Muitos dos meus amigos detestam seus empregos. Eles reclamam de empregadores que os tratam como máquinas — ali para produzir o que for preciso, independentemente do custo para sua motivação, criatividade ou saúde. Seus chefes parecem esperar que trabalhem longas horas e fiquem grudados no celular à noite, mas demonstram pouco apreço ou, pior, os controlam excessivamente. Ninguém gosta disso; mas que alternativas existem quando os empregadores têm prazos a cumprir ou produtos a desenvolver?
Perigree, 2014, 352 páginas
Segundo o psicólogo Ron Friedman, há muitas maneiras de melhorar o ambiente de trabalho. Em seu novo livro, "The Best Place to Work: The Art and Science of Creating an Extraordinary Workplace" (O Melhor Lugar para Trabalhar: A Arte e a Ciência de Criar um Ambiente de Trabalho Extraordinário), Friedman, psicólogo e consultor empresarial, sintetiza décadas de pesquisa sobre motivação, criatividade e desempenho para oferecer a líderes empresariais e seus funcionários dicas úteis para reestruturar ambientes de trabalho, visando aumentar a inovação, a eficiência e até mesmo a satisfação no trabalho.
Algumas das sugestões de Friedman podem surpreender quem não está familiarizado com a ciência e podem parecer até mesmo contraintuitivas. Por exemplo, ele sugere que as empresas que desejam ser bem-sucedidas e estar na vanguarda da inovação precisam aceitar o fracasso em seus funcionários. Isso mesmo, o fracasso. "Aceitar o fracasso não apenas facilita a tomada de riscos", escreve ele. "Em um número surpreendente de casos, é o único caminho confiável para o sucesso."
Essa ideia vem de pesquisas sobre criatividade que mostram que as soluções criativas geralmente não surgem do brilhantismo individual, mas sim da liberdade que as pessoas têm para experimentar diversas soluções e descobrir qual funciona melhor. Mas quem consegue ser criativo na resolução de problemas quando está estressado ou com medo de represálias do chefe? Literalmente, esgotamos os recursos cognitivos do nosso cérebro quando estamos em modo de "luta ou fuga" induzido pela ansiedade. Por isso, é fundamental que os empregadores permitam que seus funcionários falhem e aprendam com seus erros: esse é o caminho para a inovação.
Friedman faz várias outras sugestões instigantes para empregadores que desejam se destacar. Por exemplo, ele sugere que incentivem os funcionários a cultivar interesses externos durante o expediente ou a fazer pausas frequentes, ou até mesmo cochilos curtos, no trabalho. Ambos os hábitos comprovadamente ajudam as pessoas a expandir seus horizontes e a fazer conexões cognitivas, o que é importante para a inovação e a eficiência no trabalho. E, para os funcionários que desejam aumentar sua satisfação no trabalho, pedir mais desafios e variedade nas tarefas ou praticar a gratidão pode fazer uma grande diferença em sua felicidade e produtividade.
“Com o tempo, o foco contínuo no que está faltando treina nossa mente a se concentrar no negativo”, escreve Friedman. “Mas, ao dedicarmos um momento para redirecionar nossa atenção para as coisas que estão dando certo… restauramos o equilíbrio em nossos pensamentos, o que eleva nosso humor e impede que emoções negativas como ressentimento, inveja e arrependimento se instalem.”
Além disso, ele sugere que os empregadores desafiem os funcionários sem sobrecarregá-los e os capacitem a encontrar a melhor abordagem para realizar o trabalho (o que pode significar um horário flexível ou trabalho remoto). Ele também oferece dicas para os empregadores gerenciarem o humor (importante, já que o humor é contagioso) e para agradecer aos funcionários de maneiras que aumentem, em vez de destruírem, a motivação.
De modo geral, Friedman recomenda o fomento de três elementos para melhores ambientes de trabalho: autonomia (os funcionários terem mais controle sobre seu trabalho), competência (os funcionários terem as ferramentas necessárias para o sucesso) e relacionamento (fortes laços sociais no trabalho). Embora o relacionamento possa ser o aspecto mais negligenciado do engajamento dos funcionários, pesquisadores que estudam os fatores preditivos da produtividade no ambiente de trabalho descobriram que ter um melhor amigo no trabalho traz muitos benefícios, incluindo o aumento do foco, da paixão e da lealdade do funcionário, além da redução do absenteísmo por doença e dos acidentes de trabalho.
Como incentivar amizades no trabalho? “Proximidade, familiaridade, semelhança e autodescoberta desempenham um papel importante”, escreve Friedman. “O segredo é criar as condições que naturalmente fomentem esses elementos e integrá-los ao ambiente de trabalho.” Ele sugere que os empregadores paguem por atividades que reúnam os funcionários em uma atividade compartilhada, como participar de uma aula de ioga ou trabalhar juntos em um projeto comunitário, ou criem salas de descanso ou outros espaços comuns para que isso aconteça naturalmente.
Mas, embora nossas redes sociais sejam importantes e devam ser cultivadas, Friedman alerta contra o incentivo à fofoca no ambiente de trabalho, que pode ter impactos prejudiciais para os negócios. Embora possa ser tentador simplesmente proibir a fofoca, Friedman sugere que os empregadores tentem usá-la como uma forma de entender o que está acontecendo nas relações interpessoais no trabalho. A fofoca geralmente indica que alguém se sente impotente em uma situação ou precisa de ajuda e incentivo para ter sucesso, escreve ele, e os empregadores fariam bem em dar o exemplo de transparência e disposição para ouvir, em vez de proibir a fofoca ou, pior, participar dela.
A principal mensagem de Friedman é que os locais de trabalho têm muito espaço para melhorias e que prestar atenção ao que aprendemos com a ciência é uma boa ideia. O antigo modelo fabril de eficiência no local de trabalho — em que se espera que cada trabalhador, engrenagem do sistema, faça o que lhe é dito, sem entender como está contribuindo ou ter poder para controlar seus esforços — está ultrapassado em nossa economia da informação. Em vez disso, os empregadores precisam encontrar maneiras de incentivar seu ativo mais importante — seus funcionários — e promover estrategicamente maior inovação, produtividade e harmonia no ambiente de trabalho.
“Quando oferecemos aos funcionários a flexibilidade para terem sucesso tanto na vida pessoal quanto na profissional, conquistamos mais do que um ambiente de trabalho extraordinário”, escreve ele. “Criamos uma organização que atinge seu máximo potencial.”

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