A missão do Prison Mindfulness Institute é fornecer aos presos, funcionários e voluntários do sistema prisional as ferramentas mais eficazes e baseadas em evidências para reabilitação, transformação pessoal e desenvolvimento profissional. Em particular, o instituto oferece e promove o uso de intervenções baseadas em mindfulness (MBIs) comprovadamente eficazes. Seu foco duplo é transformar vidas individuais e o sistema prisional como um todo, a fim de mitigar seu impacto extremamente destrutivo sobre famílias, comunidades e o capital social da nossa sociedade.
O texto abaixo está disponível para download em formato PDF no site deles.
Composta pelo mestre budista Langri Tangpa (1054-1123), Oito
Versos para o Treinamento da Mente é um texto altamente reverenciado da tradição Mahayana Lojong (treinamento da mente). Estas instruções oferecem práticas essenciais para cultivar a mente desperta da compaixão, da sabedoria e do amor. Este lojong de oito versos consagra o próprio coração do Dharma, revelando a verdadeira essência do caminho Mahayana para a libertação. Mesmo uma única linha desta prática pode ser vista como a síntese de todo o ensinamento do Buda. Pois até mesmo uma única afirmação desta prática de treinamento da mente tem o incrível poder de nos ajudar a subjugar nosso comportamento egocêntrico e nossas aflições mentais.
O tema fundamental da prática do treinamento da mente é a profunda reorientação de nossa atitude básica, tanto em relação a nós mesmos quanto em relação aos nossos semelhantes, assim como em relação aos eventos ao nosso redor. O objetivo da prática do treinamento da mente é a transformação radical de nossos pensamentos, atitudes e hábitos. Atualmente, tendemos a priorizar nosso próprio bem-estar em detrimento do bem-estar dos outros. No entanto, o ensinamento do treinamento da mente nos desafia a inverter esse processo. Isso envolve uma profunda compreensão dos outros como verdadeiros amigos e o reconhecimento de que nosso verdadeiro inimigo reside dentro de nós mesmos, e não fora.
Ao praticarmos esses ensinamentos de Lojong no dia a dia, treinamos a mente para abraçar a realidade de uma forma completamente plena, sábia e compassiva. Essas excelentes práticas nos ajudam a purificar nossa negatividade e a despertar o coração, oferecendo-nos uma maneira de transformar adversidades, conflitos e dificuldades em oportunidades diretas de crescimento espiritual. Dessa forma, em vez de percebermos pessoas difíceis ou circunstâncias adversas em nossas vidas como obstáculos, tragédias ou punições, passamos a encarar essas experiências com profunda compaixão, sabedoria e habilidade, utilizando-as como prática concreta no caminho para a iluminação.
Por meio dessas práticas preciosas, eliminamos nossa natureza competitiva, egoísta e emocionalmente reativa, bem como nossos conceitos falsos e exagerados de nós mesmos (também chamados de apego e autovalorização). É importante compreender que a ganância, o ciúme, a raiva, o orgulho, o egoísmo e o apego, que nos causam tanto sofrimento, são, na verdade, percepções distorcidas da realidade, e não condições inerentes à nossa mente. Portanto, essas práticas preciosas de lojong podem purificar completamente nossas percepções distorcidas e ilusões, revelando o brilho natural, a clareza, a sabedoria e a compaixão de nossa verdadeira natureza.
Com o desejo sincero e a determinação de alcançar a iluminação para o bem-estar de todos os seres vivos, que são mais preciosos do que uma joia que realiza desejos para atingir o objetivo supremo, que eu sempre os aprecie e os guarde com carinho.
Verso I - Amar e cuidar dos outros é a fonte de toda a felicidade.
Valorizar a nós mesmos em detrimento dos outros é a origem de todo o sofrimento e das condições negativas deste mundo. Portanto, nossa determinação em alcançar a iluminação deve sempre ser motivada pelo nosso desejo sincero de servir ao bem-estar de todos os seres vivos. A conquista da iluminação é o objetivo supremo. Nossa iluminação provém do cultivo da bodhichitta (a mente desperta do amor, da compaixão e da sabedoria). A bodhichitta surge da nossa compaixão mais profunda. Para desenvolver essa compaixão e alcançar o objetivo supremo, precisamos dos outros. Dessa forma, todos os seres vivos são a principal fonte para o nosso desenvolvimento espiritual e para a realização do objetivo supremo da iluminação. Além disso, em algum momento, cada um de nós foi e será uma fonte de grande bondade e benefício para os outros. A imensa bondade de todos os seres vivos é parte integrante da nossa própria existência humana. Considerando isso, podemos compreender como os seres vivos são ainda mais preciosos do que uma joia que realiza desejos e que devemos sempre valorizá-los e prezá-los.
