suas mãos—suas mãos!
Aquelas xícaras macias e enrugadas que envolvem
argila queimada, segurando o vapor debaixo do nariz — aquelas mãos brilhantes pela idade, eloquentes.
de viagens, manhãs e anos — tudo convergindo.
– Catherine McGuire
Chá Break foi publicado anteriormente pela Raven Chronicles em maio de 2016.
A alcachofra
A alcachofra está no meu prato. Um vegetal que suscita debate.
O novato pode até sentar-se e eriçar-se quando lhe pedem para comer o cardo feio. Os desinformados desafiam todo o bom gosto.
E considero o botão um desperdício terrível.
Mas outros, como o conhecedor ou o grande gourmet, concordarão: a alcachofra de um verde encantador.
Não é um vegetal para ser menosprezado.
Raspar os dentes contra a folha traz uma alegria imensa, ainda que breve, e quando se morde o coração, a gastronomia se revela incomparável!
Agora, quanto a mim e a este debate...
Considero sensato abdicar.
– Joyce Holmes McAllister
Ode aos meus marcadores de livros de leões adormecidos
Temíveis antigos Reis da Selva, agora repousam em paz.
Seu dever desdentado: guardar as magníficas obras de Shakespeare.
Atos passados de matança e pilhagem para proteger seu covil, agora há muito esquecidos, inconscientes.
Seus lombos e jubas masculinas em suave repouso
enquanto você mantém ereta uma prateleira de prosa...
Nenhum rosnado penetrante surge para avisar ou defender; até mesmo os reis se calam no fim.
– Betty B. Brown
Este momento
Estou sorrindo porque
Um milhão de alternativas possíveis que teriam impedido este momento que estamos compartilhando não aconteceram.
Passagem segura por inúmeros cruzamentos
essa semana;
A ausência de calamidades desde o café da manhã;
Mil respirações recebidas na última hora, entregues na hora certa.
A tapeçaria do momento presente é completa e continuamente renovada, corajosa, sincera, crua e vibrante. Veja — aqui está ela, de novo!
– Howard Olivier
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Gratefulness in small things is the key to walking in harmony (beauty) - hozho naasha doo mitakuye oyasin. }:- ❤️ anonemoose monk