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Um Passeio De Inverno: Um Excerto

A maravilhosa pureza da natureza nesta época do ano é um fato encantador. Cada toco apodrecido, cada pedra e cerca coberta de musgo, e cada folha morta do outono, estão ocultos por um manto limpo de neve. Nos campos nus e nos bosques sussurrantes, veja que virtude sobrevive. Nos lugares mais frios e desolados, as mais calorosas benevolências ainda se mantêm firmes. Um vento frio e penetrante afasta toda contaminação, e nada pode resistir a ele, exceto o que possui virtude; e, consequentemente, tudo o que encontramos em lugares frios e desolados, como os cumes das montanhas, respeitamos por uma espécie de inocência robusta, uma resistência puritana. Tudo o mais parece ser chamado para dentro em busca de abrigo, e o que permanece do lado de fora deve fazer parte da estrutura original do universo e possuir uma bravura comparável à do próprio Deus. É revigorante respirar o ar purificado. Sua maior delicadeza e pureza são visíveis aos olhos, e gostaríamos de ficar ao ar livre até tarde da noite, para que os ventos fortes também soprassem através de nós, como sopram através das árvores sem folhas, e nos preparassem para o inverno: como se esperássemos assim absorver alguma virtude pura e firme, que nos sustentaria em todas as estações.

Há um fogo subterrâneo adormecido na natureza que nunca se apaga e que nenhum frio consegue extinguir. Ele finalmente derrete a grande quantidade de neve e, em janeiro ou julho, fica apenas coberto por uma camada mais espessa ou mais fina. No dia mais frio, ele flui para algum lugar, e a neve derrete ao redor de cada árvore. Este campo de centeio de inverno, que brotou no final do outono e agora dissolve rapidamente a neve, é onde o fogo está coberto por uma fina camada. Sentimo-nos aquecidos por ele. No inverno, o calor representa toda virtude, e recorremos em pensamento a um riacho murmurante, com suas pedras nuas brilhando ao sol, e a fontes termais na mata, com a mesma avidez que coelhos e rouxinóis. O vapor que sobe dos pântanos e charcos é tão querido e familiar quanto o da nossa própria chaleira. Que fogo poderia jamais igualar o sol de um dia de inverno, quando os ratos-do-campo saem junto aos muros e o chapim-de-cabeça-preta chilreia nos desfiladeiros da mata? O calor vem diretamente do sol e não é irradiado da terra, como no verão; e quando sentimos seus raios em nossas costas enquanto caminhamos por algum vale nevado, somos gratos como por uma gentileza especial e abençoamos o sol que nos acompanhou até aquele lugar.

Este fogo subterrâneo tem seu altar no peito de cada homem, pois no dia mais frio e na colina mais desolada, o viajante acalenta um fogo mais quente nas dobras de sua capa do que qualquer fogo aceso em qualquer lareira. Um homem saudável, de fato, é a plenitude das estações, e no inverno, o verão reside em seu coração. Ali está o sul. Para lá migraram todos os pássaros e insetos, e ao redor das fontes termais em seu peito se reúnem o pisco-de-peito-ruivo e a cotovia.

Finalmente, tendo alcançado a orla da mata e nos desvencilhado da cidadezinha, adentramos seu refúgio ao passarmos sob o telhado de uma cabana e cruzarmos seu limiar, todo forrado e coberto de neve. Eles ainda são alegres e aquecidos, tão afáveis ​​e joviais no inverno quanto no verão. Enquanto permanecemos em meio aos pinheiros, sob a luz tênue e irregular que mal penetra em seu labirinto, nos perguntamos se as cidades já ouviram falar de sua simples história.

Parece-nos que nenhum viajante jamais as explorou, e apesar das maravilhas que a ciência revela diariamente em outros lugares, quem não gostaria de ouvir suas histórias? Nossas humildes aldeias na planície são sua contribuição. Tomamos emprestado da floresta as tábuas que nos abrigam e os galhos que nos aquecem. Quão importante é sua vegetação perene para o inverno, aquela parte do verão que não murcha, o ano permanente, a grama que não seca. Assim, de forma simples e com pouco custo de altitude, a superfície da Terra se diversifica. O que seria da vida humana sem as florestas, essas cidades naturais? Do alto das montanhas, elas parecem gramados lisos e aparados, mas para onde caminharíamos senão por essa grama mais alta?

Nesta clareira coberta por arbustos que cresceram durante um ano, veja como o pó prateado repousa sobre cada folha e galho queimado, depositado em formas tão infinitas e luxuosas que, por sua própria variedade, compensam a ausência de cor. Observe os minúsculos rastros de ratos ao redor de cada caule e as pegadas triangulares do coelho. Um céu puro e elástico paira sobre tudo, como se as impurezas do céu de verão, refinadas e reduzidas pelo frio casto do inverno, tivessem sido separadas dos céus e depositadas na terra.

Nesta estação, a natureza confunde suas distinções de verão. Os céus parecem estar mais próximos da terra. Os elementos são menos reservados e distintos. A água se transforma em gelo, a chuva em neve. O dia não passa de uma noite escandinava. O inverno é um verão ártico.

Quão mais viva é a vida que existe na natureza, a vida peluda que ainda sobrevive às noites gélidas e, em meio a campos e bosques cobertos de geada e neve, vê o sol nascer.

"Os ermos sem comida"
"Derrame fora seus habitantes morenos."

O esquilo cinzento e o coelho são ágeis e brincalhões nos vales remotos, mesmo na manhã fria de sexta-feira. Aqui estão nossos lapões e labradores, e para nossos esquimós e knistenaux, índios de costelas de cachorro, novazemblaitas e spitzebrenses, não há também o cortador de gelo e o lenhador, a raposa, o rato-almiscarado e o vison?

Ainda assim, em pleno dia ártico, podemos traçar o verão até seus recuos e simpatizar com alguma vida contemporânea. Estendidas sobre os riachos, em meio aos prados cobertos de gelo, podemos observar as cabanas subaquáticas dos tricópteros, as larvas dos Plicipennes. Seus pequenos casulos cilíndricos, construídos ao seu redor, compostos de bandeiras, gravetos, grama e folhas secas, conchas e seixos, em forma e cor como os destroços que se espalham pelo fundo — ora à deriva sobre o fundo pedregoso, ora girando em pequenos redemoinhos e despencando em quedas íngremes, ora sendo levadas rapidamente pela corrente, ora balançando para lá e para cá na ponta de alguma folha de grama ou raiz. Em breve, eles deixarão suas habitações submersas e, rastejando pelos caules das plantas ou até a superfície, como mosquitos, como perfeitos insetos daqui em diante, esvoaçarão sobre a superfície da água ou sacrificarão suas curtas vidas na chama de nossas velas ao entardecer. Lá embaixo, naquele pequeno vale, os arbustos se curvam sob o peso, e as bagas vermelhas do amieiro contrastam com o solo branco. Aqui estão as marcas de miríades de pés que já estiveram por ali. O sol nasce tão altivo sobre tal vale quanto sobre o vale do Sena ou do Tibre, e parece ser a morada de uma bravura pura e autossuficiente, como jamais testemunharam; que jamais conheceu a derrota nem o medo. Aqui reinam a simplicidade e a pureza de uma era primitiva, e uma saúde e esperança muito distantes das vilas e cidades.

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COMMUNITY REFLECTIONS

1 PAST RESPONSES

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Kristin Pedemonti Mar 19, 2018

Thank you for such a wonderfully meditative, descriptive walk after a weekend of contemplating the importance of precise language, this reading was the perfect cementing of our need to use the "right" word in our own Storytelling to take our audience on the walk, the journey with us!