Sempre que estiver com outras pessoas, que eu me considere o mais humilde de todos e que, do fundo do meu coração, eu respeite e considere os outros como supremos .
Versículo 2 - Este versículo nos convida a treinar a mente na verdadeira humildade, eliminando nossa arrogância e orgulho habituais, 'considerando-nos os mais humildes de todos'. Isso certamente não sugere que nos menosprezemos; devemos ter autoestima e autoconfiança. Em vez disso, é oferecida uma prática para domar nosso senso exagerado de autoimportância e cultivar a verdadeira humildade e o respeito pelos outros. Os males da arrogância, da superioridade, do orgulho e da competitividade criam desarmonia entre as pessoas e nos impedem de aprender e evoluir. Portanto, ao considerarmos os outros como superiores com respeito, tornamo-nos mais humildes, gentis e abertos. Isso naturalmente traz harmonia e compaixão para nossos relacionamentos e nos permite alcançar grandes qualidades, virtudes e realizações espirituais.
Que em todas as minhas ações eu examine atentamente meu estado de espírito e, no momento em que surgir uma emoção perturbadora ou uma atitude negativa, pois isso pode causar danos a mim mesmo e aos outros, que eu a enfrente com firmeza e a evite.
Versículo 3 - Este versículo nos convida à prática sincera da atenção plena, examinando atentamente nosso estado mental em todas as nossas ações. Através dessa prática, os ensinamentos nos encorajam a encarar e evitar com firmeza quaisquer emoções perturbadoras ou atitudes negativas no exato momento em que surgem. Isso porque nossas ilusões, emoções perturbadoras e atitudes negativas podem nos levar a pensar, falar ou agir de maneiras não virtuosas, o que pode causar danos a nós mesmos e aos outros. Esse comportamento traz consequências cármicas e perpetua nossa ilusão e sofrimento. Portanto, ao longo do dia, enquanto trabalhamos, dirigimos, caminhamos, estudamos, conversamos com outras pessoas e assim por diante, devemos examinar atentamente nosso estado mental e emocional. Ao treinarmos nossa mente dessa maneira hábil, seremos capazes de encarar e evitar com firmeza emoções perturbadoras e atitudes negativas assim que surgirem e antes que ganhem mais força ou impulso.
Sempre que eu encontrar pessoas de caráter desagradável ou dominadas pela negatividade, dor ou sofrimento, que eu possa amá-las e cuidar delas como se tivesse encontrado um tesouro raro e precioso, difícil de achar.
Versículo 4 - Quando nos deparamos com pessoas desagradáveis, ou com aquelas dominadas pela negatividade, dor ou sofrimento, muitas vezes preferimos ignorá-las ou evitá-las em vez de amá-las e cuidar delas. Podemos nos considerar mais importantes ou mais evoluídos do que esses seres e, geralmente, nos afastamos deles, pois não queremos ser incomodados, feridos ou contaminados por sua condição. Este versículo sugere inverter nossa habitual atitude de autoaceitação, aprendendo a amar e cuidar dessas pessoas, sentindo alegria e gratidão como se tivéssemos encontrado um tesouro raro e precioso. Para superar a ilusão e o egoísmo da nossa autoaceitação, vemos esse encontro como uma oportunidade de servir e trazer felicidade aos outros, em vez de um incômodo a ser evitado. Dessa forma, nossa mente autoaceitadora diminui e nossa compaixão se aprofunda, de modo a abranger todos os seres vivos, sem exceção.
Sempre que outros, por causa de sua inveja, me tratarem mal com abusos, insultos, calúnias ou de outras maneiras injustas, que eu aceite essa derrota e ofereça a vitória aos outros.
Verso 5 - Aprender a aceitar a perda e a derrota para nós mesmos e oferecer ganho e vitória aos outros é o próprio fundamento da prática do bodhisattva. Embora possa parecer, no plano mundano, que sofremos perdas por meio dessa prática, em última análise, o praticante recebe os maiores benefícios em termos de riqueza espiritual e virtude. Ao aprendermos a aceitar tratamentos duros ou injustos, não devemos nos permitir reagir com raiva, comportar-nos da mesma maneira não virtuosa em resposta, ou abandonar os outros por causa de suas ações contra nós. Essa é a essência de aceitar a derrota e oferecer a vitória, e a conquista da suprema paciência e bondade. Ao aceitarmos a derrota e oferecermos a vitória aos outros, com a pura motivação da compaixão sincera, destruímos a ignorância do nosso egoísmo em sua raiz.
