Diariamente testemunhamos a brutalidade da guerra e as atrocidades, e podemos nos sentir desesperançosos ou duvidar que qualquer ação individual possa ter um impacto positivo. O Dia Internacional da Paz foi celebrado recentemente, então este pode ser um bom momento para refletirmos sobre como nossa gratidão pode fazer a diferença.
Adoro o ditado Zen:
Se houver luz na alma,
Existe beleza na pessoa,
Se houver beleza na pessoa,
Haverá harmonia na casa,
Se houver harmonia na casa,
Haverá ordem na nação,
Se houver ordem na nação,
Haverá paz no mundo.
Para alcançarmos a paz mundial, precisamos primeiro nos perguntar se a forma como pensamos, dizemos e fazemos pode realmente fazer a diferença. Esta não é uma pergunta trivial. Precisamos questioná-la antes de tudo para que a gratidão tenha relevância e se torne uma força transformadora.
A gratidão ilumina a alma porque revela nossa interconexão uns com os outros. Ela nos desperta imediatamente para o que recebemos uns dos outros. Isso se estende além de nossas conexões imediatas com pessoas que conhecemos pessoalmente, incluindo uma ampla gama de pessoas que contribuem para o nosso mundo. Por exemplo, simplesmente refletir sobre a gratidão pelo arroz que vamos comer nas refeições pode expandir nossa consciência sobre aqueles que plantaram o arroz na Índia e, em seguida, sobre aqueles que o colheram, transportaram e venderam. Milhares de pessoas poderiam receber nossa gratidão dessa forma.
Essa sensação de interconexão ilumina a 'luz da nossa alma' porque nos tira do individualismo e da separação, levando-nos a reconhecer nossa absoluta dependência dos outros. Isso pode nos tornar menos indiferentes à dor sem sentido infligida a outros. O filósofo Emmanuel Levinas argumentou que é a sensação de interconexão que se faz necessária para assumirmos a "responsabilidade radical" pelo outro, essencial para agirmos eticamente e nos comportarmos verdadeiramente como seres humanos.
Uma das maneiras mais eficazes de retribuir é reconhecer aos outros o que recebemos deles.
Quando reconhecemos o que recebemos de outra pessoa, isso gera uma força motivadora que nos impulsiona a retribuir. Uma das maneiras mais poderosas de retribuir é reconhecer aos outros o que recebemos deles. Isso leva ao que a antropóloga social Margaret Visser descreve como "reconhecimento" – o reconhecimento do valor do outro em sua própria humanidade, por meio da expressão de gratidão.
Por exemplo, se formos à mercearia da esquina e o dono parecer cansado às 21h, depois de um longo dia de trabalho, poderíamos dizer algo como: “Agradeço muito o seu esforço em manter a mercearia aberta até tão tarde, para que eu possa comprar este leite”. Parece um gesto tão pequeno, mas que pode ter um impacto enorme num mundo onde esse comerciante é visto como alguém que está ali apenas para prestar um serviço transacional, e, portanto, não merecedor dos nossos agradecimentos. Cada vez que expressamos gratidão genuína, estamos a basear as nossas relações menos em transações e mais num sentimento de apreço por termos recebido algo de outra pessoa. Como diz o sociólogo Georg Simmel, a gratidão proporciona a coesão moral da humanidade.
Mais importante ainda, ela nos ensina que não podemos dar a nós mesmos a afirmação – esse reconhecimento por meio da gratidão. Ela precisa ser dada por outros.
Quando as pessoas se sentem reconhecidas pela gratidão expressa por outros, elas se sentem mais valorizadas. Margaret Visser nos diz que isso é essencial para o nosso senso de pertencimento, identidade e relacionamentos. Mais importante ainda, ela nos ensina que não podemos nos autoafirmar — esse reconhecimento por meio da gratidão. Ele precisa vir de outras pessoas.
A gratidão também lança luz sobre o estado que lhe é oposto: o ressentimento. As palavras que usamos em relação aos outros são pontos-chave para refletirmos se elas surgem do ressentimento ou da gratidão. Se nos pegarmos falando mal pelas costas, fofocando ou depreciando, estamos fazendo o oposto de reconhecimento ou interconexão. Estamos nos separando e nos dividindo dos outros, desvalorizando-os.
No cerne da maioria das guerras e atrocidades está o ressentimento que guardamos em nossos corações. Nossa reflexão sobre como poderíamos agir de forma diferente da próxima vez não apenas nos reconduz à gratidão e à integridade pessoal, mas também é um passo crucial rumo à paz mundial. Estamos assumindo uma "responsabilidade radical". Nossa própria gratidão pode fazer a diferença.
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A GORGEOUS article! I am moved by the beauty of it. Just shared with the members in my Facebook group "Attitude of Gratitude with Chronic Pain" as well as the support page for my blog "Gratitude Addict." Gratitude DOES bring connectedness and beauty. When we cultivate and embrace gratitude and stop feeling entitled, we can begin to work on the solutions to our problems, rather than contributing to them. Thank you for this beautiful piece.
Agreed that expressing our gratitude towards others and what we have received can go a long way to creating more peace and harmony.