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Por Que Os líderes Precisam Desenvolver Uma Autoestima autêntica

Ao longo dos anos, tivemos uma relação de amor e ódio com a autoestima, escreve Homaira Kabir. Houve um tempo em que acreditávamos que a autoestima era o caminho mais fácil para o sucesso. Tínhamos Stuart Smalley no Saturday Night Live nos fornecendo afirmações diárias para nos fazer sentir especiais. Tentávamos reforçar isso em nossos filhos, dizendo-lhes o quão excepcionais eles eram quando falhavam.

No entanto, estudos posteriores mostraram que tais aumentos na autoestima pouco contribuíam para nossa felicidade ou desempenho, mas eram suficientes para alimentar nosso ego. O trabalho do professor Roy Baumeister sobre autoestima demonstrou que estávamos criando uma geração de narcisistas que causaram estragos em suas vidas e em seus locais de trabalho.

Agora parece que estávamos construindo o tipo errado de autoestima – aquela que depende de fatores externos como aprovação social, sucesso ou atratividade. E, como demonstrou a professora Kristen Neff, isso tem um preço. Sentir-se melhor consigo mesmo por meio da comparação social faz com que nossa autoestima caia drasticamente sempre que alguém mais popular, bem-sucedido ou atraente cruza nosso caminho. E, no mundo globalizado e competitivo em que vivemos, isso também nos predispõe à competição negativa, a comportamentos antiéticos e à falta de empatia.

No entanto, a autoestima autêntica é diferente. É um sentimento de valor próprio, de reconhecimento das nossas habilidades e qualidades. Como tal, não depende de avaliações externas – em vez disso, é uma segurança interior que nos dá a coragem de enfrentar o mundo e fazer o que é certo. E pesquisas mostram que pessoas com esse tipo de autoestima levam vidas felizes e produtivas, sendo capazes de lidar eficazmente com desafios e alcançar seu pleno potencial.

Isso é especialmente importante para os líderes de hoje. Em um mundo cada vez mais incerto, ter um senso de autoestima que deriva do fato de sermos seres humanos dignos de respeito leva a decisões corajosas, mesmo que nem sempre sejam aprovadas por outras pessoas. Também leva a investir energia nas pessoas e em seu desenvolvimento, em vez de se sentir superior e infalível, e proteger uma autoestima fragilizada.

Uma habilidade de resiliência

Líderes com autoestima genuína partem de um lugar de congruência, onde suas atividades diárias estão atreladas a objetivos significativos de longo prazo. Fracassos momentâneos são encarados com serenidade, enquanto incentivam suas equipes a continuarem buscando um propósito maior que lhes traga esperança e significado. O trabalho do Dr. Richard Davidson em neurociência demonstra que a capacidade de se recuperar da adversidade por meio de uma perspectiva positiva fortalece a estrutura neural da resiliência e leva ao bem-estar.

Uma Cultura de Compaixão

A autoestima autêntica e a autocompaixão caminham juntas. Pessoas que aceitam com compaixão suas imperfeições são tolerantes com as dos outros. Dessa forma, reconhecem uma humanidade comum e se sentem conectadas com os outros na experiência da vida, em vez de criticarem suas falhas. Isso cria um ambiente onde os funcionários são motivados a fazer o que fazem de melhor, em vez de se esforçarem além de seus limites de tolerância e se desmotivarem no trabalho.

Uma prática de atenção plena

Líderes com alta autoestima conseguem estar presentes no momento, em vez de se preocuparem com ofensas pessoais percebidas, com a necessidade de estarem sempre certos e com outros comportamentos prejudiciais para proteger um ego inflado. Eles também conseguem apreciar o vasto fluxo da vida e, de tempos em tempos, adotar uma perspectiva que lhes permita retornar a um estado de equilíbrio quando presos em uma resposta ao estresse. Pesquisas mostram que essas habilidades são o que integram as fibras neurais do cérebro, conduzindo a uma maior sabedoria.

No entanto, existe uma ressalva. Para o bem ou para o mal, a autoestima autêntica se desenvolve nos primeiros anos de vida por meio das interações com nossos cuidadores principais. Quando essas interações não estão em sintonia com nosso mundo interior, crescemos com sentimentos de autoestima que dependem das influências externas que recebemos durante a infância. E estudos realizados nos últimos 30 anos, que levaram à teoria do apego, mostraram que, infelizmente, isso se aplica a mais da metade das pessoas.

A boa notícia é que as três qualidades da autoestima também a constroem. Quando praticamos as habilidades de resiliência, compaixão e atenção plena, saímos do que a professora Jennifer Crocker, que pesquisa esse conceito, chama de “sistema do ego” da autoestima contingente e entramos no “ecossistema” da autoestima autêntica.

E tem mais. Em seu livro Liderança Ressonante, os professores Richard Boyatzis e Annie McKee mostram como essas três características também são indispensáveis ​​para uma liderança compassiva. Elas não apenas extraem o melhor dos funcionários, mas também permitem que os líderes se sustentem diante das demandas implacáveis ​​do trabalho e da vida, renovando-se física, mental e emocionalmente.

Essa sim é uma espiral ascendente que vale a pena almejar!

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