“Esgotar-se é deixar a própria luz definhar até desaparecer. Como seres interdependentes, somos responsáveis por garantir que nossa chama seja alimentada.” - Jennifer Jean
Dou aulas de escrita poética há 13 anos, então as aulas agora são como água. São sempre divertidas e sempre aprendo com meus alunos, sejam eles do ensino fundamental, da pós-graduação ou idosos na biblioteca local. No entanto, quando recebi um telefonema, há dois anos, da diretora da Amirah, pedindo-me para ministrar um curso de poesia para sobreviventes do tráfico sexual em seu abrigo, eu sabia que precisaria de mais do que uma atitude corajosa e proativa. E, definitivamente, precisaria de mais do que mera experiência em ensino e conhecimento de escrita poética.
Esta seria a primeira vez que eu desenvolveria um currículo especializado e construiria confiança com um grupo vulnerável, muitas vezes invisível, de mulheres que lutavam para curar traumas psicológicos e físicos terríveis. Eu sabia que essa "primeira vez" seria um desafio emocionalmente intenso para mim! Há muito tempo eu percebia que me dedicava de corpo e alma ao voluntariado. Houve momentos em que fiquei tão envolvida com o voluntariado que negligenciei minha família e cheguei à exaustão total. Desta vez, prometi a mim mesma que agiria com mais consciência. O que acabei desenvolvendo (e ajustando ao longo do caminho) foi uma estratégia de autocuidado que me permitiu atender com sucesso as residentes da casa de acolhimento, evitando a exaustão do voluntariado.
PASSO 1
Regularizei minha vida de oração. Tanto a meditação quanto a oração sempre me mantiveram em contato com quem está no comando (o Divino, não o “eu”). E, durante essa experiência de ensino, essas práticas me ajudaram a manter clareza sobre meu propósito na casa de acolhimento (doar, não desesperar). Continuei a orar todas as noites com minha família, mas também passei a orar no carro antes de entrar na casa de acolhimento e depois de cada aula. Orei para que as mulheres se curassem e prosperassem, e orei para que eu pudesse servi-las da maneira que mais precisassem.
PASSO 2
Como alguns dizem, eu “desfiz minha bagagem”. Lidei com meus próprios desafios e realidades emocionais. Embora eu não seja uma sobrevivente do tráfico sexual, tive minhas próprias experiências ruins com abusadores e objetificadores. Trabalhei por anos com uma terapeuta para enfrentar, analisar e superar essas experiências. Mesmo assim, eu sabia que dar aulas na casa de acolhimento certamente despertaria sentimentos do meu passado, e sabia que esses sentimentos (geralmente raiva) se instalariam no meu corpo, me deixando tensa, doente, confusa, hipervigilante ou cansada. Para liberar essa energia estagnada, comprometi-me com uma prática regular de ioga e exercícios energéticos para o core. Minha prática nunca foi perfeita, mas mesmo as várias improvisações que consegui realizar me permitiram deixar a luz fluir por todo o meu corpo. Quando permiti que a luz, a respiração e o movimento entrassem no meu corpo, eu tinha algo além da raiva de onde me valer ao ministrar esse curso desafiador.
PASSO 3
Reservei um tempo para relaxar. As artes, como a poesia, envolvem principalmente pensamentos e emoções. Se eu não elaborasse um plano consciente após dar aulas de poesia no abrigo, era fácil me deixar levar e perder a cabeça. Se não tomasse cuidado, eu me afundava no desespero. Então, às vezes, depois da aula, eu me sentava em um Starbucks perto dali, comia chocolate e escrevia reflexões no meu diário. Eu precisava reconhecer quando meu trabalho voluntário me afetava, e aquele diário era um ótimo recipiente para minhas emoções e um excelente registro do meu progresso emocional. Com mais frequência, eu ia correr em um parque ou na esteira da YMCA. Energizar meu corpo era uma ótima maneira de me manter no presente, o que me permitia me conectar mais facilmente com a esperança. Independentemente de tudo, eu não ia direto para casa e interagia com minha família — meu objetivo era processar a experiência longe deles para não descarregar inadvertidamente nenhuma negatividade residual sobre eles.
PASSO 4
Cultivei uma rede de apoio. Como todos, tenho vários círculos de apoio. Para mim, estes incluem (sem ordem específica): minha família, especialmente meu marido e meu irmão; outros escritores e professores de poesia; outros voluntários da Amirah; amigos na fé; e minha incrível terapeuta. Quando eu dava aulas para as sobreviventes, fazia questão de interagir regularmente com essas pessoas. Mantinha contato com meu marido. Toda semana eu ligava para minha amiga na fé, Lenka, que mora na Califórnia. Também reservava um tempo para levar meus filhos para fazer atividades na natureza, para que pudéssemos rir juntos e relaxar. Esses eram momentos conscientes de conexão. Quando estamos conectados com os outros e presentes para os outros, a luz nos encontra e nos preenche. Quando deixamos a luz entrar, temos algo poderoso de onde extrair energia quando servimos aos outros.
Para ser honesta, não utilizei essas estratégias perfeitamente e comecei a aplicar algumas delas no meio do curso. Gostaria de ter começado minha prática atual de qigong naquela época, pois teria sido extremamente útil para liberar as emoções realmente cristalizadas que acabaram causando os poucos momentos de desespero que tive. Dito isso, enquanto me preparo para ensinar escrita terapêutica e poesia na Amirah nos próximos meses, sinto-me mais confiante em ser uma pessoa saudável que pode ajudar os outros a se curarem. Em outras palavras, estou confiante de que posso lidar com minha tendência à exaustão.
Esgotar-se significa deixar a própria luz definhar até desaparecer. Como seres interdependentes, somos responsáveis por garantir que nossa chama esteja sempre acesa. E devemos compartilhar essa chama com os outros.
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3 PAST RESPONSES
Thank you Jennifer for gentle reminders and 5 simple, practical practices to put into place <3
Good for us all, not just volunteers. ❤️
Thank you Jennifer for these excellent and very relevant tips for volunteers. Anytime volunteers work with vulnerable populations or traumatic circumstances, burnout lurks nearby. I especially love your closing statement. "To burn-out is to let one’s light languish until it disappears. As interdependent beings, we are responsible for making sure our flame is fueled. And we’re meant to share that flame with others."