Quando alguém de quem eu me beneficiei ou em quem depositei grande confiança e esperança me prejudica ou me trata de maneira dolorosa sem motivo, que eu possa ver essa pessoa como meu precioso professor.
Verso 6 - Quando somos gentis com as pessoas, ajudando-as, dando-lhes nossa confiança e esperança, naturalmente esperamos ser tratados com gentileza em troca. Quando as pessoas retribuem nossa gentileza e confiança nos prejudicando ou nos tratando de maneira dolorosa, muitas vezes reagimos com raiva, mágoa ou decepção. Após tal experiência, podemos achar difícil oferecer-lhes nosso amor e respeito. Esse tipo de amor comum é condicional e impuro. Como praticantes, queremos acolher uma situação como essa com sabedoria, compaixão e amor incondicional. Portanto, é essencial que tenhamos uma maneira de transformar essas experiências difíceis no caminho real para a iluminação. Para alcançar isso, aprendemos a ver a pessoa que nos prejudica ou nos trata de maneira dolorosa como nosso precioso professor. Essa pessoa se torna nosso precioso professor por causa das valiosas lições de Dharma que recebemos. Através de sua gentileza, também recebemos o amadurecimento e a purificação de nosso próprio karma negativo, que é o resultado inevitável de termos feito algo semelhante a alguém no passado. Dessa forma, podemos ver como até mesmo nossos piores inimigos podem ser nossos maiores benfeitores e preciosos professores.
Em resumo, que eu possa oferecer, direta e indiretamente, toda a ajuda, felicidade e benefícios a todos os seres, minhas mães, e que eu possa assumir secretamente todas as suas ações nocivas, dor e sofrimento.
Verso 7 - Este verso refere-se à essência da prática de Tong-len (Dar e Receber). Devemos oferecer, direta e indiretamente, nossa ajuda, felicidade, benefícios, habilidades e recursos em serviço amoroso a todos os seres que, certamente, em algum momento do passado, foram nossas próprias mães. Na prática de Tong-len, com forte compaixão, visualizamos assumindo os obstáculos, problemas, doenças e sofrimentos dos outros. Em seguida, visualizamos dando-lhes toda a nossa felicidade, conforto, amor, virtude, prosperidade e grandes percepções. Neste verso, a palavra "secretamente" sugere que esta prática específica de compaixão pode não ser adequada ou pode ser muito difícil para praticantes iniciantes. Significa também que esta prática deve ser feita discretamente e não exibida ou comentada abertamente para obter elogios ou reconhecimento.
Que eu possa manter todas essas práticas imaculadas pelas manchas das oito preocupações mundanas (ganho/perda, prazer/dor, elogio/culpa, fama/desonra) e, ao reconhecer a vacuidade e a natureza ilusória de todas as coisas existentes, que eu seja libertado da escravidão do apego e das visões equivocadas da realidade.
Verso 8 - É essencial que nossa prática espiritual não seja contaminada ou manchada pelas oito preocupações mundanas. Por exemplo, engajar-se nessas práticas na esperança de ser reconhecido ou elogiado como um excelente praticante do Dharma não é a motivação correta. Tampouco devemos praticar com a expectativa de obter algo especial ou prazeroso para nós mesmos. Nossa motivação para a prática não deve ser poluída ou obscurecida por preocupações mundanas e apego. A motivação correta é agir exclusivamente e com compaixão para o benefício de outros seres. Nossa prática de treinamento da mente também deve ser unificada com nossa percepção direta da verdade última — a vacuidade. À medida que alcançamos a realização da verdade última, compreendemos a natureza vazia, ilusória e impermanente de todas as coisas existentes. Com essa realização, o apego às aparências externas, ou o engano por elas, diminui, e nos libertamos da escravidão do apego e das visões equivocadas da realidade.
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I find this especially painful and hard to proceed with today. I want to understand or hear more about peaceful resistance that allows me to speak for my neighbors who are being killed, speak for my love who is being targeted, and speak for my brother in a Minneapolis neighborhood who is unsafe. Someone please share more specific to these**** verses. And help me relate this to Mother Teresa's quote: "I used to believe that prayer changes things, but now I know that prayer changes us, and we change things."
These are ancient practices of perennial tradition. Such Truth and Wisdom have an eternal nature that many indigenous people have understood with their “hearts”. While Buddhism avoids mention of “God”, it nonetheless points to a “greater” outside of ourselves, even though naming it emptiness or nothingness? As the “self” (false self or ‘ego’) dies, the true self lying dormant in our hearts begins to inform our mind of Truth — this, mindfulness or “mind-full” of Divine LOVE.
}:- a.m. (anonemoose monk)