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Ele Comprou Uma Casa De 500 dólares Em Detroit. Mas Nunca Foi Sobre a casa.

Um jovem branco se mudou para um bairro negro para consertar uma casa em ruínas e descobriu o que realmente transcende as diferenças.

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Como um jovem branco sem fé na política pode encontrar um caminho para contribuir de forma significativa na luta pela justiça racial e de classe, bem como na cura daquilo que divide o povo dos Estados Unidos? De muitas maneiras, esse é o tema da autobiografia de Drew Philp, um jovem branco da geração Y que dedica sua vida a comprar, reformar e morar em uma casa abandonada em um bairro pobre e negro de Detroit, cidade prestes a falir.

A cena mais comovente de "Uma Casa de 500 Dólares em Detroit" começa quando um vizinho e amigo de Philp chega em uma caminhonete e o convida para entrar. "A casa dos Terry vai a leilão", diz seu amigo Woods, outro homem branco, mas que tem a vantagem de ter se mudado para o bairro cerca de 20 anos antes.

Os Terrys são vizinhos negros que moram atrás da casa de Philp. A Sra. Terry foi uma das primeiras na vizinhança a estender a mão da amizade a Philp. Agora, Woods conta a Philp que seu marido idoso tem demência e, sem que ela soubesse, atrasou os pagamentos da hipoteca. A Sra. Terry nem sequer sabe que a casa de sua família está prestes a ser leiloada pelo banco (uma em cada quatro casas em Detroit já foi alvo de execução hipotecária).

Ali, na cabine da caminhonete, Philp pergunta: "Quando você vai contar para ela?" Os leitores ficam se perguntando por um momento se Philp simplesmente não vai ignorar o problema da vizinha.

Uma em cada quatro casas em Detroit já foi alvo de execução hipotecária.

Woods responde: “Eu queria falar com você primeiro. Tenho uma ideia. Você tem algum dinheiro?” Woods está preparando o terreno para testar a sinceridade de Philp. Será que Philp está apenas reconstruindo uma casa ou ele é realmente parte integrante da comunidade que busca reconstruir e curar Detroit? Porque, se for a segunda opção, ignorar os problemas do vizinho não é uma possibilidade.

A amizade entre Philp e a afável Sra. Terry, cuja família vive no bairro há gerações, é um tema importante na história de Philp. O relacionamento começou quando a Sra. Terry, depois de ver Philp suando em seus esforços de reconstrução, acenou para ele e lhe ofereceu uma garrafa de Gatorade gelado. Ela o convida para um churrasco em família, mas ele não vai porque se sente constrangido por ser visto como um intruso branco em um bairro negro, e ela o repreende por não comparecer. De certa forma, ela se torna seu comitê de boas-vindas no bairro, e Philp logo se torna a única pessoa branca nas reuniões familiares dela.

Até Philp ficar sabendo da execução hipotecária, seu relacionamento com a Sra. Terry é simplesmente uma história comovente sobre a lenta superação das barreiras interpessoais de raça e classe entre vizinhos. Agora, porém, a questão para Philp é se ele é realmente um vizinho no sentido de "tratar o próximo como a si mesmo" ou se é apenas um turista branco, liberal e bem-intencionado (mais ou menos) que se aproveita da pobreza?

“A política já não ia resolver as coisas.”

Para piorar a situação, o próprio Philp está com pouco dinheiro. Ele mora na casa abandonada que comprou por 500 dólares. Quando ele se mudou, a casa estava cheia de lixo de ocupantes ilegais e, por alguns anos, ele sobreviveu sem aquecimento e água encanada, fazendo bicos para juntar o dinheiro necessário para reformá-la.

O que ele estava fazendo lá? Para participar da “semente de algo totalmente novo e revolucionário para as áreas urbanas”, escreve ele. Ele nos lembra da devastação de Detroit, da perda de sua democracia para administradores nomeados pelo estado, do escoamento de sua riqueza dos moradores negros diretamente para banqueiros brancos.

Philp escreve sobre como os millennials tiveram sua vitória na eleição de seu homem — Obama — “e ele nos decepcionou” (porque, escreve Philp, ninguém no planeta poderia desfazer o que havíamos feito coletivamente ao longo das décadas). “A política não iria mais consertar as coisas. Teríamos que fazer isso nós mesmos.”

Claro, isso não é totalmente verdade. A política faz parte da solução, mas apenas parte dela. Outra parte da solução é como escolhemos viver enquanto cultura. A forma como vivemos enquanto cultura é determinada pela combinação de como escolhemos viver enquanto indivíduos. E, enquanto indivíduo, Philp queria fazer parte do grupo de pessoas que tentavam reconstruir Detroit.

Existe potencial para que todos nós nos transformemos de forma significativa.

Existem, é claro, muitos livros de autores negros que são muito mais importantes e merecedores de atenção quando se trata de histórias sobre o empoderamento de comunidades negras. Mas não acho que seja esse o tema do livro de Philp. Trata-se de um homem branco tentando encontrar um lugar útil na luta interracial, interclassista, interétnica, intergênero e intersexual por justiça, igualdade e — sim — amor.

Após o primeiro inverno rigoroso e sem aquecimento em sua casa, Philp percebe que seu objetivo não era construir uma nova casa. Era transformar a si mesmo construindo uma nova casa. "O objetivo não era construir uma nova cidade. Era transformar a nós mesmos construindo uma nova cidade."

É a sugestão de que todos nós temos potencial para nos transformarmos de forma significativa que torna tão comovente o momento em que Woods chega à casa de Philp e o desafia a esquecer suas parcas economias para consertar a casa e, em vez disso, usá-las para ajudar a Sra. Terry.

Não vou estragar o final para você. Mas vou lhe contar o porquê do que acontece. O que Philp faz não é porque ele é um jovem branco idealista que quer se livrar da vergonha de seus privilégios ajudando pessoas negras. É porque, depois de todos aqueles dias de inverno sem aquecimento, todo aquele trabalho, todos aqueles churrascos e toda aquela jornada em meio às diferenças e à busca por pontos em comum, Philp e a Sra. Terry se tornaram amigos.

O livro de Philp nos dá um vislumbre de um mundo salvo não por tentar fazer a coisa certa, mas por fazer a coisa certa porque nos esforçamos para transcender nossas diferenças e para nos conhecermos e nos importarmos uns com os outros, independentemente das fronteiras — inclusive as que separam nossos quintais. Certamente não é a solução completa, mas sei que faz parte dela.

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COMMUNITY REFLECTIONS

1 PAST RESPONSES

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Kristin Pedemonti Nov 4, 2017

Here's to healing the divide.