
Do blog do Instituto Fetzer:
Todos os anos, com a chegada da primavera, compartilhamos uma reflexão sobre a estação escrita por Parker Palmer. Em 1995, Parker escreveu uma mensagem de boas-vindas para o recém-construído centro de retiros do Instituto Fetzer, o Seasons, que incluía uma reflexão sobre cada uma das quatro estações. Aqui, apresentamos um trecho de suas reflexões sobre a primavera no Meio-Oeste Superior, região onde ele reside e onde o Instituto Fetzer está localizado. Embora as estações possam ser diferentes em sua região e o movimento das "estações internas" de Parker possa ser bastante distinto do seu, oferecemos suas reflexões na esperança de que você se sinta encorajado a explorar as estações de sua própria vida e trabalho.
Daqui a pouco vou falar com romantismo sobre a primavera e seus esplendores, mas primeiro preciso dizer uma dura verdade: antes de a primavera se tornar bela, ela é horrível, nada além de lama e lamaçal. Já caminhei no início da primavera por campos que sugam a água das botas, um mundo tão úmido e deprimente que dá vontade de voltar a congelar. Mas nessa lamaçal, as condições para o renascimento estão sendo criadas.
Adoro o fato de a palavra "húmus" — a matéria vegetal decomposta que alimenta as raízes das plantas — vir da mesma raiz que deu origem à palavra "humildade". É uma etimologia abençoada. Ela me ajuda a entender que os eventos humilhantes da vida, os eventos que deixam "lama no meu rosto" ou que "mancham meu nome", podem criar o solo fértil no qual algo novo pode crescer.
Embora a primavera comece lenta e timidamente, ela cresce com uma tenacidade que sempre me comove. Os brotos menores e mais tenros insistem em abrir caminho, brotando de um solo que, poucas semanas antes, parecia impenetrável para qualquer crescimento. Os crocos e os galantos não florescem por muito tempo. Mas sua mera aparição, por mais breve que seja, é sempre um prenúncio de esperança, e a partir desses pequenos começos, a esperança cresce exponencialmente. Os dias ficam mais longos, os ventos mais quentes e o mundo volta a ficar verde.
Na minha própria vida, à medida que o inverno dá lugar à primavera, não só tenho dificuldade em lidar com a lama, como também em acreditar nos pequenos prenúncios de uma vida maior que está por vir, em ter esperança até que o resultado seja certo. A primavera me ensina a procurar com mais atenção os brotos verdes da possibilidade: a intuição que pode se transformar em uma percepção maior, o olhar ou o toque que pode descongelar uma relação congelada, o ato de bondade de um estranho que faz o mundo parecer hospitaleiro novamente.
A primavera em seu auge não é fácil de descrever. O final da primavera é tão exuberante que chega a se caricaturar, razão pela qual há muito tempo é domínio de poetas com mais paixão do que habilidade. Mas talvez esses poetas tenham razão. Talvez devamos nos entregar a essa exuberância, compreender que a vida nem sempre deve ser medida e controlada como o inverno nos obriga a fazer, mas sim vivida de tempos em tempos em uma explosão de cores e florescimento.
O final da primavera é a época do potlatch no mundo natural, uma grande dádiva de florescimento que transcende toda necessidade e razão – aparentemente, realizada sem outro propósito além da pura alegria. O dom da vida, que parecia ter sido retirado no inverno, é concedido mais uma vez, e a natureza, em vez de guardá-lo, o distribui por completo. Há aqui outro paradoxo, conhecido em todas as tradições de sabedoria: se você recebe um presente, você o mantém vivo não se apegando a ele, mas sim o compartilhando.
É claro que os realistas dirão que a prodigalidade da natureza sempre tem alguma função prática, e isso pode muito bem ser verdade. Mas desde que li Annie Dillard sobre a imoderação das árvores, tenho me questionado. Ela começa com um exercício mental para nos ajudar a entender o quão supérflua uma árvore comum pode ser em termos de design – se você duvida, ela sugere, tente fazer uma maquete em escala fiel da próxima árvore que você vir. Então, provocando os realistas, ela escreve:
Você é Deus. Você quer criar uma floresta, algo para reter o solo, capturar a energia solar e liberar oxigênio. Não seria mais simples apenas espalhar uma camada de produtos químicos, um hectare verde de lama?
Das abundantes semeaduras do outono à grande dádiva da primavera, a natureza nos ensina uma lição constante: se quisermos salvar nossas vidas, não podemos nos apegar a elas, mas devemos vivê-las com entrega total. Quando estamos obcecados com resultados financeiros e produtividade, com a eficiência do tempo e do movimento, com a relação racional entre meios e fins, com a projeção de metas razoáveis e a busca incessante por elas, parece improvável que nosso trabalho algum dia dê frutos plenos, improvável que algum dia conheçamos a plenitude da primavera em nossas vidas.
E de onde tiramos essa metáfora da "linha reta"? Basta observar as abelhas trabalhando na primavera. Elas voam por todos os lados, flertando tanto com as flores quanto com seus destinos. Obviamente, as abelhas são práticas e produtivas, mas nenhuma ciência pode me convencer de que elas não estejam também se satisfazendo.
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3 PAST RESPONSES
Still a perennial favorite 💜🌺🌸
}:- ❤️ Favorites here . . .
Oh Parker Palmer, your profound pondering and perceptive perspection was exactly what I need this mucky morning. Thank you. Let's play in the marvelous messy mud together!