Três princípios para ajudar você a evitar o esgotamento profissional e continuar trabalhando por um mundo melhor.

Graças aos eventos recentes, muitas pessoas se sentiram motivadas a marchar nas ruas, ligar para seus representantes no Congresso ou até mesmo criar arte de protesto. Pessoas que nunca se viram como ativistas agora sentem a necessidade de fazer algo. Ativistas veteranos enfrentam o desafio de um esforço renovado sem sofrer o esgotamento. Muitos de nós sentimos uma sensação de fadiga, após meses e meses de ameaças às liberdades civis, aos direitos humanos e à integridade de nossas instituições. Em um momento como este, todos precisamos saber como manter o ativismo a longo prazo.
A atenção plena oferece um caminho.
Para muitos de nós, a atenção plena é mais do que uma forma individualista de reduzir o estresse. Como ensina Thich Nhat Hanh, a busca pela paz começa dentro de nós mesmos, mas a contemplação leva à compaixão , e a compaixão envolve agir para lidar com o sofrimento. Esse trabalho para transformar o mundo por meio de mudanças sociais, políticas, econômicas ou ambientais é ativismo.
Aqui estão três princípios do ativismo sustentável, inspirados nos ensinamentos de Grace Lee Boggs , uma ativista que dedicou sua vida ao ativismo até seu falecimento em 2015, aos 100 anos. Boggs falava de uma revolução cultural na qual estamos transformando a maneira como nos vemos, como vemos o mundo ao nosso redor e nossas instituições. Ela defendia a construção de uma vida plena, e não apenas a busca pela sobrevivência, priorizando o sustento próprio, a educação dos filhos e a maior responsabilidade mútua e comunitária.
1. Ganhar vida
Pesquisas recentes mostram como muitas pessoas são motivadas pela busca de significado — e, para muitas delas, o ativismo é o trabalho mais intensamente significativo que jamais realizarão. Essa motivação surge da sensação de serem chamadas a fazer esse trabalho — e se mantém viva pela sensação de encontrar significado em sua atuação.
Boggs ensina que ativismo significa reconhecer que “nós somos os líderes” e que podemos ser a mudança que queremos ver no mundo. Isso não significa que assumimos toda a responsabilidade pela mudança sozinhos; significa que encontramos um papel a desempenhar. Existem muitas formas diferentes de ativismo, e cada pessoa pode contribuir de acordo com suas habilidades, pensando globalmente e agindo localmente.
Embora existam ativistas autodefinidos ou autoproclamados, todos, em sua prática diária, têm tanto a capacidade quanto a responsabilidade de mudar a maneira como nos relacionamos individual e coletivamente uns com os outros e com o nosso mundo social. A prática da atenção plena nos permite saber quem somos e o que podemos fazer, e então fazer.
Isso pode ser tão simples quanto praticar a respiração consciente , concentrando-se na sua respiração, inspirando e expirando, especialmente quando você estiver se sentindo particularmente estressado ou ansioso. Nada fará você se sentir mais consciente de estar vivo do que contar suas próprias respirações!
2. Conectar
As pesquisas até o momento indicam que a conexão social é o maior fator preditivo da felicidade pessoal — e o ativismo não é nada sem um senso de conexão. Ele se sustenta ao unirmos forças com outros na luta, o que nos lembra que não estamos sozinhos. De fato, estudos também sugerem que nossos sentimentos de conexão não apenas nos fazem sentir bem, como também nos levam a praticar boas ações.
Conectar-se com aqueles que percebemos como inimigos também é crucial. Devemos resistir à injustiça e resistir à separação destrutiva que criamos entre nós e os outros, dividindo as pessoas em "nós" e "eles".
A meditação mindfulness pode nos permitir ver os outros com clareza e ouvi-los profundamente, tornando-nos conscientes de nossas interconexões com todos os seres. Existe um tipo específico de meditação chamada amor-bondade, que pode ajudar a fortalecer esse senso de conexão, incluindo a compaixão por aqueles que consideramos inimigos ou que nos prejudicaram.
Conectar-se também significa não abandonar o sistema, mas sim nos vermos como parte dele. Boggs nos lembra que não se pode mudar nenhuma sociedade a menos que se assuma a responsabilidade por ela, a menos que se veja como pertencente a ela e responsável por mudá-la.
3. Cuidado
O ativismo nasce da preocupação — e nos chama a ampliar nossos círculos de compaixão para incluir todas as criaturas e a própria Terra.
Essa compaixão deve começar por nós mesmos. A autocompaixão consciente não significa se eximir da responsabilidade. Como ensinaram ativistas espirituais de diversas tradições — como Thomas Merton, Mahatma Gandhi e o Dalai Lama — cultivar a compaixão por nós mesmos é o que nos permite ser verdadeiramente compassivos com os outros. De fato, pesquisas sugerem que práticas de meditação mindfulness podem aumentar as respostas compassivas ao sofrimento. Essa mesma pesquisa fornece evidências de que a compaixão também nos motiva a agir no mundo.
Como argumentou o psicólogo Paul Ekman, a raiva tem seu lugar no ativismo. Mas a raiva não é sustentável; ela queima com intensidade demais para uma vida inteira. Boggs via o cuidado com o jardim, o autocuidado e o cuidado com os outros como formas de ativismo enriquecedor. Esses atos de cuidado são o que nos sustentarão nos momentos mais difíceis, como indivíduos e como sociedade.
Embora o ativismo exija coragem para agir com ousadia em prol da mudança social, também exige a aceitação daquilo que não podemos mudar. Precisamos de paciência e compreensão de que é uma jornada longa e que não somos os primeiros a tentar mudar o mundo. Construir um mundo pacífico e justo não é um evento isolado, mas um processo contínuo, atrelado a uma lenta mudança evolutiva. Práticas de mindfulness podem nos ajudar a permanecer presentes no momento, engajados na luta e gratos pela oportunidade de servir.
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Thank you for this reminder! Having just completed my first Compassionate Listening Training, I deeply resonate with Grace's advice and reiterate, it works! <3